4 de junho de 2026

As fábulas fabulosas

Por jns

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Comentário ao post “Literatura e viagem

Toni Francisco,

O seu rico depoimento me fez recordar de um velho amigo, o Sr. Geraldão, falecido, que cuidava do meu terreninho (um montinho de ciscos) em uma região rural vizinha da minha cidade.

Ele foi tropeiro e viajava em comitivas que se transformavam em grandes epopeias, vencidas ao longo de vários dias de trote, nas idas e vindas, percorrendo cerca de 120 km, para transportar sal, utensílios & fardamentos, montado sobre burros e mulas, entre as cidades de Caratinga e Governador Valadares, no interior das Gerais.

Nas fases da lua cheia – sabedor que ‘os mais velhos’ estavam sentados nas varandas para contar causos curiosos e revirar o passado heroico que me fascinava – deixava a minha casa na cidade e ia prá roça ouvir os contos fascinantes surgidos da tradição oral que me transportava em uma viagem mitológica como ocorria ao ler os compêndios que reuniam ‘As Mais Belas Histórias’, de Lúcia Casasanta, os ‘Contos de Grimm’, as ‘Fábulas de Esopo‘ e as ‘Jean de La Fontaine‘, por tão ricos de detalhes quanto as instigantes narrativas de ‘Sagarana’ e ‘Grande Sertão’ que foram lapidadas na ourivesaria do matreiro/gênio/mateiro João Rosa.

Um abraço!

   [lili+3.jpg]   Capa do livro As Mais Belas Histórias da Antiguidade Clássica    

 Fábulas de La Fontaine - vol. 1 Memórias De Um Menino De Negócios - Wilson Martins Da Silva

 

 

Capa da 1ª edição de SAGARANA (1946), Geraldo de Castro

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13 Comentários
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  1. Ivan de Union

    16 de outubro de 2013 2:24 pm

    Um esquecido

    Um esquecido hoje:

    http://1.bp.blogspot.com/_TixN6VqyyEo/RfyTOFjaHmI/AAAAAAAAAAs/aSIOsxZzla4/s1600-h/VovoFelicio.gif

    [VovoFelicio.gif]

     

    Aqui tem uma pequena apresentacao dele:

    http://pequenidades.blogspot.com/2013/03/estorias-alegres-do-vovo-felicio.html

     

    Estórias Alegres do Vovô Felício

     

     

  2. jns

    16 de outubro de 2013 2:36 pm

    ANTONIO FRANCISO

    Meu pai foi tropeiro a vida toda, e palmilhou Minas, Bahia e Rio em lombo de cavalo, de burro, e a pé – levando gado ou tropas com balaios cheios de café e outros gêneros.

    Meu pai gostava de falar de lugares como Andrequicé, por onde também passou Guimarães Rosa, que em um dos livros teria mencionado um certo Simdú;  nas roças da Minas de antigamente meu pai era conhecido como Domingos de Sindú. Sindú foi o apelido de Agostinho, meu avô paterno que viveu nas cercanias de Setubinha, Minas, mas também zanzou por outras veredas das Gerais daqueles tempos.

    Uma rua da Andrequicé dos dias de hoje: http://andrequice.arteblog.com.br/

    ***

    ANDREQUICÉ

    O meu comentário foi uma troca de figurinhas sobre o relato de Antonio Francisco, neste blog.

    Gosto muito desse papo coloquial impregnado de confidências pessoais que valem por uma vida…

    cidade de Andrequicé

    Entre Andrequicé e Patos de Minas | Foto: NOISPEDALA

    Os carros de boi

    Ribeirão Andrequicé | Foto:ADALWAZ

    Ribeirão Andrequicé

    Foto:ADALWAZ

    Ribeirão andrequicé (detalhe)

    Ribeirão Andrequicé | Foto:ADALWAZ

    RIBEIRÃO ANDREQUICÉ

    Cachoeira da Melita-Cubas no Córrego Andrequicé-Datas | Foto: Wemerson Paulino

    Cachoeira da Melita-Cubas no Córrego Andrequicé-Datas MG

    Foto: Leandro Durães

    ANDREQUICÉ MG

    Foto: Ivan Correa

    Andrequicé-Presidente Kubitschek

    Foto: ADALWAZ

    ESCOLA - ANDREQUICÉ

    Foto:ADALWAZ

    CASA ANDREQUICÉ DETALHE

    Centro da cidade | Foto:ADALWAZ

    Antiguidade, 2013

    Foto: Leandro Durães

    Igrejinha de Andrequicé

    CONVITE:

    Quem quiser tomar um gostoso café, depois da reza, é só procurar a capitania hereditária do Barão Antonio Francisco em Andrequicé.

