4 de junho de 2026

Nina Horta, Danuza Leão e o elitismo na Folha

Sugerido por Fiódor Andrade

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Dois textos do blog “Já Matei por Menos” de Juliana Cunha: Sinceridade de classe e Sonho de uma noite de verão:

Do blog de Juliana Cunha

Sinceridade de classe

Há uns meses eu escrevi aqui no blog sobre duas figuras que, para mim, são muito mais pit bulls do elitismo — para usar um termo que a ombudsman da Folha empregou outro dia — do que os “colunistas de direita” que todo mundo conhece e identifica nesses termos, tipo Pondé ou Reinaldo Azevedo. Não coincidentemente, as duas figuras que eu havia citado eram mulheres — Nina Horta e Danuza Leão. De lá para cá, Danuza saiu da Folha, mas foi de certo modo substituída por Tati Bernardi.

Tati Bernardi é a nova Danuza. Os estilos são diferentes: Danuza trabalhava uma vibe senhora de família abastada que dá dicas aos mortais. Já Tati tenta chamar o leitor para o seu lado, convidando-o a se identificar com os absurdos que ela fala, que são naturalizados e vistos como “sinceridade”, “prontofalei”. Com sua vulgaridade e texto mal escrito, ela faz um trabalho ideológico muito mais bem feito que o de Pondé já que ideologia boa é ideologia naturalizada, que passa como senso comum. O próprio “nome artístico” que ela escolheu já colabora nesse projeto: enquanto Danuza escrevia olhando para baixo, Tati quer ser chamada pelo apelido, é nossa igual.

Quando eu digo que não coincidentemente todas essas figuras são mulheres é porque cabe à mulher, de quem não se espera um discurso de poder, fazer esse trabalho ideológico de formiguinha, construindo o pensamento conservador nas ações diárias. Não foi isso que Tati fez desde sua primeira coluna, quando tentou convencer as outras mulheres de que somos mesmo invejosas e fúteis e que a única possibilidade de discordância desse estereótipo é a hipocrisia?

Essa semana, Tati nos presenteou com um texto em que critica jovens do meio “artístico” e editorial — roteiristas, publicitários, jornalistas, escritores — que trabalham de graça. Segundo ela, a culpa do mercado ser do jeito que é certamente é dessas pessoas.

Que tal usarmos a máxima “don’t blame the victim” em relação a esse texto que todos estão compartilhando como se fosse a expressão máxima da sinceridade? De quem é a culpa das relações de trabalho precárias no meio “artístico” e editorial? Na minha simplória opinião, a culpa é dos órgãos fiscalizadores das relações de trabalho (ministério, delegacias), que não cumprem seu papel; dos sindicatos inoperantes e dos trabalhadores mais experientes e estabelecidos que em vez de se organizarem ou darem um mínimo de suporte moral aos iniciantes simplesmente os tratam como “inexperientes e deslumbrados”.

Para essa senhora “madura”, a culpa é dos trabalhadores (opa, a classe média não gosta de se enxergar assim) que estão começando a engatinhar em um mercado viciado onde o sujeito passa de voluntário à freela fixo, faz uma breve e gloriosa estadia na CLT e — logo que começa a ganhar um salário mais razoável — é lançado pro pjotinha.

Claro, a culpa só podia ser do trabalhador. Se você for pensar bem a culpa da escravidão também era do negro. Sabia que durante o Brasil colônia os escravos eram maioria? E nem assim revidavam? Quer dizer, eram muito otários mesmo…

Nem passa pela cabeça dessa moça que o poder real de mudar a situação esteja com os órgãos de fiscalização do trabalho (cadê a visita semestral aos jornais, revistas e agências de publicidade?); com os sindicatos e com os veteranos que, além de maduros, deviam arrumar um tempo para serem organizados e com um pinguinho de consciência de classe.

