Comentário ao post “Reforma política e republicanismo, por Aldo Fornazieri“
As dificuldades de um país como o Brasil em desenvolver a sua democracia se deve à forma como fomos “descobertos”.
As invasões portuguesas em nosso território são a causa e consequência deste travamento tão bem expressado pelo professor Aldo Fornazieri.
A imposição de uma cultura exógena limitou e conteve qualquer possibilidade de auto desenvolvimento, e desta forma fomos, e continuamos a ser, frutos de imposições externas.
É como se o Brasil fosse “criado” para ser mero produtor econômico de interesses externos.
Foi assim na política do Brasil colônia, império e república. Galeano demonstra magistralmente estas condições em seu livro “As Veias Abertas da América Latina” ao fazer uma análise da situação do Brasil.
Desde a invasão se loteou o Brasil em capitanias hereditárias que foi a base de uma elite arcaica, não inovadora e transmitida de “pai para filho”.
No período da escravidão o modelo se aperfeiçoa, e a partir daí todas as mudanças tentadas pela base da sociedade foram assimiladas, distorcidas e devolvidas de forma homeopática.
O Brasil onde a nossa independência foi feita na base de um “grito” para um rio, que a nossa república foi constituída por um “manifesto em praça pública.
Um Brasil onde manifestações por cidadania mínima, como melhoria de transportes, educação e saúde, como as realizadas em junho, são consideradas atos extremistas, golpistas, fascistas, movimentos criticados pela esquerda, pela direita, pelos que estão no andar de cima e pelos de baixo.
Nossa elite tem, e sempre teve, o controle absoluto das condições que regem nossa nação.
Frederick Cunha
14 de outubro de 2013 5:37 pmSistema Tribal
É mais fácil entender o Brasil pela via de um sistema tribal do que de um sistema democrático. Em uma democracia supõe-se que cada indivíduo deve ceder parte dos seus direitos naturais em favor do Estado, que regularizaria por igual as ações entre os indivíduos. Mas o que ocorre no Brasil é que os indivíduos se filiam ou se agregam em organizações às quais cedem estes direitos em troca de vantagens ou proteção contra outros grupos. O Estado acaba servindo apenas como palco destas lutas ou acordos entre organizações ao invés de servir ao interesse público generalizado. Sendo assim, no caso do indivíduo não fazer parte de um desses grupos, pode ser ele um partido político, um sindicato, uma entidade empresarial, uma organização crimonosa, uma organização paramilitar, uma organização profissional, este indivíduo fica desamparado diante de qualquer arbritariedade cometida por estes grupos.
Antigamente, apenas os grupos ligados à elite economica do país conseguiam exercer pressão para valer seus interesses dentro dos governos. Mas desde o fim da ditadura, os grupos de pressão se proliferaram mais rapidamente do que os agentes democratizantes. Principalmente, os grupos ligados à sindicatos e entidades de determinadas classes profissionais, como as polícias. Com isso, instaurou-se uma sociedade em que cada grupo tenta puxar o máximo possível do cobertor para cobrir os seus membros e descobrir os outros grupos. Não há um senso de coletividade e de plena democracia, que respeita por igual os indivíduos.
Basta ver o recente lobby contra o projeto Cidade Limpa, da prefeitura de São Paulo. Os diferentes grupos de interesses procuram dilacerar um projeto que busca beneficiar toda a sociedade por igual, apenas para garantir um bocado maior de vantagens para os mebros de um restrito número de pessoas. Este é o reflexo da democracia tribal que se vive no Brasil.
Assis Ribeiro
14 de outubro de 2013 5:41 pmAgora vai
A maior marca do governo Lula e Dilma foi trazer o sentimento de pertencimento para a nossa sociedade.
Ao implantar o bolsa família, aumento real de salário mínimo contra a retórica “mainstream” de que isso iria quebrar empresas, o médico para todos contra a vontade da direita e a classe médica, entre outros avanços, os últimos governos despertaram o que até então estava adormecido na nossa sociedade desde a sua formação;…
… a cidadania…
Este sentimento irá revolucionar a nossa democracia onde a população tendo o mínimo almeja o máximo, como bem entende Dilma.
É o exercício da cidadania que impulsiona qualquer democracia.
Da Agência Brasil:
Danilo Macedo e Paulo Victor Chagas
Repórteres da Agência Brasil
Brasília – A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (27), ao lançar o novo Portal Brasil, que seu governo quer construir uma “prática sistemática” de ouvir as ruas. Segundo a Presidência, o portal pretende ser a porta de entrada da relação entre o cidadão e o governo federal e reunirá informações e serviços de todos os ministérios. Dilma disse que o portal é um instrumento para o exercício da cidadania que contribuirá para a melhoria da qualidade dos serviços e do grau de informação dos cidadãos.
Miguel A. E. Corgosinho
14 de outubro de 2013 8:37 pm“É como se o Brasil fosse
“É como se o Brasil fosse “criado” para ser mero produtor econômico de interesses externos.”
É bem justamente porque a democracia ao inves de resolver a tarefa fundamental da atribuição de valor – subsequente ao desenvolvimento da própria física da produção fora do Estado, em mudanças fragmentadas que se fizessem acompanhar com a visão de relatividade do mundo exterior – simplesmente não foi capaz de uma elaboração interior à ciência.
Miguel A. E. Corgosinho
14 de outubro de 2013 9:12 pmParadigma da sociedade
“A maior marca do governo Lula e Dilma foi trazer o sentimento de pertencimento para a nossa sociedade.
