10 de junho de 2026

A divisão dos recursos federais e a sua injusta distribuição

A divisão dos recursos federais e a sua injusta distribuição. 

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Dos 722 bilhões R$ recolhidos (2012) em impostos federais pelos estados apenas 250 bilhões R$ são transferidos da união para os estados, a união subtrai 476 bilhões R$.

Cada carioca paga anualmente para a união 7526 R$ em impostos federais, cada gaúcho 1984 R$, já um morador do DF 20, 720 R$, em contrapartida um cidadão de Roraima recebe  3.890 R$.

Na tabela abaixo vemos que o Rio grande do Sul arrecada 32 bilhões R$ e recebe em transferências da união apenas 10 bilhões em 2012 (em 2011 11 bilhões) uma diferença de 22 bilhões R$, para se ter uma idéia do que isso representa para o Rio Grande do Sul, o orçamento do estado que é tudo que o governo gastou e arrecadou em 2012 foi de 40 bilhões, a perda de impostos para a união corresponde  então em  50 % do orçamento. 

A mesma situação se repete em outros estados, Santa Catarina fica com apenas um quarto dos recursos, São Paulo nem 10% do que arrecada retorna ao estado.

Este quadro é o resultado de como é formado o nosso estado federativo, que se comporta como estado único no gerenciamento dos recursos, mas nas atribuições é uma federação sem autonomia econômica.

70% dos impostos estão nas mãos da união e 30% nos estados e municípios e nas obrigações de Estado se inverte, ficando a cargo dos estados e municípios apesar de poucos recursos e autonomia econômica para suprir as demandas dos seus cidadãos.

Pode se argumentar que, por exemplo, o DF não tem indústrias e a sua elevada arrecadação se deve ao fato do DF possuir sedes de empresas estatais e a forma de contabilizar os impostos gera esta distorção, mais um motivo que põem em xeque a nossa federação.  

Um sistema federativo onde os entes federados não têm autonomia econômica, e consequentemente política e administrativa, e ao mesmo tempo lhe são cobrados os serviços de Estado, senão é a maior, figura entre os maiores problemas que a nossa nação deve superar.

A forma injusta, sem transparência de como os recursos do estado brasileiro é aplicada produz grandes desigualdades entre os entes federados, esta falta de clareza da aplicação dos recursos produz um clima de desconfiança e desunião na federação. 

 

A fonte de informação receita federal e portal da transparência.

http://migre.me/gv5t5  

http://migre.me/gv5vq

Só um aparte sobre o Rio Grande do Sul em nove anos, 2004 a 2012, as perdas para a união, ou seja, a diferença do que se arrecada e as transferências ficam em torno de 127 bilhões R$, mais da metade do PIB gaúcho perdido em nove anos.

 

Apesar de contribuir para a federação, hoje o estado é devedor da união com uma divida que em 1996 era de 7,5 bilhões R$, pagamos 16 bilhões R$ e apesar de do pagamento em dia, hoje estamos devendo 47 bilhões R$.

O Rio grande do Sul “sangra” 20 bilhões R$ por ano e ainda deve 47 bilhões que consome 13% da arrecadação de impostos estaduais.

Em entrevista para um jornal o atual governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro confirma a má situação fiscal do estado.  http://migre.me/gv5pT

Tarso-”Será necessário encontrar uma forma para que se reduzam os repasses desses Estados para a União. Temos uma questão estrutural no nosso caso. O Rio Grande do Sul foi o mais prejudicado por todos os ajustes macroeconômicos pelos quais o país passou, inclusive porque a nossa dívida, na época em que foi negociada, já era brutal. A renegociação (de 1998) foi feita em condições leoninas. Desde então, o Rio Grande do Sul é uma grande fonte de subsídio do Tesouro Nacional. Isso não é culpa do governo atual nem do anterior. É um processo de distorção que ocorreu desde o momento em que a dívida foi negociada.”

Tarso – Vamos usar os depósitos judiciais (500 milhões dos precatórios) sempre que necessário. E o Estado vai continuar no vermelho. Tem de continuar. Do contrário, o Estado para.

 

A origem da divida. Vale lembrar que, principalmente entre as décadas de 1970 e 80, o Rio Grande encontrou, no processo de endividamento, a forma de expandir seu desenvolvimento econômico, diferentemente do que ocorreu em outros estados, onde os investimentos em infra-estrutura foram financiados por meio de recursos da União.

O problema da divida publica gaúcha não vem de hoje, pode se retroceder 50 anos e ela já estava em pauta, basicamente os governadores são gerenciadores de divida e não de programas de governo.

Jornal Zero Hora de 1991

 

Apesar da injusta divisão dos recursos da união já justificar a péssima situação fiscal e econômica do estado do Rio Grande do Sul, o estado tem um agravante, a questão cultural.

Os gaúchos mesmo quando tem o direito legítimo de reinvidicar os recursos que são seus, o orgulho regional  impede que mesmo que necessite e tenha direito, o gaúcho se recusa a aceitar qualquer ajuda da união.