    AVISO:

    Não tentem esconder queijo, rapadura e pedaços de broa de milho no bolso – ele pode ficar nervoso – e muito cuidado prá não queimarem a lingua!

    Saboreiem o cafézinho bem devagar porque ele tem outras histórias prá contar, como fez neste latifúndio virtual.

    Abraços!

  3. Maria Luisa

    16 de outubro de 2013 3:10 pm

    JNS, fiz um bolo de laranja

    JNS, fiz um bolo de laranja caprichado, ficou delicioso. Pena não poder oferecer a todos aqui com um café bem quentinho. 

    Ah, sim, como disse no outro post. Fabulas fabulosas e historias que marcam gerações e gerações. Adoro essas capas de livros antigos.

    1. jns

      16 de outubro de 2013 7:29 pm

      E a pinga?

      Fala sério!

      Cê tá de brincadeira Maria Luisa?

      Pópará de ‘fazer figa’ com este bolinho (prestou atenção no diminutivo?) que ficou muito delicioso…

      E daí?

        

      E onde fica aquela cachacinha – pros mais chegados – que está armazenada naquele carote amoitado prá não ser mamado pelos curiosos que não sabem apreciar uma ‘branquinha de qualidade’?

      E tem mais: não faça chacotas e não ria de mim (Deus castiga…).

      Quem rí por último, rí como o Toni Rodrigues: ‘ééééééééééééééééé …’

      [video:http://youtu.be/HsljXUvYYEE%5D

      Não fique impressionada com esta anedota sobre o gambá do Toni Gambá porque rico rí á toa…

      (sem querer querendo, quase mandei um beijo prá voce).

      Abs.

      1. Maria Luisa

        17 de outubro de 2013 8:18 am

        Eu so ofereci um cafezinho, a

        Eu so ofereci um cafezinho, a cachaça fica por conta da figuraça ai de cima, então. 

        Ps: aqui é tempo de chuva, vento e frio, dai compensar esse frio nos ossos com comidas que nos tragam reconforto e boas lembranças. Aquelas da infância, principalmente. 

        1. jns

          17 de outubro de 2013 3:43 pm

          Escorpião no bolso

          Tá todo mundo vendo!

          A querida Maria Luisa é muito generosa

          – a cachaça fica por conta da figuraça ai de cima –

          com o dinheiro dos outros.

          Desisto!

    2. Gão

      16 de outubro de 2013 8:54 pm

      Faz isso não

      JNS, fiz um bolo de laranja caprichado, ficou delicioso. Pena não poder oferecer a todos aqui com um café bem quentinho.

       Aí já é muita crueldade Maria Luisa, olha que eu vou aí pegar meu pedaço.

      1. jns

        17 de outubro de 2013 2:20 am

        pão-duro

        Gão,

        Prestenção na justificativa dela: ‘…. pena não poder oferecer a todos…’

        Tá explicado porque niguém foi convidado.

        Isso é coisa de ‘mão-de-vaca’!

        Só pode!

        1. Gão

          17 de outubro de 2013 7:47 pm

          (Sem título)

          1. jns

            19 de outubro de 2013 12:41 am

            fome zero

            Agora sim!

            M A N D O U   B E M !

  4. antonio francisco

    16 de outubro de 2013 10:22 pm

    Quanta beleza se vê neste país, não é, JNS?

    Muito me agradou, JNS, esta manifestação porreta cheia de poesia que você escreveu em direção a um Brasil bonito, recheado de histórias para contar!

    Sem a menor dúvida, do mesmo jeito que muitos de nós, Guimarães Rosa deve ter passado boa parte de sua infância não apenas lendo as fábulas e histórias antigas que você mencionou, mas também ouvindo nas ruas de Cordisburgo, Minas, as narrativas dos tropeiros e caminhantes deste país cheio de mistérios daqueles tempos heróicos.

