4 de junho de 2026

Projeto que dizima Parque do Cocó incita discussão sobre mobilidade urbana

do Deustche Welle

Projeto de viadutos em Fortaleza incita debate sobre mobilidade urbana

Carlos Albuquerque

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Críticos dizem que Fortaleza está na contramão de metrópoles como Rio de Janeiro, que iniciou desmonte do Elevado da Perimetral. Para prefeitura cearense, é preciso desmitificar ideia de que não se fazem mais viadutos.

No Rio de Janeiro, tiveram início no último fim de semana as obras de demolição do Elevado da Perimetral, viaduto de vários quilômetros de extensão que interligava os principais entrocamentos viários da cidade.

Está marcada para 17 de novembro a implosão do elevado construído entre as décadas de 1950 e 1970 para aliviar o tráfego na metrópole. Ele dará lugar a duas vias urbanas interligadas por túneis e uma linha de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

O Rio de Janeiro segue, assim, a tendência de várias cidades do mundo, que substituíram antigos elevados por outras soluções de mobilidade urbana ou simplesmente por outros equipamentos urbanos, como parques, ou até mesmo a recuperação de antigos rios.

O debate em torno da substituição de viadutos por soluções como túneis, ocupa urbanistas e prefeituras em todo o Brasil. E talvez em nenhum outro lugar do país esse debate seja tão acirrado quanto em Fortaleza, onde a prefeitura decidiu construir um projeto de viadutos em região vizinha a uma reserva ecológica, num dos cruzamentos mais movimentados da capital cearense.

A discussão traz mais uma vez à tona o problema da mobilidade urbana no Brasil e a questão envolvendo a construção de viadutos e pontes versus a implantação de túneis, defendida por muitos urbanistas como correta para o futuro das cidades.

Elevado da Perimetral foi interditado para ser implodido

“Viadutos degeneram tecido urbano envoltório”

Em meados do ano, manifestantes ocuparam a área do Parque do Cocó, que havia sido desmatada pela prefeitura para a construção dos viadutos sobrepostos de 16 metros de altura. O grupo foi removido por determinação da Justiça. Houve conflitos com relatos de abuso de poder por parte da polícia. Em agosto, o Instituto de Arquitetos do Brasil se posicionou contra a construção dos viadutos no cruzamento entre as avenidas Engenheiro Santana Júnior e Antônio Sales.

Urbanista José Sales em palestra sobre mobilidade urbana na Federação das Indústrias do Ceará

O professor José Sales, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), é uma das vozes mais contundentes na defesa dos espaços verdes da cidade. Em entrevista à DW Brasil, ele explicou que o projeto do viaduto põe Fortaleza na contramão das grandes metrópoles, que estão substituindo seus viadutos e pontes em favor de outras soluções menos invasivas, como túneis. Segundo Sales, os viadutos, em geral, “são obras públicas que degeneram o tecido urbano envoltório. Toda grande cidade passou por isso, porque há 60, 70 anos, o grande mote eram melhorias no sistema viário que, em geral, se utilizavam de viadutos.”

José Sales mencionou o Elevado Costa e Silva, em São Paulo, “que é um viaduto de 3,5 quilômetros feito nos anos 1960 e que depauperou todo um contexto urbano envoltório: 3 mil prédios residenciais e comerciais passaram a conviver com o viaduto em altura. E aqui está se pretendendo fazer um duplo viaduto, um viaduto sobre o outro, exatamente numa área residencial de alta qualidade e numa zona comercial que é o corredor por onde trafegam veículos particulares e de transporte público”.

Cavalo de batalha

Indagado sobre os planos da prefeitura para o futuro da mobilidade urbana na cidade e sobre a polêmica em torno da construção dos viadutos, o secretário de Infraestrutura de Fortaleza, Samuel Dias, disse que a “celeuma que se criou em torno de uma obra é uma coisa bem mais política do que uma questão ecológica”. Na opinião do secretário, o que o preço das passagens de transporte público foi para São Paulo, a construção dos viadutos foi para Fortaleza. Esse foi o “cavalo de batalha” que se encontrou em Fortaleza para a fome de protestos que se instalou no país neste ano, afirmou.

Para secretário Samuel Dias, solução para entroncamento viário em si não resolve problema da mobilidade urbana

Segundo Dias, a construção de túneis para a região do polêmico entroncamento viário em Fortaleza iria encarecer em várias vezes a obra. “O túnel já é muito mais caro, cerca de três vezes mais caro do que um viaduto em condições normais.”

No caso específico, devido à situação topográfica da área, o túnel que substituiria um dos viadutos teria que ter 800 metros, enquanto o viaduto tem 300 metros de extensão, informou o secretário. “Então se ele é três vezes mais caro e tem um comprimento mais de duas vezes maior, ele é quase seis ou sete vezes mais caro do que o viaduto.”