Do jeito que está, a única forma de um iniciante se inserir nesse mercado é aceitando trabalhar de graça ou em esquemas degradantes. Aliás, será que essa longa fase de voluntariado também não é um filtro para garantir que o meio “artístico” e editorial basicamente só tenha pessoas com origem na classe média? Será que isso explica em parte o notório branqueamento desses setores? Não, acho que não, acho que é mesmo tudo culpa de jovens de 20 anos deslumbrados por uma cadeira de design.

Sonho de uma noite de verão

Quando Nina Horta e Danuza Leão começam a falar sobre empregadas domésticas se prepare que vai vir pérola. Essas duas senhoras formam hoje o núcleo duro do elitismo entre os colunistas da Folha. Esqueça Luiz Felipe Pondé, é nas colunas de Nina e Danuza que mora o elitismo hardcore, em seu estado bruto, sem disfarces ou elaborações. É lá que se confraternizam numa eterna conversa de elevador as madames decadentes da nossa classe média, rancorosa por ter perdido privilégios que antes eram quase direitos constitucionais de sua classe social, a exemplo da cobiçada empregada mensalista que dorme do serviço e vive às margens do patrão.

Nina e Danuza me fazem lembrar com tristeza dos tempos em que o Brasil tinha um outra cronista que gostava de falar de empregadas: Clarice Lispector. Vários de seus contos tinham empregadas como personagens centrais, a exemplo das histórias de “A Descoberta do Mundo”. Outros livros, como “A Paixão Segundo G.H” problematizavam a relação entre patroa e empregada.

Nos textos de Clarice a própria autora não se coloca como um exemplo a ser seguido, como a patroa ideal. Pelo contrário: vários deles deixam entrever seus preconceitos de classe e sua dificuldade em lidar com aquela pessoa estranha que vive em sua casa, para lhe servir.

Em “A Mineira Calada”, por exemplo, vemos o episódio em que uma das empregadas da escritora, Aninha, quer porque quer ler os livros da patroa, que menospreza sua capacidade intelectual:

“Um dia de manhã estava arrumando um canto da sala, e eu bordando no outro canto. De repente — não, não de repente, nada é de repente nela, tudo parece uma continuação do silêncio. Continuando pois o silêncio, veio até a mim a sua voz: ‘A senhora escreve livros?’ Respondi um pouco surpreendida que sim. Ela me perguntou, sem parar de arrumar e sem alterar a voz, se eu podia emprestar-lhe um. Fiquei atrapalhada. Fui franca: disse-lhe que ela não ia gostar de meus livros porque eles eram um pouco complicados. Foi então que, continuando a arrumar, e com voz ainda mais abafada, respondeu: ‘Gosto de coisas complicadas. Não gosto de água com açúcar’”. [Clarice Lispector]

Mesmo depois de ouvir que a empregada não gostava de água com açúcar, Clarice dá a ela um romance policial que ela havia traduzido — ou seja, uma aguinha com açúcar. Aninha lê, mas volta e responde: “Gostei, mas achei um pouco pueril. Eu gostava era de ler um livro seu”.

Nessa crônica, Clarice relativiza a diferença de classe entre patroa e empregada, desmascara seu próprio preconceito e mostra que a situação da escritora também não é a de uma vida feita somente de trabalhos intelectualizados: assim como Aninha limpa casas para viver e é mais do que uma trabalhadora manual, Clarice tem que traduzir livrinhos policiais para viver, mas não se resume a isso. Não sei que diabos Danuza e Nina fazem para viver, mas elas certamente se resumem a isso.

Ontem, em sua coluna no jornal, Danuza Leão atacou a “PEC das empregadas”, uma tentativa de assegurar mais direitos trabalhistas às empregadas domésticas. Ela compara o esquema brasileiro ao esquema de “países mais civilizados” [palavras dela], como Estados Unidos e França. Para a colunista, “a ideia de dar auxílio creche e educação para menores de cinco anos dos empregados é sonho de uma noite de verão, pois se os patrões mal conseguem arcar com as despesas dos próprios filhos, imagine com os da empregada”.

