4 de junho de 2026

Oscilações econômicas não devem afetar crescimento na Ásia em 2013

Jornal GGN – Na mesma semana em que a Europa “comemora” números modestos de recuperação, após cinco anos em recessão, os países da Ásia parecem estar em alerta máximo em relação crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2013. A China, por exemplo, lançou na sexta-feira (25) uma nova taxa referencial de empréstimos, em mais um passo para permitir que o mercado estabeleça melhor o custo de financiamento, reduzindo distorções que levaram a investimentos excessivos e à supercapacidade, que agora estão pesando sobre a segunda maior economia do mundo.

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O país mantém um teto sobre as taxas de depósito, visto como a medida mais crítica que Pequim precisa retirar para deixar as forças do mercado assumirem e inserir mais competitividade ao setor bancário, dominado por grandes instituições estatais. A reforma da taxa é parte de uma agenda de reformas mais ampla que a nova liderança da China deve traçar em importante reunião de política no próximo mês, prometendo redirecionar a economia de sua dependência do investimento alimentado por dívida, para um modelo mais equilibrado e mais conduzido por consumo, serviços e inovação.
Já o crescimento das exportações do Japão ficou muito abaixo do previsto em setembro, segundo dados divulgados nesta semana. Elas avançaram 11,5% em setembro na comparação com o ano anterior. No entanto, o número é inferior à estimativa dos 15,6% estimados pelo mercado e fica abaixo dos 14,6% registrados na mediana de agosto deste ano. Segundo especialistas, este pode ser um sinal de que a demanda fraca na Ásia está diminuindo os efeitos das políticas de estímulo do governo e obscurecendo as perspectivas para a recuperação econômica. Para eles, o recuo no volume de exportação pode ofuscar o impulso dado pelo iene desvalorizado, o que deveria dar vantagem competitiva para os bens japoneses no exterior.
Onda temporária

A demanda externa pode cortar o desempenho econômico do país no terceiro trimestre. Apesar dos números ruins da balança comercial, o presidente do Banco Central do Japão, Haruhiko Kuroda, disse que a economia vai continuar se recuperando por conta de sua demanda doméstica robusta. Segundo Kuroda, o país alcançará a meta de inflação de 2% prevista anteriormente. Impossível não notar a desaceleração expressiva nas exportações para a Ásia, que cresceram apenas 8,2% em setembro, depois de aumentarem 13,5% em agosto. Um verdadeiro balde de água gelada no otimismo de autoridades e economistas em relação à retomada do crescimento asiático.

Defensora da teoria de que a Ásia, no longo prazo, deve superar os EUA (Estados Unidos) em crescimento e influência econômica, a professora da Escola de Administração da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Celina Ramalho, afirma que a onda de falta de confiança é temporária. “Toda a economia mundial está sendo prejudicada com os rumores da problemática da política norte-americana. Quando o congresso aprova o aumento da dívida, o otimismo aumenta de novo. Mas onde vai parar essa bolha? O que acontece nos Estados Unidos é ponto-chave pra economia mundial. Países asiáticos não estão fora disso, e a China, maior credora, é a mais afetada”.
 
Para Celina, no longo prazo, a Ásia deve se recuperar dos choques da crise, especialmente pelo caráter temporário da solução nos EUA. “É uma espécie de sobrevivência até fevereiro. No entanto, acredito que a China vai conseguir andar com suas próprias pernas, a tendência deve ser essa”, explica. A professora explica que a economia americana, que enfrenta problemas também por conta da crise da paralisação do governo, não tem mais o folego para suportar as exportações. “O desaquecimento da economia não absorve mais os produtos. E a China, por sua vez, maior credora dos títulos do tesouro americano, balança a cada crise financeira. É natural e não deve afetar os resultados”. 
 
Índia e Indonésia, segundo Celina, possuem padrões de desenvolvimento diferentes. “Alguns números favoráveis já foram apresentados, mas não tanto como a China. A expansão pode acontecer, mas não agora. Mentalidade de progresso é muito diferente, distribuição de castas, a população questiona o direito de melhorar e ascender socialmente, o que é importante para o crescimento do país”. Celina também não vê problema no aperto da politica monetária. “A economia interna tem fôlego para segurar a  situação complicada do crédito, desde que seja calculado o risco. Não existe perigo de inadimplência da classe consumidora, ela está bem estabelecida”.
 
“A situação não deve causar ruptura grande no momento, só a médio e longo prazo. Os Estados Unidos vão tentar manter essa situação até que algum comando externo seja dado, uma reunião de países em desenvolvimento e uma força supranacional, seja via OMC [Organização Mundial de Comércio] ou Banco Mundial, para dar um basta nesta situação”, arremata Pedro Galdi, da Consultoria SLW. Para os especialistas, o crescimento da China deve ser mantido entre 7 ou 7,5%.
 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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