Entre os motivos que levaram a prefeitura a optar pela construção dos viadutos, Dias mencionou ainda problemas com o cronograma da obra, que em vez de 14 meses levaria o dobro do tempo para estar pronta, e com o lençol freático, que é bastante alto no local, exigindo a implantação de bombas para garantir o estanque do túnel, além de comprometer a vegetação circundante. “Ali nós temos uma vegetação robusta, porque temos água no subsolo. Se a gente drena essa água, a vegetação iria sofrer muito com essa implantação.”

Elevado Presidente Costa e Silva (Minhocão) em São Paulo

Soluções tecnológicas

Para o professor de urbanismo da UFC José Sales, quanto ao argumento defendido pela prefeitura, “todos os riscos de alagamento são ficcionais, porque a tecnologia em todo o mundo permite isso. Por exemplo, no caso de Boston, um sistema de pontes foi substituído por um túnel que passa por debaixo do Rio Charles. Essa alegação de que os túneis alagam é uma conversa fantasmagórica. Se fosse assim o túnel do Canal da Mancha não existiria, porque ele tem um trajeto extremamente longo e é por baixo do próprio Canal.”

Segundo o urbanista, Boston foi uma das cidades que mais se transformaram em função da retirada dos viadutos. A cidade americana “tinha um sistema monstruoso de viadutos e pontes na área central, que inclusive atravessava o Rio Charles, que dá desembocadura ao Atlântico. E tudo isso foi retirado e colocado em posição subterrânea. Com isso, o centro de Boston ressurgiu, ressurgiram as margens do Rio Charles, e grande parte dessas margens se transformou num imenso parque público.”

O urbanista acrescentou que todas as cidades que optaram inicialmente pela construção de pontes e viadutos estão agora desmontando esses viadutos ou substituindo-os por outro tipo de solução. “Por exemplo, no Rio de Janeiro, que é uma das nossas maiores cidades, com 6 milhões de habitantes, um imenso viaduto de 5,5 quilômetros que se distribuía por toda a área portuária está sendo retirado, porque se pretende uma requalificação urbanística de toda a área portuária, em função dos próximos Jogos Olímpicos em 2016.”

Em Nova York, linha desativada de trens de carga foi transformada em parque

“Desmitificar ideia de que não se fazem mais viadutos”

Para o secretário de Infraestrutura de Fortaleza, no entanto, “é importante desmitificar a ideia criada por alguns urbanistas de que não se faz mais viaduto, de que as cidades estão destruindo seus viadutos para implantar túneis. Isso não é verdade. Isso acontece com grandes sistemas de viadutos elevados, que se chamam de elevados.”

Segundo Dias, o Elevado da Perimetral no Rio de Janeiro funcionou para a cidade durante muito tempo como válvula de escape para o trânsito. “Com a valorização imobiliária no Rio de Janeiro, como um todo, e no centro da cidade, o terreno onde fica o elevado passou a ter um valor comercial para a cidade e para o mercado imobiliário extremamente elevado, o que justificou um investimento de 3,5 bilhões de reais para se retirar o elevado e se construir dois túneis e um VLT, para poder compensar a retirada desse sistema elevado”, explicou.

Samuel Dias disse que, no caso do Rio de Janeiro, ao lado do elevado que está sendo retirado, está-se construindo outro, alargando os viadutos perto da rodoviária. “Então, não é que se deixe de construir viadutos. É que quando existe um sistema de elevados onde se pode fazer um investimento tremendo, um investimento brutal financeiro – 3,5 bilhões de reais para sete quilômetros de via – que tenha um retorno, faz-se.”

Em Boston, sistema de túneis permitiu preservação do Parque Esplanade

Futuro está no transporte público

Este poderia também ser o caso de Fortaleza, já que a área onde se estão construindo os polêmicos viadutos é uma das mais valorizadas da cidade, nas palavras do próprio secretário. “É um bairro rico, onde os terrenos no entorno do parque são muito valorizados e sofrem muita pressão imobiliária para a construção de novos empreendimentos lindeiros ao parque.”

Apesar de opiniões diametralmente divergentes sobre a construção ou não de viadutos na capital cearense, tanto Sales quanto Dias concordam que o futuro da mobilidade urbana está no transporte público.

Para o secretário Samuel Dias, a solução de um entroncamento viário em si não resolve o problema da mobilidade como um todo. “A grande solução, a grande contribuição da obra [a construção de viadutos no cruzamento em Fortaleza] é a possibilidade de implantação dos corredores de transporte público.”

