Sugerido por Webster Franklin
Carta Maior
Novo mesmo, na política nacional, seria alguém falar, como o Nobel de Economia, Robert Schiller, em aumentar o imposto dos ricos.
Paulo Nogueira
No mundo inteiro se consolida a ideia de que o maior desafio para os próximos anos, em escala planetária, é o combate à desigualdade social.
Nos últimos 30 anos, sob o impulso de Reagan num lado do Atlântico e Thatcher no outro, o chamado “1%”, para usar a expressão consagrada pelo movimento Ocupe Wall St, foi objeto de um favorecimento amplo, abjeto e descarado.
Os protestos que se espalharam globo afora nos últimos anos foram um potente, severo, claro sinal de que os “99%” chegaram ao limite da paciência. Não há iniquidade que possa perdurar indefinidamente sem choques sociais ao fim dos quais – para lembrarmos um caso exemplar, o da França de 1789 – cabeças privilegiadas podem terminar de olhos esbugalhados num cesto.
O Nobel da Economia de 2013, Robert Schiller, falou disso recentemente. Schiller disse temer pela escalada mundial da desigualdade no futuro, e afirmou esperar que os governos ajam quanto antes para evitar isso. Basicamente, aumentando o imposto dos ricos. “Não para que os ricos não fiquem ricos”, disse ele, “mas para que as coisas não se tornem malucas demais.”
Bem, enquanto isso, no Brasil, onde este tema – o da desigualdade – deveria estar no topo do topo da agenda nacional, dada a magnitude da iniquidade nacional, os pretensos candidatos à presidência em 2014 passam ao largo do debate como se vivessem na Escandinávia.
É desanimador, visto que falar, falar e ainda falar no horror da desigualdade é vital para que se firme um consenso na sociedade de que é preciso dar um basta – e rápido – a ela.
Recentemente, Serra listou num artigo oito desafios para o futuro presidente, ou presidenta. E conseguiu não incluir a desigualdade entre eles. Vê-se, por aí, a formidável desconexão entre Serra – e o PSSB – e a realidade como ela é.
Considere agora Marina. Quantas vezes, desde que foi anunciada a aliança com Eduardo Campos, ela usou o jogo de palavra “programático e pragmático” – algo que, a rigor, não significa nada? E na questão da iniquidade, quanto ela tocou? E em aumentar o imposto dos ricos?
Não adianta falar em “nova política”, como Marina vem fazendo, à base de embalagens e frases feitas – mas sem conteúdo, sem ideias que façam pensar.
Recentemente, passou pelo Brasil um ex-prefeito inovador de Bogotá, Enrique Peñalosa. Você ouve Peñalosa e diz: “Esse cara tem ideias”. No campo da mobilidade urbana, por exemplo, Peñalosa tem a seguinte definição: “Um ônibus com 100 pessoas que passe por um carro engarrafado é democracia.” Um conceito simples como este pode promover uma revolução em mobilidade urbana – o que de fato aconteceu sob Peñalosa em Bogotá.
O novo não é novo porque alguém diz que é novo. Não basta falar. O novo é novo porque, no campo das coisas concretas, rompe com o velho.
Os protestos de junho mostraram que os brasileiros querem algo novo na política, capaz de transformar o Brasil numa sociedade justa em regime de urgência.
Houve avanços nos últimos dez anos, sob o PT? Claro. Mas a baixa velocidade desses avanços está dramaticamente exposta em coisas como o tratamento dispensado aos índios, a forma como casas de pobres foram removidas para obras da Copa e o desaparecimento de tantos Amarildos.
Novo mesmo, na política nacional, seria alguém falar, como o Nobel Schiller, em aumentar o imposto dos ricos – tanto mais num país em que a Globo é flagrada numa sonegação documentada e bilionária, relativa à compra dos direitos da Copa de 2002, e nada acontece.
Enquanto alguém não disser isso, teremos a velha política, e com ela velhos privilégios – mesmo que os candidatos a chamem, numa jogada de marketing, de nova política.
(*) Paulo Nogueira é editor do site Diário do Centro do Mundo.
Lionel Rupaud
18 de outubro de 2013 2:44 pmAí acho que não vai dar!
Com o A. Lara Rezende no comando económico (e portanto o comando de fato) do tal “novo na política”, vai ser dificíl.
Inclusive terá o risco do tal “novo na política” apresentar na ONU uma moção para incluir o direito fundamental á contas em paraisos fiscais na Declaração dos Direitos do Homem.
Que marravilha…
Assis Ribeiro
18 de outubro de 2013 2:45 pmE a chiada?
Bastou Haddad aumentar de forma escalonada, cobrando mais dos mais ricos, para a chiadeira alcançar a todos.
Gunter Zibell - SP
18 de outubro de 2013 10:30 pmPaulo Nogueira tem toda a razão
Temos que modernizar o país. Por um lado a legislação, que ainda é muito anitssecularista e defensora de um exagerado Estado Penal vingativo (o que tem inspiração religiosa também.)