De onde Danuza tirou que uma pessoa que mal consegue prover educação para os próprios filhos deveria ter uma empregada mensalista? A única forma de assegurar a uma classe média falida o “direito essencial” a ter uma empregada doméstica é permitindo que mulheres pobres se sujeitem a remunerações pífias.

O emprego doméstico só deixou de ser a principal profissão das mulheres brasileiras em 2011. Eu e grande parte dos jovens de classe média da minha geração fomos parcialmente criados por mulheres que abdicaram de sua privacidade e vida individual para morar na casa de patrões, frequentemente sem carteira assinada. Muitas delas criaram seus filhos dentro do ambiente de trabalho, em condições pouco propícias para o desenvolvimento da autoestima de uma criança. Fico feliz em saber que se eu tiver filhos eles serão criados em um outro esquema. Será mais difícil e caro para mim e é também por isso que a minha geração tem filhos mais tarde, mas será indiscutivelmente melhor.

Quando era adolescente jantei na casa de um amigo cuja empregada tinha um filho de seis anos. Em dado momento a mãe do meu amigo disse que Vitor, filho da empregada, só vivia doente, até que se mudou para a casa dela e passou a beber “água boa”. Ela creditava a água de sua casa pela saúde de ferro que o menino apresentava. O comentário foi feito na frente do garoto e de sua mãe. Essa é uma criança que cresceu pensando que devia até sua falta de resfriados à patroa de sua mãe.

Em janeiro conheci uma garota de 17 anos com quem iniciei uma amizade —  sou dessas que fazem amizades com garotas de 17. A menina era inteligente, tocava quatro instrumentos e era fã de Bob Dylan. No meio de uma conversa randômica ela contou que seus amigos caçoavam dos erros de português da empregada. “Mas caçoam de piada, sabe? Imitando e tal. Ela sabe que é brincadeira”.

A conversa evoluiu e descobri que a tal empregada ia na casa da garota todos os dias, mas não tinha carteira assinada. Ela achava normal porque era “um esquema de trabalho informal”. Ela não sabia que isso era fora da lei. Não sabia que se a empregada fosse mais de duas vezes por semana na casa dela a mãe era obrigada a pagar FGTS, férias e décimo terceiro. Ela achava que sua mãe tratava Maria muito bem e ficou surpresa quando eu disse que Maria poderia levar até o violão dela embora caso acordasse para a vida e fosse em busca de seus direitos.

O “sonho de uma noite de verão” de viver em um mundo do trabalho senão justo ao menos legalizado exige vigilância diária. Vivo em uma bolha de pessoas legais e inteligentes e frequentemente acho que questões como a empregada merecer ter os mesmos direitos que a faxineira de uma empresa já foram vencidas. Mas não foram. E é por isso que eu tenho um pequeno derrame cerebral cada vez que vejo o jornal ao qual dediquei dois anos da minha vida —  sem carteira assinada, sem férias e sem décimo terceiro, como tantos jornalistas fazem —  publicar uma besteirada dessas.

“Ser conservador em países que têm o que conservar é funesto, mas nos países novos é absurdo e criminoso”. [Manoel Bomfim]

Para ler em dias de coragem:

“Empregadas, mais um capítulo” — Para Nina Horta “empregada que veio do sertão” fala idioma estrangeiro

“Luta de classes” — Danuza Leão conta como teve de abdicar de seu espírito sonhador e reconhecer que empregado tem mesmo que se limitar à cozinha

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  1. Tamára Baranov

    4 de dezembro de 2013 1:58 pm

    Danuza sobre as empregadas e a resposta de Eduardo Guimaráes

    O texto infame da ‘patroa’ Danuza Leão sobre a PEC das empregadas domésticas e a resposta de Eduardo Guimarães

    A PEC das empregadas

    Essa Pec das empregadas precisa ser muito discutida; como foi mal concebida, assim será difícil de ser cumprida, e aí todos vão perder.