Para o professor de urbanismo, por sua vez, “o futuro da mobilidade urbana é a opção única do futuro da mobilidade nas cidades: é transporte público de qualidade. O veículo individual continuará a ser usado, mas ele não será a opção única que se tem na cidade brasileira de hoje. A opção é transporte público de qualidade”.

 

DW.DE

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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13 Comentários
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  1. lucianohortencio

    13 de novembro de 2013 2:16 pm

    Parque Ecológico do Cocó

    https://jornalggn.com.br/blog/fortaleza-se-une-para-preservar-o-parque-ecologico-do-coco

     

  2. Eduardo BH

    13 de novembro de 2013 2:42 pm

    Enquanto isso, em Belo Horizonte…

    Aqui em Belo Horizonte também e assim. O prefeito reelegeu-se por ser “fazedor de obras”, por estar “obrando”… O viaduto acima, além de feio (em minha humilde opinião) é também de pouca utilidade (o congestionamento deslocou-se para dois quilômetros a frente)…

  3. Maria Luisa

    13 de novembro de 2013 3:11 pm

    Sempre achei que viadutos

    Sempre achei que viadutos enfeiam uma cidade. E também so a questão de sair mais caro, hoje, não convence da parte da prefeitura de ir na contramão do que se faz hoje no mundo em termos de urbanismo. Uma cidade bonita é uma cidade com “visual limpo”, com areas verdes, parques, canais, margens de rio ou porto acessiveis aos pedestres. 

  4. Afonso H. De Miranda

    13 de novembro de 2013 4:39 pm

    Fortaleza

    Querem transformar Fortaleza numa São Paulo bem piorada. Aliás, a elite e classe média alta da cidade imitam em tudo os paulistanos. Interessante observar que todas essas obras são próximas do Iguatemi, isto é, tem finalidade de melhorar o acesso ao shopping, pode ?Enquanto isso, o centro de Fortaleza é puro lixo, completamente abandonado, depauperado, esquecido por vários governos municipais e estaduais. Fortaleza é, inegavelmente, proporcionalmente, a cidade com maior número de mendigos, incluso centenas de crianças, e moradores de rua. 

  5. Athos

    13 de novembro de 2013 6:10 pm

    A  Falar sobre SP é chover no

    A  Falar sobre SP é chover no molhado.

    Tem como enfeiar o que ja é horrível? Então, tanto faz…fazer ou não viaduto em SP da no mesmo. Fica igual.

     

    Já Fortaleza não. É uma cidade belíssima.

    Mas… a questão é que viaduto é sempre muito mais barato.

    Acho que deve-se iniciar um bom debate, no campo do urbanismo, para definir a questão quanto a custos e soluções aos problemas apresentados.

    Quais as alternativas? E os custos? Se nãos e sabe, só pode fazer depois de saber.

    Sem politizar!!!!!!!

    Aqui no Rio o debate sobre urbanismo virou plataforma política. Se for por este caminho, o prefeito de lá deve passar por cima de todo mundo e fazer.

    Ou faz uma discussão séria ou então sai da frente.

    No Rio as pessoas não estão interessadas em discussão. Estão interessadas em ficar na frente.

    Se for pra ficar na frente, o prefeito eleito em primeiro turno com 65% dos votos tem mais é que passar por cima. E isso ele tem feito com muita competencia.

  6. YgorC.S.

    13 de novembro de 2013 6:54 pm

    Fortaleza se deixou ficar sem espaços públicos

    Fortaleza é uma cidade com grande “potencial paisagístico”, se assim pudermos expressar, e além disso muita coisa na cidade convida ao passeio, ao turismo e ao aproveitamento da cidade, mas a explosão da violência, a ocupação desenfreada do território (hoje é a capital mais densamente povoada do País, mais que SP inclusive) e o planejamento urbano destrutivo – uma espécie de desenvolvimentismo obcecado ainda com concreto, malha viária e abertura de espaço para a apropriação privada do território, e nada mais – ou simplesmente ausente têm acabado com a percepção positiva que os próprios moradores tinham da sua cidade e, crescentemente, também com a dos turistas. A isso se some a explosão da violência na cidade nos últimos 10 anos, que levou Fortaleza a figurar entre as 15 metrópoles mais perigosas do mundo em diversos estudos nos últimos tempos, e então se percebe o porquê do forte mal-estar que tomou conta da cidade nos últimos poucos anos, uma sensação de despertencimento à sua própria cidade e de que Fortaleza está perdendo o que tinha de bom sem sequer ganhar muito de desenvolvimento em troca.