O pertencimento da sociedade ainda permanece no processo de absorvição do investimento externo e crédito: Nascemos para os EUA, sob a tutela dos bancos.
morgana profana
14 de outubro de 2013 9:22 pmArf, quanta baboseira…
Titia desde o início dos tempos, ouvia esta história de que o Brasil foi colônia de exploração, e esta ou aquela foram de colonização, e por isto a diferença…
Quanto desconhecimento, quanta tolice, me perdoem…
A Austrália era uma colônia-presídio…Logo, se esta lenga-lenga fosse uma sentença irrecorrível, a Austrália seria uma grande África…
É preciso dizer a este pessoal que os EEUU, até a guerra de secessão se divida em dois modelos distintos de acumulação capitalista, que justamente por isto, entraram em choque violento, onde o modelo que foi vencido(o escravista, monopolista exportador) era bem parecido com o nosso, e pasmem, algumas facções da oligarquia brasileiras apoiaram os sececcionistas sulistas…
Ora bolas, a estrutrura de expansão e divisão das tarefas capitalistas determinou desde o começo o papel que cada nação, e que cada povo, desempenharia no teatro das nações…
Por óbvio, a aliança das elites locais com estas elites capitalistas internacionais, colocando-nos sempre na posição de subordinação, contribuiu para nossa atual situação…Mas isto não é tudo, ao contrário, é só uma parte do problema.
Galeano tem o mérito de descrever certos processos de expropriação e dominação geopolítica com riqueza de detalhes, mas sua dramatização fatalista só serve a panfletos…
Em um mundo capitalista, não haverá espaço (ao menos, não haverá espaço gratuito e pacífico) para existência de vários centros hegemônicos, ao mesmo tempo desenvolvedores de tecnologia, com peso militar e possuidores de grandes fontes energéticas…
Outra baboseira é nos dizer pacíficos: não somos, matamos 50 mil pessoas por ano, nossa História é de conflitos esmagados sob toneladas de brutalidade, e quando fomos a guerra (Paraguay), o fizemos com incomum sadismo, frieza e sanguinolência…
Por derradeiro, leiam o que disseram:
“(…)Um Brasil onde manifestações por cidadania mínima, como melhoria de transportes, educação e saúde, como as realizadas em junho, são consideradas atos extremistas, golpistas, fascistas, movimentos criticados pela esquerda, pela direita, pelos que estão no andar de cima e pelos de baixo.(…)
Nosso problema, titia imagina, não é só a reclamação da direita e, da esquerda, dos de cima e dos de baixo sobre as manifestações de junho, por exemplo:
O problema é a classe mé(r)dia (esta permanente “prostituta das classes sociais”) imaginar-se protagonista de algo, como imaginou fazer, saindo a rua para berrar palavras vazias, ofensas e lugares-comuns anti-política, em demonstração de oportunismo calhorda, tentando desestabilizar instituições para depois se venderem como “opinião pública”, como, aliás, sempre fizeram…
Manifestações sem direção?
Tenham santa paciência…
Nós temos quinhentos e poucos anos, a idade de algumas Universidades da Europa…Por outro lado, nunca enfrentamos a necessidade de armar e constituirmos uma força bélica que nos servisse como ponta-de-lança de expansão e “convencimento diplomático”…
Sequer temos um bombinha-traque atômmica sequer…
Titia avisa: não dá para fazer justiça social interna sem trucidar e impor suas demandas no tabuleiro geopolítico…não neste mundo!
Motta Araujo
15 de outubro de 2013 12:37 amÉ fenomenal o tipo de
É fenomenal o tipo de compreensão de uma realidade historica. Os portugueses são um FATO da criação do Brasil como Pais e Nação. Não há como lamentar o processo de colonização, É O QUE FOI e ponto final, não existe certo ou errado a partir de uma regressão tipo “tunel do tempo”. Se não fossem os portugueses o Brasil não existiria, e como alguem lamentar o pai e a mãe que tem. O Brasil é assim porque assim foi descoberto, colonizado e formado.
O Brasil como Pais e Nação é produto da Casa de Bragança que ocupou o territorio e sobre ele conseguiu dominio, da Igreja Catolica que plantou as bases da sociedade brasileira e do Exercito, mais antigo do que o Pais, que manteve a ferro e fogo a unidade nacional. É assim porque foi assim, é historia, o que segnifica essa bobageira culpando os portugueses? Se fossem holandeses ou franceses seria melhor? Está ai a Indonesia e o Marrocos para conferir.
alexis
15 de outubro de 2013 9:24 amPIRÂMIDE SEM PONTA NACIONAL
O povo Brasileiro vive na base de uma pirâmide cuja ponta fica nos EUA.
O rico alemão é alemão; o rico Inglês é Inglês, mas, o rico Brasileiro almeja o Green Card e apartamento em Miami. Nem o povo emergente de origem humilde rompe este paradigma, considerando que o Ministro Barbosa trata da sua “coluna” na Alemanha e comprou recentemente apartamento em Miami, numa curiosa transação.
O poder político recebe votos, é eleito, legisla, decide, assina, mas, a rigor, não manda.
O problema é geométrico. A ponta dessa pirâmide deve ser recolocada dentro do território brasileiro, mas depende de muitos fatores. Praticamente, o Brasil deve ser reinventado, assim como Cuba.
Acho que a solução vai pela educação e pela formação de um povo civicamente preparado para decidir soberanamente o seu futuro, em cada oportunidade em que lhe seja solicitado o voto. Que não se deixe impressionar pelo PIG nem pelos atuais donos do poder. Pessoas que sejam capazes de defender o seu governo e o seu país, ante os embates da mídia.