    A intenção de dar as melhores condições à profissional, faz com que seja quase impossível que o empregador tenha meios de cumprir com as novas leis; afinal, quem vai pagar esse salário é uma pessoa física, não uma empresa.

    Vou fazer alguns comentários sobre as condições -diferentes- em que trabalham as domésticas aqui e em países mais civilizados.

    Vou falar da França e dos Estados Unidos, que são os que mais conheço. Lá, quem mora em apartamento de dois quartos e sala, é considerada privilegiada, mas nenhum deles tem área de serviço nem quarto de empregada (costuma existir uma área comunitária no prédio com várias máquinas de lavar e secar, em que cada morador paga pelo tempo que usa); uma família que vive num apartamento desses tem -quando tem- uma profissional que vem uma vez por semana, por um par de horas.

    É claro que cada um faz sua cama e lava seu prato, e a maioria come na rua; nessas cidades existem dezenas de pequenos restaurantes, e por preços mais do que razoáveis.

    Apartamentos grandes, de gente rica, têm quarto de empregada no último andar do prédio (as chamadas “chambres de bonne”, que passaram a ser alugadas aos estudantes), ou no térreo, completamente separados e independentes da família para quem trabalham.

    Essas domésticas -fixas e raras- têm salario mensal, e sua carga horária é de 8 horas por dia, distribuídas assim: das 8h às 14h (portanto, 6 horas seguidas) arrumam, fazem o almoço, põem a casa em ordem. Aí param, descansam, estudam, vão ao cinema ou namoram; voltam às 19h, cuidam do jantar rapidinho (lá ninguém descasca batata nem rala cenoura nem faz refogado, porque tudo já é comprado praticamente pronto), e às 21h, trabalho encerrado.

    Mas no Brasil, muitos apartamentos de quarto e sala têm quarto de empregada, e se a profissional mora no emprego, fica difícil estipular o que é hora extra, fora o “Maria, me traz um copo de água?”. E a ideia de dar auxílio creche e educação para menores de 5 anos dos empregados, é sonho de uma noite de verão, pois se os patrões mal conseguem arcar com as despesas dos próprios filhos, imagine com os da empregada.

    Quem vai empregar uma jovem com dois filhos pequenos, se tiver que pagar pela creche e educação dessas crianças? É desemprego na certa.

    Outra coisa esquecida: na maior parte das cidades do Brasil uma empregada encara duas, três horas em mais de uma condução para chegar ao trabalho, e mais duas ou três para voltar para casa, o que faz toda a diferença: o transporte público no país é trágico. Atenção: não estou dando soluções, estou mostrando as dificuldades.

    Na França, quando um casal normal, em que os dois trabalham, têm um filho, existem creches do governo (de graça) que faz com que uma babá não seja necessária, mas no Brasil? Ou a mãe larga o emprego para cuidar do filho ou tem que ser uma executiva de salário altíssimo para poder pagar uma creche particular ou uma babá em tempo integral, olha a complicação.

    Nenhum país tem os benefícios trabalhistas iguais aos do Brasil, mas isso funciona quando as carteiras das empregadas são assinadas, o que não acontece na maioria dos casos; e além da hora extra, por que não regulamentar também o trabalho por hora, fácil de ser regularizado, pois pago a cada vez que é realizado? Se essa PEC não for muito bem discutida, pode acabar em desemprego.

    E o texto de Eduardo Guimarães em resposta à Danuza Leão

    Danuza Leão é o símbolo vivo de uma elite inculta, egoísta e vil

    Há um setor da sociedade que simplesmente não consegue enxergar e aceitar o processo civilizatório em que o Brasil mergulhou após os seguidos desastres administrativos, econômicos e sociais que governos medíocres, vendidos e ladrões lhe impuseram até 2002.

