4 de junho de 2026

Simplício vai a Nova Iorque e fica preso na Estátua da Liberdade

Simplício vai a Nova Iorque e fica preso na Estátua da Liberdade

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Depois de visitar Washington a fim de receber um resto do dinheiro que a CIA lhe devia, Simplício resolveu dar uma esticada até Nova Iorque para fazer turismo antes de voltar ao Brasil. Estava dentro da Estátua da Liberdade quando a Câmara de maioria republicana cortou o dinheiro para todos os serviços federais, desde parques públicos até a NASA, e incluindo a Estátua da Liberdade. Pelo celular pediu ajuda ao professor Galileu.

                — Mas o que você quer que eu faça?, Simplício. Estou no Brasil e não tenho nenhuma influência sobre o Tea Party ou o Partido Republicano. Apele para o Paul Krugman.

                — Meu caro Simplício – disse-lhe Krugman, o Nobel de Economia que escreve no “The New York Times” -, tal como Galileu, não tenho como fazer nada. Se você quiser, posso acrescentar alguns bons insultos aos que comumente tenho dirigido ao Partido Republicano, mas isso não vai mudar a natureza das coisas. Fale com o Stiglitz, que também é Nobel e pensa muito parecido comigo em nossa cruzada contra a estúpida ortodoxia econômica.

                — Krugman tem razão, disse Stiglitz. Mas enquanto a gente arranja algum funcionário federal da Estátua que o tire aí de graça, aproveite o tempo para refletir sobre o que é exatamente o Partido Republicano nos Estados Unidos: ele está em confronto com Obama porque quer impedir que a parcela mais miserável da população tenha assistência de saúde. Para dobrar Obama, cortaram o orçamento.

                — Não entendi: o Partido Republicano é contra garantir saúde aos pobres?, admirou-se Simplício.

                — Exatamente, disse Stiglitz. Obama fez o projeto de lei que garante seguro de saúde aos pobres e fez aprovar o projeto porque na época tinha maioria nas duas casas do Congresso; mas o Partido Republicano não se conformou. Agora que tem maioria na Câmara quer revogar a lei.

                — Seria como, no Brasil, limitar o SUS só aos que têm dinheiro…

                — Mais ou menos isso. É uma espécie de pena de morte indireta para os que não têm dinheiro para pagar hospital.

                — E ainda tem gente no Brasil simpática ao Partido Republicano americano. Aliás, é muito suspeito que a grande mídia não explique direito essa decisão de congelar o orçamento, apresentando-a como simples questão ideológica. É que há milhões de vidas envolvidas!

                — O pior é que, com isso, vão derrubar a economia e trazer mais desemprego, explicou Stiglitz.

                — Bem, podem me deixar aqui mesmo dentro da Estátua, encerrou Simplício.

                E escreveu na agenda vermelha: “Confúcio disse, nenhuma estupidez humana é maior que a falta de misericórdia.”

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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