
Jornal GGN – Em artigo publicado no Valor, os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Gabriel Galípolo analisam a chamada “Indústria 4.0” e a preocupação da Europa com a queda da contribuição relativa do setor na economia do continente.
Do Valor
Por Luiz G. Belluzzo e Gabriel Galípolo
Em resposta a esse declínio, a Comissão Europeia definiu como meta que em 2020 a manufatura deverá representar 20% do valor agregado na União Europeia, adotando como estratégia ajudar todos os setores industriais a explorarem novas tecnologias e manejarem a transição para o sistema industrial inteligente, a Indústria 4.0.
Também conhecida como a Internet Industrial das Coisas, a potencial “nova revolução industrial” incorpora a aprendizagem das máquinas e tecnologia de big data; a comunicação de máquina para máquina (M2M); tecnologias de automação; a aplicação de tecnologia da informação e comunicação (ICT) para digitalizar informação e integrar sistemas em todos os estágios de produção (inclusive logística e fornecedores), tanto dentro quanto fora da planta; sistemas cyberfísicos que usam ICT para monitorar e controlar processos com sensores incorporados; robôs inteligentes que podem se auto configurar para adequação ao produto; impressoras 3D; redes de comunicação sem fio e internet que servem máquinas conectadas; simulação, modelagem e virtualização no design de produtos e processos de manufatura; coleta e análise de uma vasta quantidade de dados, imediatamente no chão de fábrica ou por meio de análise de big data e computação na nuvem.
Máquinas inteligentes, mais precisas que humanos em capturar e comunicar dados, possibilitam às empresas a identificação antecipada de ineficiências e problemas, poupando tempo e dinheiro, com grande controle de qualidade, redução de perdas, rastreabilidade e supervisão da eficiência da cadeia de fornecedores.
ze sergio
1 de novembro de 2016 1:56 pma nova….
“Seria cômico se não fosse trágico”. A Europa preocupada com sua crescente desindustrialização e o Brasil sustentando a indústria decadente européia.( JFSP/ontem: Lucro de multinacionais explodem com novo dólar. Lucro do Santander no país é o maior do mundo) . País limitado é um país que se explica. Revolução 4.0? Nós ficaremos com as sobras.
ML
1 de novembro de 2016 2:12 pmPolítica industrial? Não é
Política industrial? Não é possível! Que atraso! A EU precisa urgentemente dos conselhos de um Meirelles e dos colunistas econômicos da Folha (exceção feita, é claro, à Laura… essa dinosauro que acredita em coisa ultrapassadas, como o Brasil, por exemplo).
drigoeira
1 de novembro de 2016 3:40 pmUm país que possui a taxa de juros selic lá no alto…
… e que o investidor ganha mais com ela do que investir numa industria de transformação. O Brasil permanecerá no atraso mundial. Ganhar mais nem sempre quer dizer em valores monetários e sim em aumentar um pouco o volume de dinheiro sentado no sofá em Dubai.
O problema do país é o juros…o capitalismo clássico não permite juros elevados.
Rui Ribeiro
2 de novembro de 2016 4:09 amSe baixar os juros, os dono do cascai vão produzir, não especula
Eles não dão murro em ponta de faca. Baixa juros, além de lucrar menos, vai fazer as pessoas investirem na produção, em vez de investirem na especulação. Mas aí nos industrializarimos a passariamos a exportar produtos industrializados, em vez de importá-los. Nesse caso, a quem eles venderiam seus produtos tecnológicos obsoletos, custando o zoi da cara.
Wilton Cardoso Moreira
1 de novembro de 2016 4:04 pmLink para o artigo completo
Este artigo é importante demais pra ficar restrito aos assinantes do Valor. Ele está publicado na íntegra no seguinte link:
https://docs.google.com/document/d/1dSI4dwOUZ-2Wy3qbzYf-cPR-1_KCJ8oFLXi51keTbFo/pub
Wilton Cardoso Moreira
1 de novembro de 2016 4:30 pmA economia real não vai empregar mais gente
O artigo fala da indústria, mas esta revolução tecnológica vai atingir também o setor de comércio e serviços, o maior empregador de mão de obra. Aliás, nos bancos já chegou há muito, com a internet e as máquinas de autoatendimento substituindo bancários.
A economia real não vai conseguir empregar todo mundo. Vai sobrar gente: serão os supéfluos que vivem/viverão de bicos e assistencialismo, próximos à míséria, drogas, prostituição e criminalidade. E a maior parte dos empregos que restar serão precários e/ou informais, com baixos salários. Isto significa que o mercado de consumo de massa vai minguar radicalmente.
Por sua vez, os custos de produção diminuirão tanto (aliás já estão muito baixos), que o lucro não compensará, mesmo que a produção seja imensa. Ou talvez compense para algumas empresas ganhadoras, mas do pondo de vista do lucro global, que interessa para a arrecadação dos estados, não vai compensar. Resultado: o estado não arrecadará o suficiente para prover o “bem estar social”. Aliás, fala-se em renda mínima, mas de onde virá a dinheirama necessária?
