4 de junho de 2026

Livro aborda Assessoria Econômica do segundo governo de Vargas

Por Motta Araujo

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A ASSESSORIA ECONÔMICA DE VARGAS 1950-1954 – Marcos Costa Lima – Livro que supre uma lacuna sobre um importante periodo da história econômica brasileira, os cruciais anos do segundo Governo Vargas, o chamado “governo democrático” de 1950. Editora e-papers 416 páginas.

Getúlio voltou em 1950 com um projeto de desenvolvimento nacional que se contrapunha ao alinhamento automático do Governo Dutra na estratégia da Pax Americana. Os EUA saíram da Segunda Guerra como potência dominante da economia mundial, com 52% do PIB mundial, evidentemente dentro do contexto da destruição do aparelho econômico da Europa, URSS e Japão, eram a potência motora da economia mundial.

Vargas tinha que se compor com as forças econômicas conservadoras dentro do país, não poderia governar sem essa composição. Colocou no Ministério da Fazendo o líder da FIESP, Horácio Lafer, e no Banco do Brasil Ricardo Jafet, os dois de São Paulo e representado o que de mais conservador se poderia achar em economia no país, ambos epicentros da elite econômica e social da São Paulo posterior a dominância cafeeira, a São Paulo rica pelas fábricas, então enriquecida pela Guerra e pela escassez de produtos importados, nadando em dinheiro.

Reservou todavia para si o controle de um projeto econômico para o futuro e que centralizou numa novidade, a Assessoria Econômica da Presidência, algo que nunca tinha sido tentado antes, um pequeno “think tank” que nada tinha a ver com os barões das chaminés de São Paulo ou com o pensamento econômico ortodoxo.

Escolheu para a Assessoria Econômica pensadores que poderiam ser hoje rotulados como “desenvolvimentistas”, a saber Rômulo de Almeida, baiano, Cleanto de Paiva Leite, que seria a alma do novo BNDE, Jesus Soares Pereira e Ignacio Rangel, economistas pensadores e criativos, nada, absolutamente nada a ver com o grupo ultra ortodoxo de Eugênio Gudin, que se contrapunha no mesmo ambiente do Rio de Janeiro e que seria o embrião da Escola do Rio, o grupo neoliberal que se concentrou em torno da Faculdade de Economia da PUC-Rio e da Casa das Garças.

Que esse homem do século XIX, pessoalmente conservador até a medula, tenha pensado e reunido um grupo de economistas heterodoxos sem muitas credenciais acadêmicas para pensar o Brasil do futuro, mostra a genialidade extraordinária de Vargas. Getúlio os chamava de “boêmios cívicos”, pela vida mais leve e solta distante dos salões sofisticados de Gudin e seu grupo elitizado à moda britânica, sem que isso o desmerecesse, Gudin era um excelente economista e deve-se a ele a sistemaização do estudo da economia no Brasil.

Do grupo dos “boêmios” saíram as ideias que resultaram na criação do BNDE, da Petrobras e da Eletrobrás, Vargas sabia à perfeição, era mestre nisso, manobrar uma ala inovadora no Palácio e outra ala conservadora no Ministério da Fazenda e no Banco do Brasil (não existia o Banco Central). Esse homem extraordinário que conseguia conviver com os americanos e ingleses no Gávea Golf Club (Vargas jogava golfe) e com os sindicalistas do PTB foi o grande cérebro do Brasil no Seculo XX, conseguiu pensar o Brasil em todas suas dimensões, nós somos produtos até hoje das decisões visionárias desse grande estadista, o construtor do Brasil moderno, somos o Brasil de Vargas.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

9 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Juca Almeida

    26 de novembro de 2013 2:57 pm

    O fantasma que assombra a elite conservadora.

    E olha que já houve quem quisesse “enterrar” de vez esse “morto insepulto”, mas seu legado continua vivo mostrando o caminho a ser trilhado. Quem não dorme é a elite conservadora.

  2. Alexandre Weber - Santos -SP

    26 de novembro de 2013 3:41 pm

    Especulações

    Posso estar enganado e frequentemente estou, mas penso que a Dilma precisa não de “boêmios cívicos” mas de um comitê de crise, para enfrentar o tsunami que vêm pela proa com o fim do Dólar como moeda de troca internacional.

    Acorda, Dilma!

    1. Motta Araujo

      26 de novembro de 2013 4:11 pm

      Fim do dolar? Substituido por

      Fim do dolar? Substituido por qual moeda? Me indique uma em que 7 bilhões de pessoas confiam.