O povo gaúcho aprendeu há muito tempo a se virar sozinho sem ajuda do resto do país, mesmo porque nunca veio nada mesmo, e se recusa hoje a reinvidicar o que é seu por direito.

Existe um longo caminho a ser percorrido para mudar esta cultura, e mostrar para o povo gaúcho e ao resto dos estados como estes são prejudicados pela forma com que as coisas são feitas hoje na federação, da forma injusta da distribuição dos recursos, da sua forma pouco transparente, a pouca subsidiariedade do estado  brasileiro. 

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16 Comentários
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  1. JB Costa

    2 de novembro de 2013 11:33 am

    Parece-me, à vista do contido

    Parece-me, à vista do contido neste post, que as “férias” que o Aliança Liberal tirou do blog em vez de bem fizeram mesmo foi embaralhar sua cabeça. 

    Todo, todo o texto, do nosso querido Liberal fica anulado quando se constata a leitura totalmente equivocada do artigo 157 da Constituição.

    Se formado em Direito, o nosso amigo decerto “pescou” na cadeira de hermenêutica(se é que existe). O que REZA efetivamente o artigo 157, integrante da secção IV DA REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS? Simplesmente que o imposto sobre as rendas(este de propriedade da União, conforme se verá na sequência) e proventos de qualquer natureza, incidentes na fonte,  (atenção para o que se segue) SOBRE RENDIMENTOS PAGOS, A QUALQUER TÍTULO, POR ELES, SUAS AUTARQUIAS, E PELAS FUNDAÇÕES QUE INSTITUIREM E MANTIVEREM. 

    Ou seja, o que é devido aos estados é somente o imposto de renda que incide sobre as rendimentos pagos por eles, a exemplo da massa salarial de seus servidores. E não, como pretende o Sr. Aliança, todo o Imposto de Renda, este de propriedade da União conforme se constata pela leitura do Artigo 153, item III.

    Deixo para outra oportunidade o regionalismo boboca(alguns chamam de “gauchismo) e a forma primária de analisar uma questão complex como essa que diz respeito ao pacto federativo.

    Antecipo apenas que somos uma NAÇÃO, não uma Confederação. Partilhamos da mesma história e do mesmo destino. Nenhum unidade pode se arvorar melhor que as outras. Normalmente nessas análises o alvo não é declarado. Mas faço isso agora: é o NORDESTE. Sempre tido e havido como sugador dos recursos dos estados “produtores”.

    Uma mentira deslavada!Mas demonstrar prescinde um texto longo e mais analítico.  

    Outro erro crasso foi imputar ao IR o maior volume de recursos arrecadados. Essa primazia é do ICMS, imposto arrecadado pelos estados e que mais pesam no bolso do contribuinte. 

    1. Mauro Silva 1

      2 de novembro de 2013 12:27 pm

      misturou alhos e bugalhos

      jb

      de fato, o autor ‘pefelê’ misturou tudo, numa conta simplista e rasa, para justificar o usual mantra liberal-pefelê em favor do “estado mínimo” e sem função social.

      faltou ‘apenas’ a ele falar das outras formas de reversões, isto é, a parte submersa do iceberg, mas essa tarefa complicada fica para outras cabeças.

      em verdade, o certo seria nem ler tanta bobagem previsível, a considerar o autor, quanto mais comentá-la.

      enfim, perdemos tempo.

      1. aliancaliberal

        2 de novembro de 2013 4:45 pm

        Não tem nada escrito sobre

        Não tem nada escrito sobre estado minimo ou máximo apenas criticas em parte equivocadas do federalismo brasileiro pela minha má interpretação do at 157 da constituição,

        Pelo contrário, o texto reinvindica mais recursos para os estados para cumprir suas funções. 

    2. Robson Lopes

      2 de novembro de 2013 1:27 pm

      Excelente resposta

      Era isso que eu iria responder, ele precisa rever seu conceito de Nação, está confundindo isso com bairrismo, regionalismo ou seja lá o que for.

    3. aliancaliberal

      2 de novembro de 2013 4:40 pm

      ” fica anulado quando se

      ” fica anulado quando se constata a leitura totalmente equivocada do artigo 157 da Constituição.”

      Sim, a unica coisa que sobra e a reinvidação da revisão do pacto federativo e a redistribuição de atribuições e autonomia dos estados.

      Agradeço o seu esclarecimento de forma educada e nobre, não é sem motivo o meu apreço por sua pessoa.

      1. Mardone

        2 de novembro de 2013 7:21 pm

        Doubt

        Aliança,

        Que bom que você reconheceu o erro. O problema é que textos assim são replicados para outros lugares e blogs, e nem sempre encontram-se disponívels JB Costa’s da vida para, num feriado, ter paciência de ler um texto desses e econtrar elementos para desfazê-lo. E aí o mal é feito e pronto. Lembrou-me aquela fantástica cena do sermão do Padre Flynn, abaixo, sobre a fofoca (embora no seu caso não tenha sido isto, mas dá quase no mesmo).

