
Jornal GGN – Um estudo desenvolvido para a tese de doutorado do engenheiro elétrico Manuel Moreira Baptista resultou em um projeto que torna o ensino de química mais lúdico aos estudantes, facilitando a compreensão das reações entre elementos. O pesquisador criou animações em 3D que simulam o comportamento dos compostos químicos. A proposta está sendo tão bem aceita, que as 70 animações já produzidas geraram cerca de 1 milhão de visualizações no canal do YouTube, com acessos de 148 países, e mais de 360 mil downloads a partir do projeto.
“Não temos notícia de que exista outro estudo do gênero no mundo”, afirma o orientador do trabalho, o professor Pedro Faria dos Santos Filho, da Unicamp (universidade de Campinas). Santos dizque a chamada geração Y é mais imediatista do que as anteriores, tem o domínio de uma série de tecnologias e demonstra interesse por temas que possam estar diretamente relacionados à sua realidade e visão de mundo. “Ou seja, não dá mais para continuar ensinando como fazíamos no século passado. Se fizermos isso, o aluno sairá da sala ou dormirá na carteira”, diz Santos.
O trabalho de Manuel Moreira Baptista é pioneiro em comparação aos recursos pedagógicos disponíveis atualmente para o ensino da disciplina. Mesmo os digitais – até mesmo outras animações – são inadequados porque nem sempre estão de acordo com os conceitos científicos corretos. O mesmo vale para os materiais pedagógicos convencionais, como os livros, que podem até ser conceitualmente corretos, mas tendem a não conquistar os estudantes. “Se você sugerir que um aluno leia uma obra de 200 páginas para discuti-la uma semana depois, muito provavelmente ele sequer passará da capa”.
O trabalho consistiu em uma intensa pesquisa de conceitos para determinar códigos e símbolos como convenção para átomos e orbitais, além de outros conceitos inerentes à disciplina. “Ao mesmo tempo que aperfeiçoamos os conceitos que têm sido difundidos, criamos uma série de códigos e símbolos, e estabelecemos uma convenção de cores para átomos e orbitais, de modo a tornar o aprendizado de Química menos dúbio e mais prazeroso. Em última análise, o que fizemos foi criar, por meio das animações em 3D, uma nova linguagem com o objetivo de fazer com que o estudante se sinta estimulado e desafiado”, detalha o autor da tese.
Temas
As animações, até agora, abordaram os seguintes temas: Teoria do Orbital Atômico, distribuição eletrônica, hibridização, Teoria do Orbital Molecular, Teoria de Ligação de Valência, Teoria VSEPR, estruturas de Lewis, estruturas cristalinas dos compostos iônicos e metais (cela unitária, empacotamento e retículo cristalino), transformações químicas e polímeros. “Com esse tipo de recurso pedagógico o professor não precisa mais pedir para que o aluno imagine a reação química, pois ele está vendo em detalhes como ela acontece dinamicamente”, diz o professor Pedro Faria.
Apesar do empenho nos detalhes, nenhum dos envolvidos imaginava que as animações tomariam tamanha proporção de sucesso – inclusive internacional. Até agora, os acessos partem desde países mais desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá e Alemanha, até nações pouco desenvolvidas como Bangladesh, Moçambique e Haiti, dentre outras. Apenas países com internet controlada não visualizaram ou baixaram os vídeos, como China e Coreia do Norte.
Entre os países que mais visualizam as animações, estão os Estados Unidos, em primeiro lugar, seguidos de Índia e Brasil. Aqui, quase metade das visualizações (43%) são de pessoas acima de 55 anos, o que significa que professores em estágio adiantado de suas carreiras estão se servindo das animações. Já na Índia e Paquistão, 20% dos acessos são de jovens entre 13 e 17 anos – que é o grupo que corresponde a alunos dos ensinos fundamental e médio. Os dados de acesso e faixas etárias são do próprio YouTube.
Veja uma das animações desenvolvidas pelos pesquisadores:
http://www.youtube.com/watch?v=EGCBT3wbW1s width:420 height:315
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