    Nesse contexto, a briga pelo Cocó me pareceu apenas o “derrame” do caldo de vez, uma questão simbólica para um mal-estar já existente e que se avolumava há tempos. No mesmo ano de 2013, houve protestos, maiores – como o do Fortaleza Apavorada, com 10 mil pessoas em junho – e menores – como protestos de bairro no Mondubim, por exemplo – contra a negligência e até negação da crise de violência que assola a cidade. E, claro, houve os vários outros protestos mais relacionados à pauta das “jornadas de junho”, à exigência por melhores serviços públicos de educação, saúde e transporte, mas que aqui se juntaram muito com a pauta do modelo de crescimento da cidade extremamente desigual e particularista, que tem deixado pouquíssimo espaço para praças, áreas verdes, arborização e até os mais mínimos espaços públicos (frequentemente faltam até calçadas dignas do nome em áreas da cidade!). Isso está começando a indignar não só a classe pobre, mais usuária das coisas públicas, mas também a classe média – mesmo a média alta -, ressentida por não poder desfrutar sequer dos bairros bem localizados e valorizados onde vivem, até porque em boa parte deles o mesmo padrão de escassa arborização e escassez de espaços públicos dignos se repete apenas de forma menos trágica que na periferia.

    Quanto à questão do Cocó, uma equipe de arquitetos e outros especialistas em Fortaleza criou um projeto bastante interessante que está recebendo algum apoio popular, o do Circuito Cocó, como uma ideia mais abrangente do que fazer com aquela região, pensando no aspecto urbanístico, paisagístico e ambiental. Acho muito interessante:
    https://www.facebook.com/circuitococo?fref=ts

  7. Briguilino

    13 de novembro de 2013 7:06 pm

    Mobilidade urbana e a arte de se opor

    A começar pelo “dizima” que não tem nada a ver com a realidade e criticarem o governante por escolher o projeto mais em conta, acho graça do “envoltorio” – puro blablarina – , eu acho muito bonito viadutos.

    Portanto essa discussão como todas que os ambientalistas estão contra me fazem repetir a pergunta? Nos 8 milhões de m2 do país, mostre um lugar onde esses ecoxiitas concordam que qualquer obra – sem exceção – não será criticada por eles?

    Essa gente – na minha opinião – é parte de uma organização criminosa que exista apenas para atrapalhar o desenvolvimento do Brasil.

    http://blogdobriguilino.blogspot.com.br/

     

    1. YgorC.S.

      13 de novembro de 2013 9:26 pm

      Uma polêmica assim não se sustenta só num grupinho ecochato

      Bom, mas e quando boa parte da população também está contra e considera que isso é parte dum problema maior que exige um novo planejamento urbano? Enquetes tanto de O Povo como do Diário do Nordeste, os 2 maiores jornais cearenses, mostraram porcentuais acima de 80% de oposição aos viadutos planejados para serem construídos em Fortaleza. Aí deixa de ser uma mera questão de “ecochatos”.

  8. Silvio Torres

    13 de novembro de 2013 7:19 pm

    A foto de Belo Horizonte não

    A foto de Belo Horizonte não difere em nada de qualquer canto qualquer de São Paulo. É nisso que estão, a passos rápidos, transformando a outrora Cidade Jardim. 

    “Meu triste horizonte e destroçado amor” (CDA)

    Parabéns aos políticos, empresários e “elite” mineiros.

     

  9. jura

    14 de novembro de 2013 12:42 am

    A ponte Frias do Cocó Iguatemi

    [video:http://youtu.be/a1-8OlaQzmw%5D

  10. Marco St.

    14 de novembro de 2013 1:09 am

    Quando morei em Fortaleza

    Quando morei em Fortaleza (cruzamento da Eng Santana Jr c/ Santos Dumont) fui vítima de um viaduto que ergueram bem na frente da minha casa. Um horror total. Do outro lado da Av. havia um restaurante com a melhor carne de sol do planeta Terra, e depois da construlção do viaduto tudo se perdeu. O restaurante fechou e eu fui embora de Fortaleza.

    Viaduto é bom para os carros, péssimo para os pedestres, comércio  e moradores.

  11. Maria Carvalho

    14 de novembro de 2013 2:57 am

    O PSDB, na minha cidade

    enquanto governo, em 21 anos de mandato, tem feito um “excelente trabalho” de melhoria de tráfego: transforma três/quatro vias de pistas de uma ponte em uma e duas pistas numa avenida, respectivamente. Agora quer fazer um “túnel” ($$$$), na pricipal avenida da cidade, “desembocando em nada”…

  12. dias764

    14 de novembro de 2013 10:49 pm

    Não “dizima” nada.

    A obra do viaduto a ser construído próximo ao parque do cocó em Fortaleza não dizima nada. A intervenção viária, já prevista na lei viária do município, provoca um alargamento da via existente sobre a área do parque com 7m de largura por 250m de comprimento. Uma faixa lindeira de 0,18ha não poderia ser responsável por dizimar um parque de 1.155ha.

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