Por tudo isto, após o desatre da financeirização da economia, tentar um retorno à economia real não vai funcionar, simplesmente porque ela não vai dar mais lucro nem emprego. E nem haverá massa de consumidores com dinheiro para comprar mercadorias.
Paradoxo 1: o capitalismo ficou tão eficiente que os custos caíram a ponto de não haver mais lucro.
Paradoxo 2: há condições técnicas de satisfazer as necessidas de todas as pessoas do globo, com o mínimo de trabalho humano, mas como a reprodução social se dá apenas via capital e trabalho, quem está fora do mercado de trabalho (e será a maioria) viverá na miséria, como supléfuo.
Paradoxo 3: o homem é um animal racional e a razão diz que, havendo condições de satisfazer as necessidades de todos, não importando se trabalhem ou não, deve-se satisfazê-las. Mas ninguém quer nem pensar em discutir esta possibilidade “comunista”.
Rui Ribeiro
2 de novembro de 2016 1:12 amO capitalista extrairá mas não realizará a mais-valia
“Há um grande facto, característico deste nosso século XIX, um facto que nenhum partido ousa negar. Por um lado, despontaram para a vida forças industriais e científicas, de que nenhuma época da história humana anterior alguma vez tinha suspeitado. Por outro lado, existem sintomas de decadência que ultrapassam de longe os horrores registados nos últimos tempos do Império Romano.
Nos nossos dias, tudo parece prenhe do seu contrário. Observamos que maquinaria dotada do maravilhoso poder de encurtar e de fazer frutificar o trabalho humano o leva à fome e a um excesso de trabalho. As novas fontes de riqueza transformam-se, por estranho e misterioso encantamento, em fontes de carência. Os triunfos da arte parecem ser comprados à custa da perda do carácter. Ao mesmo ritmo que a humanidade domina a natureza, o homem parece tornar-se escravo de outros homens ou da sua própria infâmia. Mesmo a luz pura da ciência parece incapaz de brilhar a não ser sobre o fundo escuro da ignorância. Todo o nosso engenho e progresso parecem resultar na dotação das forças materiais com vida intelectual e na redução embrutecedora da vida humana a uma força material. Este antagonismo entre a indústria e a ciência modernas, por um lado, e a miséria e a dissolução modernas, por outro; este antagonismo entre as forças produtivas e as relações sociais da nossa época é um facto palpável, esmagador, e que não é para ser controvertido. Alguns partidos podem lamentar-se disso; outros podem desejar ver-se livres das artes modernas, a fim de se verem livres dos conflitos modernos. Ou podem imaginar que tão assinalável progresso na indústria requer que seja completado por uma igualmente assinalável regressão na política. Pela nossa parte, não nos engana a forma do espírito astucioso que continua a marcar todas estas contradições. Sabemos que, para trabalharem bem, as novas forças da sociedade apenas precisam de ser dominadas por novos homens – e os operários são esses [novos homens]…” Karl Marx
“”O preconceito da escravatura dominava o espírito de Pitágoras e de Aristóteles“, escreveu-se desdenhosamente; e no entanto Aristóteles previa que “se cada utensílio pudesse executar sem intimação, ou então por si só, a sua função própria, tal como as obras-primas de Dédalo se moviam por si mesmas ou tal como os tripés de Vulcano que se punham espontaneamente ao seu trabalho sagrado; se, por exemplo, as lançadeiras dos tecelões tecessem por si próprias, o chefe de oficina já não teria necessidade de ajudantes, nem o senhor de escravos”.
O sonho de Aristóteles é a nossa realidade. As nossas máquinas a vapor, com membros de aço, infatigáveis, de maravilhosa e inesgotável fecundidade, realizam por si próprias docilmente o seu trabalho sagrado; e, no entanto, o gênio dos grandes filósofos do capitalismo continua a ser dominado pelo preconceito do salariado, a pior das escravaturas. Ainda não compreendem que a máquina é o redentor da humanidade, o Deus que resgatará o homem das sórdidas artes e do trabalho assalariado, o Deus que lhe dará tempos livres e a liberdade.” Paul Lafargue – Direito à Preguiça
Rui Ribeiro
2 de novembro de 2016 3:41 amForças produtivas dinamicas aprisionadas por relações petrificad
Esse avanço meraviglioso das forças produtivas se transformam em forças destrutívas se não se libertarem da estreita concha que as aprisiona. A tendencia, pelo andar da carruagem, é a maioria esmagadora da sociedade chegar ao ponto de ser sustentada pelo capitalista, em vez de sustentá-lo. É o desemprego estrutural muito estúpido. Pessoas sensatas reduziriam a jornada de trabalho, sem prejuízo do emprego e do salário. Não é só de uma renda mínima que o homem precisa. ele precisa também de uma ocupação de forma a contribuir com a sociedade, em vez de sentir-se como o sugão Aécio das Brancas de Neve. Pode ser plantar árvores nas margens dos rios para prevenir o assoreamento.