    Talvez o mais eloquente símbolo do processo civilizatório em curso no Brasil seja estar se tornando raro famílias de classes média e alta terem “empregadas domésticas” que trabalhem de sol a sol por ninharias que não pagam refeição em um bom restaurante.

    Agora, após séculos de verdadeira escravidão a que mulheres e até meninas pobres se submeteram trabalhando nessas condições para famílias de classe social superior, o Congresso criou vergonha e estendeu aos trabalhadores domésticos os direitos de todos os outros.

    Um dos muitos avanços sociais para a maioria empobrecida do nosso povo que os governos Lula e Dilma vêm proporcionando está na raiz do ódio que a elite tem deles, pois acabou a moleza de madames como a colunista da Folha de São Paulo Danuza Leão terem escravas.

    Eis que a socialite-colunista, que já andou vertendo seu ódio de classe devido à conquista dos aeroportos e viagens internacionais pelas classes “inferiores”, agora se revolta com os direitos trabalhistas serem estendidos também às “domésticas”.

    Para tanto, como bem anotou o site Brasil 247, a socialite-colunista se valeu dos “argumentos” que há mais de século os escravocratas brasileiros usaram para manter este país como o único em que persistia a escravidão de negros.

    Os escravocratas diziam que se os negros fossem libertados, seriam os principais prejudicados porque não conseguiriam se sustentar sem a “proteção” do senhor de escravos.

    Agora, uma centena e tanto de anos depois, a colunista da Folha diz que dar direitos trabalhistas a domésticas seria ruim para elas porque, dessa forma, não conseguirão emprego.

    Essa mulher é colunista do dito “maior jornal do país”. Espanta como alguém tão desinformada pode ter espaço em um veículo de projeção nacional para provar por escrito sua ignorância desumana.

    Danuza é o retrato de uma elitezinha minúscula, iletrada, desinformada, egoísta, racista, sonegadora e pervertida. A sua diarreia mental na Folha deste domingo (texto acima) não me deixa mentir.

    No Brasil, com a revolução social da década passada – desencadeada a partir de 2004 – há cada vez menos pessoas dispostas a realizar trabalhos domésticos, sobretudo devido à falta de direitos trabalhistas e aos salários de miséria que gente como Danuza quer pagar para ser servida 24 horas por dia em troca de alguns trocados, um prato de comida e uma cama.

    Se a elite que Danuza simboliza não fosse tão desinformada, iletrada, delirante e egoísta, saberia que o IBGE vem detectando que é cada vez menor o número de pessoas dispostas a atuar em tarefas domésticas.

    No ano passado, por exemplo, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, apenas 6,6% dos brasileiros atuaram em serviços domésticos. Foi o resultado mais baixo desde 2003.

    Danuza tenta preservar a escravidão no Brasil usando um argumento vazio, como se vivesse na época de seu ídolo Fernando Henrique Cardoso. Ela não sabe que a escassez de trabalhadores domésticos elevou o poder de barganha deles

    Os salários dos empregados domésticos crescem sem parar desde 2003 e o nível de formalização (carteira assinada) é hoje o mais alto da história.

    Nos últimos 12 meses, o salário médio de uma empregada doméstica aumentou 11,83%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do País, também apurado pelo IBGE.

    Segundo o coordenador da pesquisa do IBGE, “Por causa da oferta baixa e da demanda crescente o preço das empregadas domésticas chegou num patamar em que muitas famílias estão abrindo mão do serviço todos os dias e optando por ter uma empregada duas vezes por semana, por exemplo, para não configurar um vínculo”.

    Segundo o estudo, “A mudança na situação do mercado de trabalho doméstico foi sustentada por dois motivos: aquecimento na criação de postos de trabalho e melhora na educação do trabalhador. Esses fatores fizeram com que os trabalhadores domésticos conseguissem migrar para outros ramos de atividades”.