      Voce pode comer, beber e viver como um lorde tendo dolar no bolso em qualquer ponto do planeta porque o dolar é aceito desde a Patagonia até a Sibéria, passando pelo Congo. Nem o Euro, nem o Yen, nem a Libra tem essa ceitação. A moeda chinesa nem em Hong Kong tem grande aceitação.

      O libra foi moeda reserva mundial desde o Congresso de Viena de 1815 até 1918, fim da Primeira Guerra, a partir dai a libra foi caindo lentamente substituida pelo dolar como moeda reserva mundial, papel consolidado em 1945.

      O dolar continua sendo a moeda de 70% das transações mundiais e a moeda reserva de 66% dos investimentos no mundo. Está perdendo espaço MUITO LENTAMENTE e não por um processo abrupto.

      A libra, depois de quase 100 anos do fim de sua hegemonia, continua sendo uma moeda importante e respeitada.

      As coisas na historia economica não acontecem de repende e sim por longos processos.

       

      1. Lionel Rupaud

        26 de novembro de 2013 4:44 pm

        André, mas existe sim risco de calote dos EUA

        e temos US$ 370 BILHÕES em papeis americanos, achando que é um seguro, e pode não servir para nada na hora H.

        Acho sim que o time econômico do governo Dilma é muito fraco, seja tecnicamente, seja em comunicação, e você bem sabe como é primordial a comunicação neste nível.

        1. DanielQuireza

          26 de novembro de 2013 7:02 pm

          Mas mesmo o calote, que se

          Mas mesmo o calote, que se houver será parcial, não creio que fará com que se substitua o dólar como moeda de reserva internacional. Até porque não há opções.

      2. Alexandre Weber - Santos -SP

        26 de novembro de 2013 5:27 pm

        Velocidade

        Uma vez que o André concorda comigo que o Dólar está indo para o default, resta saber quando isto irá acontecer.

        No que concerne ao tempo dos eventos, apesar dos longos ciclos de kondratieff, penso que a defecção da Arábia Saudita da órbita de influência dos USA, será o evento catalizador do processo. O mercado do ouro e da prata já operam em novos patamares.

  3. Tiago Bevilaqua

    26 de novembro de 2013 6:25 pm

    Sugestão e uma lembrança

    Sugiro a leitura do excelente, imprescindível, livro para quem quer conhecer história econômica, Petróleo, energia elétrica, siderurgia: a luta pela emancipação; um depoimento de Jesus Soares Pereira sobre a política de Vargas. Também trata das questões tratadas pela assessoria econômica de Getúlio.

    Sobre Ignácio Rangel, original e valiosíssimo economista, vale o depoimento de um antigo chefe meu, João Paulo de Almeida Magalhães, que enquanto da assessoria econômica de JK, conta que uma vez indo de avião do Rio para Brasília, Rangel tinha uma posição, se não me engano solitária. Defendeu-a tão bem que chegados a Brasília, todos estava de acordo com ele.

  4. mello

    26 de novembro de 2013 7:00 pm

    Justíssima a homenagem aos

    Justíssima a homenagem aos “boêmios cívicos.   Era um timaço. Minha admiração maior é pelo Jesus Soares Pereira, mas os outros também eram  ótimos.

  5. nilo

    26 de novembro de 2013 9:36 pm

     
    Já que o tema se

     

    Já que o tema se desviou:

    Em documento de 84 páginas, denominado Exortação Apostólica, PAPA CRITICA OS ESPECULADORES [conservadores neoliberais], A AUTONOMIA DOS MERCADOS [conservadores neoliberais] E PEDE COMBATE ÀS CAUSAS ESTRUTURAIS DA DESIQUALDADE [ou seja, aos dogmas dos conservadores neoliberais]:

    “ENQUANTO OS PROBLEMAS DOS POBRES NÃO FOREM RADICALMENTE RESOLVIDOS POR MEIO DA REJEIÇÃO DA AUTONOMIA ABSOLUTA DOS MERCADOS E A ESPECULAÇÃO FINANCEIRA, E PELO ATAQUE ÀS CAUSAS ESTRUTURAIS DA DESIGUALDADE, NENHUMA SOLUÇÃO SERÁ ENCONTRADA PARA OS PROBLEMAS DO MUNDO OU, NESSA MATÉRIA, PARA QUAISQUER PROBLEMAS” E PEDE AOS POLITICOS QUE GARANTAM A TODOS OS CIDADÃOS “TRABALHO, ATENDIMENTO DE SAÚDE E EDUCAÇÃO DIGNOS”.

    http://www.brasil247.com/pt/247/mundo/121981/Papa-ataca-capitalismo-e-pede-renovação-da-Igreja.htm

Recomendados para você

Recomendados