    Sorte nossa que Rosa, filho de sêo Florduardo e dona Francisca, não cascou fora do país já menino – ele que aos 7 anos já estudava francês sozinho, para logo a seguir estudar também o holandês e muitas outras línguas deste mundão de Deus:

    http://www.releituras.com/guimarosa_bio.asp

    Visto que me derreto pelas coisas que nosso Guima foi escrevendo ao longo de seus dias de vida até se encantar, não pude deixar de me maravilhar com o fato de ver em  Manoel de Barros, características roseanas (ou em Rosa as parecenças com este nosso gigante da poesia chamado Manoel de Barros).

    Por sorte minha fiquei sabendo do encontro que os dois tiveram, conforme Manoel de Barros narra em seu  “Retrato do Artista Quando Coisa”, do qual ponho aqui este fragmento, e me despeço com um forte abraço!

     Levei o Rosa na beira dos pássaros que fica no

    meio da Ilha Lingüística.
    Rosa gostava muito de frases em que entrassem
    pássaros.
    E fez uma na hora:
    A tarde está verde no olho das garças.
    E completou com Job:
    Sabedoria se tira das coisas que não existem.
    A tarde verde no olho das garças não existia
    mas era fonte do ser.
    Era poesia.
    Era néctar do ser.
    Rosa gostava muito do corpo fônico das palavras.
    Veja a palavra bunda, Manoel
    Ela tem um bonito corpo fônico além do
    propriamente.
    Apresentei-lhe a palavra gravanha.
    Por instinto lingüístico achou que gravanha seria
    um lugar entrançado de espinhos e bem
    emprenhado de filhotes de gravatá por baixo.
    E era.
    BARROS, Manoel de. Retrato do artista quando coisa. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 2002.

     

     

    1. jns

      17 de outubro de 2013 2:49 am

      O QUE RESTA É O QUE É!

      Um dia, sem que se perceba, o que restou afinal, do que, tempos idos, fora o menino do mato?. Já não viceja. Já nem os cafundós com seus segredos por brenhas restinguentas, atraem-no mais. Vai aquietando-se nalgum canto sem mais tenção, o menino. Mesmo porque, o menino — de menino mesmo —, guarda em seu alforje, no surrado bornal, tão somente lembranças. Sonhos empoeirados. Restingas. Mato rasteiro. Galhos ressequidos. Gravetos que um dia, foram ilusões.

      Talvez, possa ser que ocorra de, o menino do mato, ainda continuar casmurro e turrão. De alma aflita e passarinheira, aprisionada a questionar-se, desejando explicações nos pormenores dos porquês sem explicações. É, às vezes, acontece. Nem se sabe se lhe concerne tanto aperrêio dentro, minudências pelos vezos da alma.

      Alma que de tanto crescer, rebenta-se-lhe dentro do peito mirrado, surrado feito as alpercatas nos pés cascudos. Alma voeja, de arcanjo igualadas, talqualmente. Mas, como que surripiadas nalgum momento de descuido porque, já não há como carregá-las às costas, tanto o peso. Poucas as forças e disposição. Passarinho doentinho, menino do mato quando envelhece, é coisa tirana do destino mofinando os olhos — espelho-d’alma. Vai aquietando-se por fim. A vida, deveras, não será, acaso, ou necessidade, um pouco disso tudo, afinal?. Então, pois, se veja!.

      Pode ser que, de ancião, espelho reflexo, somente no por fora. Jamais dentro. Também possível… E mais que, serenando, apascentado o rebanho dos sonhos, reste somente a quietude da madrugada silente. Ou, no mais das vezes, é fato ainda, a modorra de um dia claro, alvíssimo, à sombra de tempos idos, remotos, nem aborrecido nem alegre, esquecido somente e tão, à sombra de frondoso umbuzeiro que, sua árvore dileta e companheira do sertão, “muito–Mãe” —, umbuzeiro: acudindo nas aflições da seca quando a sede e a fome matam e espezinham. Árvore sagrada como sagrada a vida que se espicha causo de pôr termo no que tem que, até o último suspiro. Porque, até que se rompa o cordão, tudo é o mesmo halo do pagar-se contas, aprender e resignar-se para o regozijo prometido e merecido.

      Que menino este, afinal?!….

       

      Trecho do livro “As Reminiscências da Infância de Cócoras, Menino do Mato & Outras Histórias”

      de Mauro Gonçalves Rueda

       

    2. jns

      17 de outubro de 2013 3:02 am

      Pássaros da Ilha Linguística

      "Os passarinhos são assim, de propósito: bonitos não sendo da gente." - Guimarães Rosa

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