    Mais dados da PME, do IBGE: “Entre 2003 e 2012, o porcentual de trabalhadores analfabetos ou com até oito anos de estudo recuou 15,5%. Já a quantidade de profissionais com 8 a 10 anos de estudo aumentou 27,7%, enquanto a parcela dos profissionais cresceu 139,4% no período”

    A quantidade de trabalhadores domésticos, por conta disso, vem caindo, em média, 2,7% ao ano.

    O coordenador da pesquisa do IBGE ainda explica que “Com a melhoria da educação e oportunidade de trabalhar em outros nichos, as trabalhadoras estão conseguindo se inserir principalmente nos serviços prestados a empresas, uma parte mais voltada para terceirização”.

    Já o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho explica que “Em geral as pessoas não gostam de ser empregadas domesticas. Sempre que possível elas deixam essa profissão”. E as razões disso, a diarreia escrita de Danuza explica.

    E o pior do texto dessa senhora é quando tenta fazer uma analogia entre os serviços domésticos no Brasil e nos países ricos.

    A pesquisa do IBGE mostra que a mudança na estrutura do emprego doméstico no Brasil o tornará mais europeizado e americanizado. Segundo os pesquisadores do IBGE, “Em países de economia mais madura ter um trabalhador doméstico todos os dias da semana é considerado luxo. Quem trabalha no setor, por sua vez, se especializa e, obviamente, cobra mais”.

    Minha filha Gabriela (26) vive há quatro anos em Sydney, na Austrália. Para pagar os estudos trabalhou como babá, ganhando o equivalente a 7 mil reais por mês, viajando ao exterior toda hora, comprando carro e trabalhando apenas seis horas por dia.

    Nos países civilizados, empregados domésticos fazem muitas exigências e recusam vários serviços, como recolher roupas íntimas usadas e imundas que socialites deixam no box do banheiro e outras humilhações.

    “A tendência é haver pessoas especializadas em serviços domésticos. Não vamos ter analfabeto fazendo esse trabalho, como era no passado. Teremos pessoas com mais escolaridade nessa função com uma remuneração mais elevada”, diz o economista Barbosa Filho.

    Danuza, que como toda madame fútil quer se mostrar uma “expert” nas condições sociais e econômicas de países ricos, viaja a eles e não consegue entender o que vê. Assim, escreve as cretinices desinformadoras que escreveu naquele que se diz “maior jornal do Brasil”.

  2. José X.

    4 de dezembro de 2013 2:03 pm

    Pelamodedeus Nassif, não tem

    Pelamodedeus Nassif, não tem mais assunto para colocar ?

    Primeiro um post sobre a “entrevista de Lobão a Augusto Nunes” no Roda Viva, e agora esse outro sobre dondocas recalcadas…

     

    Assim não (pó)de, assim não dá

    1. Juliano Santos

      4 de dezembro de 2013 2:19 pm

      Já eu, gosto desses post,

      Já eu, gosto desses post, caro José. Mostra tudo que a gente “está perdendo” ao não ler a Folha. Também descobri aqui no blog do Nassif que eu deixei de desperdiçar 1 hora da minha vida ao não ver o Roda Morta ontem.

      Em compensação fui brindado com uma belo perfil sobre nossas celebridades neocons em avançado estado de “decadence sem elegance’

    2. Quintela Brasil

      4 de dezembro de 2013 3:49 pm

      Pelamodedeus Nassif, não tem assunto…
      “O mal não merece comentário em tempo algum.”
      André Luiz.

      Lobão, Danuza e não sei mais quem.. querem APARECER!

      E tem gente que “mostra” essas figuras caricatas…

      Fazer o que?

  3. Ugo

    4 de dezembro de 2013 2:03 pm

    bolsa

    Os nossos esforços para um “Bolsa madame para ter empregada”.

  4. Fernando J.

    4 de dezembro de 2013 2:23 pm

    Devastador

    Devastador.