        [video:http://www.youtube.com/watch?v=1OwpGUI-TAI%5D

         

        1. aliancaliberal

          4 de novembro de 2013 2:52 pm

          Retirei o trecho onde errei

          Retirei o trecho onde errei sobre o entendimento da constituição.

          O artigo 157 da constituição diz:

          Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal:

          I – o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem.

          A arrecadação de impostos federais pertence aos estados.

  2. raul soares

    2 de novembro de 2013 1:26 pm

     
    Voltemos na historia

     

    Voltemos na historia economica e social do Brasil 100 anos e estes argumentos caem por terra!

    Sao uns mal agradecidos e nao compreendem a dimensao desta nacao!!!

  3. Mardone

    2 de novembro de 2013 2:59 pm

    Minorias

    Felizmente pensamentos assim ainda são minoritários e dificilmente vencem eleições.

  4. ed.

    2 de novembro de 2013 5:07 pm

    Jivai, Jivolta: O Imposto Bumerangue

    Tenho um amigo miRdeclasse que costuma dizer:

    “Que se dane, porr@, eu quero é que os “meus” impostos voltem pra mim, ¢@r@£#º!… Sou eu que pago!”

    Ao que eu retruco:

    “Que desperdicio de tempo, esforço e custo mais besta, esse do seu dinheiro sair do seu bolso, rodar pelaí e voltar pro seu bolso, né? …Deixa logo contigo, nemêz?”…

    “ISSO!”

    1. aliancaliberal

      2 de novembro de 2013 5:39 pm

      Este é o mito do “estado me

      Este é o mito do “estado me deve algo”, eu tenho x direitos.

      Quem não quer participar de uma pilhagem afinal dinheiro não tem carimbo.

      Se a origem do dinheiro é o confisco da renda dos mais pobres, isso não importa, o que importa e o meu.

      Esta e a moral estatista.

      1. ed.

        3 de novembro de 2013 2:06 am

        Xovê sentendi …
        Hmmm …

        Xovê sentendi …

        Hmmm … mito … deve algo … x direitos … origem … confisco … pobres … meu … moral estatista…

        Mais um pouco  de … hmmm …

        Não, num intendi!

  5. Erick Matos

    2 de julho de 2015 2:18 am

    Distribuição de recurços da união

    Moro no estado mais Roubado pelo governo federal, 262 bilhões de prejuizo por ano. Nós paulistas tiramos férias uma vez no ano, não temos carnaval fora de época, micareta e ai vai…

    ´Trabalhamos 6 ou 7 dias por semana. Não curtimos praia todo final de tarde. Muitos tem 2 empregos e ainda fazem horas extras.

    Poque temos que trabalhar tanto para manter populações que não se esforção?

     

    1. Rafael Cavalcante Paulino

      28 de outubro de 2016 7:30 pm

      Todo lugar é assim

      Olha. Vem fazer uma visita aqui em Campina Grande, Paraíba.

      A praia mais próxima fica a 120km, muita gente tem dois empregos e a maiorria trabalha na mesma faixa dai. A diferença maior é que aqui o trânsito é menor e consequentemente o trabalhador tem mais tempo em casa, não porque trabalha menos mas porque demora menos tempo no trânsito.

      Eu entendo que São Paulo seja realmente muito rica mas isso só acontece porque São Paulo produz o que todo o resto compra. Na hora de falar da diferença ninguém lembra que pra São Paulo ficar rica tendo uma industria massiva, o resto tem que comprar a produção dessa industria. Isso transfere o dinheiro do resto do país pra São Paulo.

      Então essas grandes diferenças não existem. É apenas imaginação, uma maneira de tentar ficar mais confortável com a ideia de que a situação tá feia pra todo mundo.

  6. luiz garim

    18 de dezembro de 2015 12:54 pm

    E os tributos repassados pela

    E os tributos repassados pela União aos Municípios? Eles foram considerados na tua análise?

  7. Diego Alvarez

    31 de janeiro de 2016 11:53 am

    Precisamos brigar por estados

    Precisamos brigar por estados confederados, cada um dono do seu nariz. Ficaria melhor para fiscalizar as arrecadações e os gastos dos estados. E muito politico ia sair do acomodismo que hoje se encontra, teriam que gerar mais empregos e assim mais impostos para poder pagar os seus salarios, ai eu queria ver da onde esses politicos iam roubar, como por exemplo o estado do amapá, que o roubo dos politicos é totalmente descarado. Todos os estados são ricos e tem condições de andar com as proprias pernas.Quem poderia fazer tal mudança? Como um politico vai apoiar algo que vai o prejudicar no futuro? Viramos refens desses politicos, eles estão em todos os lugar e controlando tudo. Viramos marionetes!

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