Por jns
Comentário ao post “Literatura e viagem“
Toni Francisco,
O seu rico depoimento me fez recordar de um velho amigo, o Sr. Geraldão, falecido, que cuidava do meu terreninho (um montinho de ciscos) em uma região rural vizinha da minha cidade.
Ele foi tropeiro e viajava em comitivas que se transformavam em grandes epopeias, vencidas ao longo de vários dias de trote, nas idas e vindas, percorrendo cerca de 120 km, para transportar sal, utensílios & fardamentos, montado sobre burros e mulas, entre as cidades de Caratinga e Governador Valadares, no interior das Gerais.
Nas fases da lua cheia – sabedor que ‘os mais velhos’ estavam sentados nas varandas para contar causos curiosos e revirar o passado heroico que me fascinava – deixava a minha casa na cidade e ia prá roça ouvir os contos fascinantes surgidos da tradição oral que me transportava em uma viagem mitológica como ocorria ao ler os compêndios que reuniam ‘As Mais Belas Histórias’, de Lúcia Casasanta, os ‘Contos de Grimm’, as ‘Fábulas de Esopo‘ e as ‘Jean de La Fontaine‘, por tão ricos de detalhes quanto as instigantes narrativas de ‘Sagarana’ e ‘Grande Sertão’ que foram lapidadas na ourivesaria do matreiro/gênio/mateiro João Rosa.
Um abraço!

Capa da 1ª edição de SAGARANA (1946), Geraldo de Castro
Ivan de Union
16 de outubro de 2013 2:24 pmUm esquecido
Um esquecido hoje:
http://1.bp.blogspot.com/_TixN6VqyyEo/RfyTOFjaHmI/AAAAAAAAAAs/aSIOsxZzla4/s1600-h/VovoFelicio.gif
Aqui tem uma pequena apresentacao dele:
http://pequenidades.blogspot.com/2013/03/estorias-alegres-do-vovo-felicio.html
Estórias Alegres do Vovô Felício
jns
16 de outubro de 2013 2:36 pmANTONIO FRANCISO
Meu pai foi tropeiro a vida toda, e palmilhou Minas, Bahia e Rio em lombo de cavalo, de burro, e a pé – levando gado ou tropas com balaios cheios de café e outros gêneros.
Meu pai gostava de falar de lugares como Andrequicé, por onde também passou Guimarães Rosa, que em um dos livros teria mencionado um certo Simdú; nas roças da Minas de antigamente meu pai era conhecido como Domingos de Sindú. Sindú foi o apelido de Agostinho, meu avô paterno que viveu nas cercanias de Setubinha, Minas, mas também zanzou por outras veredas das Gerais daqueles tempos.
Uma rua da Andrequicé dos dias de hoje: http://andrequice.arteblog.com.br/
***
ANDREQUICÉ
O meu comentário foi uma troca de figurinhas sobre o relato de Antonio Francisco, neste blog.
Gosto muito desse papo coloquial impregnado de confidências pessoais que valem por uma vida…
Entre Andrequicé e Patos de Minas | Foto: NOISPEDALA
Ribeirão Andrequicé | Foto:ADALWAZ
Foto:ADALWAZ
Ribeirão Andrequicé | Foto:ADALWAZ
Cachoeira da Melita-Cubas no Córrego Andrequicé-Datas | Foto: Wemerson Paulino
Foto: Leandro Durães
Foto: Ivan Correa
Foto: ADALWAZ
Foto:ADALWAZ
Centro da cidade | Foto:ADALWAZ
Foto: Leandro Durães
CONVITE:
Quem quiser tomar um gostoso café, depois da reza, é só procurar a capitania hereditária do Barão Antonio Francisco em Andrequicé.
AVISO:
Não tentem esconder queijo, rapadura e pedaços de broa de milho no bolso – ele pode ficar nervoso – e muito cuidado prá não queimarem a lingua!