  5. morallis

    4 de dezembro de 2013 2:25 pm

    Essa barangada toda sabe que

    Essa barangada toda sabe que posicionamento fascista soa irrevente para os incautos, não que as mesmas

    não comumguem, enfim não passam de parasitas, comem a mesma merda que produzem.

  6. Lionel Rupaud

    4 de dezembro de 2013 2:58 pm

    A melhor parte é:

    “cada vez que vejo o jornal ao qual dediquei dois anos da minha vida —  sem carteira assinada, sem férias e sem décimo terceiro, como tantos jornalistas fazem —  publicar uma besteirada dessas.”

    Adorei o texto.

  7. vera lucia venturini

    4 de dezembro de 2013 3:50 pm

    Sei não, mas o posicionamento

    Sei não, mas o posicionamento destas mulheres tipo Danuza Leão está tão distante do cotidiano da maioria das mulheres brasileiras que não dá nem para comentar. São múmias que falam para outras múmias.

  8. YgorC.S.

    4 de dezembro de 2013 4:44 pm

    Não concordo com a autora do

    Não concordo com a autora do texto no que diz respeito ao artigo específico sobre os trabalhadores jovens no setor do cinema. Claro, são os órgãos fiscalizadores que são omissos, são os empregadores que são exploradores, mas a situação ali tratada era outra e bem evidente para os mais críticos que conhecem ou trabalham não só nesse setor artístico, como é o do cinema, mas também no de tecnologias modernas (como design gráfico), publicidade, etc.: há uma glamourização perversa do trabalhar demais, do “fazer por amor”, uma heroificação do cara que passa madrugadas trabalhando para fazer o melhor produto mesmo sem receber a mais por isso.

    Isso é muito discutido nesses setores e não é feito só por exploração ou coação dos empregadores, mas até sem muitos conflitos com os trabalhadores jovens, que simplesmente são mesmo convencidos, deslumbrados, iludidos de que a área deles é “diferente”, especial e que fazem algo a mais do que um produto qualquer, bem como de que trabalhador bom é aquele que dá o sangue pelo seu emprego (sem perceber que estão vendendo mão-de-obra, portanto deveriam cobrar por cada pedaço disso da mesma forma que os patrões cobram pelos produtos finais feitos pelos seus funcionários aos consumidores). Não acompanho os demais textos da colunista da Flha, mas ao ler o texto específico que a autora Juliana Cunha critica eu identifiquei exatamente os mesmos problemas, que “amainam” os trabalhadores jovens para serem cordeirinhos facilmente exploráveis ainda se achando “descolados”, que pessoas mais críticas já haviam me dito sobre o setor de design gráfico e publicidade.

  9. alfie

    4 de dezembro de 2013 7:34 pm

    E o empregador, onde fica?

    A articulista acertou ao mencionar Danuza e a outra, mas omitiu o principal culpado pelos trabalhos gratis de boa parte da nova geração que, de uma maneira ou de outra, tira a vaga dols mais preparados e mais antigos. É o empregador, o o dono da produtora de comerciais e filmes que pega mais estagiários menos gente competente, do dono do site, etc… É mais barato. 

  10. Fulvia

    4 de dezembro de 2013 8:46 pm

    é sonho de uma noite de

    é sonho de uma noite de verão, pois se os patrões mal conseguem arcar com as despesas dos próprios filhos, imagine com os da empregada.

     

    Nunca é tarde para lembrar a madame Danuza que patrões que mal conseguem arcar com as despesas dos próprios filhos, jamais poderão arcar com os custos de uma empregada, seja aqui ou alhures.  

    Seria de bom grado a madame Danuza se informar quanto custa aos patrões manter uma empregada nos EUA e também na França, certamente a madame Danuza ao morar nesses países mais civilizados não teria jamais condições de desfrutar desse privilégio que cabe somente as famílias muito ricas.

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