E no campo sócio-econômico, dadas as evidências de ‘cobertor curto’ do orçamento e as limitações pelo fim do boom de preços de commodities, é claro que é necessário se realizar o quanto antes uma reforma tributária. Não apenas gravando mais os mais ricos, mas devolvendo alguma isonomia entre setores. Agricultura e comércio são subtributados, indústria é supertributada.
O resto é discurso para brasileiro ver, fingir que se muda algo para não mudar nada.
Paulo Henrique Tavares
19 de outubro de 2013 11:16 amTípico discurso sabonete, não
Típico discurso sabonete, não diz nada, mas quer deixar claro que tudo continue do jeito que está.
Você fala do Estado Penal vingativo, mas isso é para os pobres e negros, vindo de uma classe média corrupta, que está a salvo de qualquer punição. Aliás, você vive ameaçando todo mundo que vai denunciar em órgãos do Estado Penal vingativo que está a serviço dos ricos (ou seja, você), sem contar teus sistemáticos pitis de que todo mundo ou é homófico ou é antissemita, claro tem também os supostos defensores do fascista do Putin.
Quando chegou na questão tributária, o de sempre, tem que ter reforma tributária (que teus pares, representantes dos ricos, nunca vão fazer) que é injusto, que existem setores sobrecarregados, que precisa fazer justiça, típico discurso de rico que quer ainda mais privilégio. Você não engana ninguém.
Motta Araujo
19 de outubro de 2013 1:05 amO aumento do IPTU é
O aumento do IPTU é completamente irracional.
1. Valor de imovel onde se mora e não está a venda não é referencial de tributação. Uma familia mora em uma casa há 50 anos, a casa não vai ser vendida, não está a venda, a renda dos moradores, hoje aposentados é decrescente, qual a logica de aumentar o imposto porque virtualmente o imovel vale mais? Se ele não vai ser vendido os moradores só tem a renda para viver e pagar o imposto, não é legitimo taxa-los mais porque só tem a renda da aposentadoria decrescente, o valor do imovel por si só não produz renda. Grande parte dos imoveis residenciais de SP pertencem a aposentados de pouca renda mas que tem o direito de morar na casa onde viveram toda sua vida.
2.È ilogico um milhão e 300 mil proprietarios NÃO PAGAREM NADA pela isenção. Quem mora em qualquer imovel BEBE CERVEJA, compra shampoos e sabonetes, tem TV. Não pode pagar ao menos 100 reais POR ANO? Nada pode ser 100% de graça, pode haver um subsidio mas porque TOTALMENTE ISENTO? Não paga nada, nem um centavo?
Esses isentos usam a Prefeitura, usam a rua porque os outros tem que pagar tudo por eles? Está conceitualmente errado, a Prefeitura pode cobrar pouco mas alguma coisa o dono de imovel tem que pagar, ele não toma pinga de graça.
3.É um mito achar que todos os imoveis residenciais estão subavaliados (Valor Venal), muitos estão SUPER AVALIADOS porque depois da estabilização da moeda essa subaliação do Valor Venal acabou. As plantas genericas de valores criaram muitas situações irreais, há imoveis em zonas ruins dentro de bairros bons que não valem nem metade da avaliação da Prefeitura, que usa o mesmo valor por metro para um bairro inteiro. Uma rua bonita e arborizada na Lapa pode valer mais e outro em rua suja e com estacionamento de caminhões pode valor metade, as plantas genericas EQUALIZAM valores mas há enormes variações dentro do mesmo bairro.
Aumentos ACIMA da inflação são ideologicos, punir os supostamente ricos para beneficiar o “pobres” teoricos.
Paulo Henrique Tavares
19 de outubro de 2013 11:23 amInteresante é que a máscara
Interesante é que a máscara dos pseudos esquerdistas caem rápido.
O novo é exatamente cobrar mais dos ricos e menos dos pobres. A prefeita Marta já havia introduzido esta política. Não foi reeleita, exatamente, entre outras coisas, por ser a Martaxa.
O Haddad está trazendo isso de maneira muito tímida, ainda assim os ricos não perdoam.
Tem um senhor que atende pelo nome de Amir Khair, que vive escrevendo da injustiça tributária no Brasil, vive dando palpites, sendo entrevistado pela grande mídia.Foi o Haddad tentar corrigir o IPTU, o cara vem dizer que é um absurdo.
Ou seja, a esquerda tem que ficar esperta com oportunistas direitosos, egoístas, entre outros adjetivos, que se aproximam da esquerda apenas para tirar proveito próprio ou para seu grupo étnico, religioso, empresarial, etc.
Aqui no blog, tem uns 3 ou 4, que é o projeto de direitosos travestidos de progressistas mais bem acabado, um deles, é “ativista” da causa gay.