Saboreiem o cafézinho bem devagar porque ele tem outras histórias prá contar, como fez neste latifúndio virtual.
Abraços!
Maria Luisa
16 de outubro de 2013 3:10 pmJNS, fiz um bolo de laranja
JNS, fiz um bolo de laranja caprichado, ficou delicioso. Pena não poder oferecer a todos aqui com um café bem quentinho.
Ah, sim, como disse no outro post. Fabulas fabulosas e historias que marcam gerações e gerações. Adoro essas capas de livros antigos.
jns
16 de outubro de 2013 7:29 pmE a pinga?
Fala sério!
Cê tá de brincadeira Maria Luisa?
Pópará de ‘fazer figa’ com este bolinho (prestou atenção no diminutivo?) que ficou muito delicioso…
E daí?
E onde fica aquela cachacinha – pros mais chegados – que está armazenada naquele carote amoitado prá não ser mamado pelos curiosos que não sabem apreciar uma ‘branquinha de qualidade’?
E tem mais: não faça chacotas e não ria de mim (Deus castiga…).
Quem rí por último, rí como o Toni Rodrigues: ‘ééééééééééééééééé …’
[video:http://youtu.be/HsljXUvYYEE%5D
Não fique impressionada com esta anedota sobre o gambá do Toni Gambá porque rico rí á toa…
(sem querer querendo, quase mandei um beijo prá voce).
Abs.
Maria Luisa
17 de outubro de 2013 8:18 amEu so ofereci um cafezinho, a
Eu so ofereci um cafezinho, a cachaça fica por conta da figuraça ai de cima, então.
Ps: aqui é tempo de chuva, vento e frio, dai compensar esse frio nos ossos com comidas que nos tragam reconforto e boas lembranças. Aquelas da infância, principalmente.
jns
17 de outubro de 2013 3:43 pmEscorpião no bolso
Tá todo mundo vendo!
A querida Maria Luisa é muito generosa
– a cachaça fica por conta da figuraça ai de cima –
com o dinheiro dos outros.
Desisto!
Gão
16 de outubro de 2013 8:54 pmFaz isso não
JNS, fiz um bolo de laranja caprichado, ficou delicioso. Pena não poder oferecer a todos aqui com um café bem quentinho.
Aí já é muita crueldade Maria Luisa, olha que eu vou aí pegar meu pedaço.
jns
17 de outubro de 2013 2:20 ampão-duro
Gão,
Prestenção na justificativa dela: ‘…. pena não poder oferecer a todos…’
Tá explicado porque niguém foi convidado.
Isso é coisa de ‘mão-de-vaca’!
Só pode!
Gão
17 de outubro de 2013 7:47 pm(Sem título)
jns
19 de outubro de 2013 12:41 amfome zero
Agora sim!
M A N D O U B E M !
antonio francisco
16 de outubro de 2013 10:22 pmQuanta beleza se vê neste país, não é, JNS?
Muito me agradou, JNS, esta manifestação porreta cheia de poesia que você escreveu em direção a um Brasil bonito, recheado de histórias para contar!
Sem a menor dúvida, do mesmo jeito que muitos de nós, Guimarães Rosa deve ter passado boa parte de sua infância não apenas lendo as fábulas e histórias antigas que você mencionou, mas também ouvindo nas ruas de Cordisburgo, Minas, as narrativas dos tropeiros e caminhantes deste país cheio de mistérios daqueles tempos heróicos.
Sorte nossa que Rosa, filho de sêo Florduardo e dona Francisca, não cascou fora do país já menino – ele que aos 7 anos já estudava francês sozinho, para logo a seguir estudar também o holandês e muitas outras línguas deste mundão de Deus:
http://www.releituras.com/guimarosa_bio.asp
Visto que me derreto pelas coisas que nosso Guima foi escrevendo ao longo de seus dias de vida até se encantar, não pude deixar de me maravilhar com o fato de ver em Manoel de Barros, características roseanas (ou em Rosa as parecenças com este nosso gigante da poesia chamado Manoel de Barros).
Por sorte minha fiquei sabendo do encontro que os dois tiveram, conforme Manoel de Barros narra em seu “Retrato do Artista Quando Coisa”, do qual ponho aqui este fragmento, e me despeço com um forte abraço!
Levei o Rosa na beira dos pássaros que fica no
meio da Ilha Lingüística.
Rosa gostava muito de frases em que entrassem
pássaros.
E fez uma na hora:
A tarde está verde no olho das garças.
E completou com Job:
Sabedoria se tira das coisas que não existem.
A tarde verde no olho das garças não existia
mas era fonte do ser.
Era poesia.
Era néctar do ser.
Rosa gostava muito do corpo fônico das palavras.
Veja a palavra bunda, Manoel
Ela tem um bonito corpo fônico além do
propriamente.
Apresentei-lhe a palavra gravanha.
Por instinto lingüístico achou que gravanha seria
um lugar entrançado de espinhos e bem
emprenhado de filhotes de gravatá por baixo.
E era.
BARROS, Manoel de. Retrato do artista quando coisa. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 2002.
jns
17 de outubro de 2013 2:49 amO QUE RESTA É O QUE É!
Um dia, sem que se perceba, o que restou afinal, do que, tempos idos, fora o menino do mato?. Já não viceja. Já nem os cafundós com seus segredos por brenhas restinguentas, atraem-no mais. Vai aquietando-se nalgum canto sem mais tenção, o menino. Mesmo porque, o menino — de menino mesmo —, guarda em seu alforje, no surrado bornal, tão somente lembranças. Sonhos empoeirados. Restingas. Mato rasteiro. Galhos ressequidos. Gravetos que um dia, foram ilusões.
Talvez, possa ser que ocorra de, o menino do mato, ainda continuar casmurro e turrão. De alma aflita e passarinheira, aprisionada a questionar-se, desejando explicações nos pormenores dos porquês sem explicações. É, às vezes, acontece. Nem se sabe se lhe concerne tanto aperrêio dentro, minudências pelos vezos da alma.
Alma que de tanto crescer, rebenta-se-lhe dentro do peito mirrado, surrado feito as alpercatas nos pés cascudos. Alma voeja, de arcanjo igualadas, talqualmente. Mas, como que surripiadas nalgum momento de descuido porque, já não há como carregá-las às costas, tanto o peso. Poucas as forças e disposição. Passarinho doentinho, menino do mato quando envelhece, é coisa tirana do destino mofinando os olhos — espelho-d’alma. Vai aquietando-se por fim. A vida, deveras, não será, acaso, ou necessidade, um pouco disso tudo, afinal?. Então, pois, se veja!.
Pode ser que, de ancião, espelho reflexo, somente no por fora. Jamais dentro. Também possível… E mais que, serenando, apascentado o rebanho dos sonhos, reste somente a quietude da madrugada silente. Ou, no mais das vezes, é fato ainda, a modorra de um dia claro, alvíssimo, à sombra de tempos idos, remotos, nem aborrecido nem alegre, esquecido somente e tão, à sombra de frondoso umbuzeiro que, sua árvore dileta e companheira do sertão, “muito–Mãe” —, umbuzeiro: acudindo nas aflições da seca quando a sede e a fome matam e espezinham. Árvore sagrada como sagrada a vida que se espicha causo de pôr termo no que tem que, até o último suspiro. Porque, até que se rompa o cordão, tudo é o mesmo halo do pagar-se contas, aprender e resignar-se para o regozijo prometido e merecido.
Que menino este, afinal?!….
Trecho do livro “As Reminiscências da Infância de Cócoras, Menino do Mato & Outras Histórias”
de Mauro Gonçalves Rueda
jns
17 de outubro de 2013 3:02 amPássaros da Ilha Linguística