Jornal GGN – O mercado financeiro realizou lucros pelo terceiro dia consecutivo, com os investidores adotando uma postura mais cautelosa por conta das incertezas decorrentes de questões fiscais e monetárias nos Estados Unidos, além da sinalização de default da OGX, uma das empresas de maior peso na composição do índice brasileiro. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) terminou a quinta-feira (26) em queda de 0,88%, aos 53.782 pontos e com um volume negociado de R$ 5,176 bilhões. A bolsa acumula no mês uma valorização de 7,54%, mas perde 11,76% no ano.
Segundo Luis Gustavo Pereira, estrategista da Futura Corretora, o mercado esteve muito influenciado pela queda apresentada pelas ações da OGX, cujas ações ordinárias chegaram a cair mais de 16% no dia devido à desconfiança dos investidores de que a empresa consiga honrar cupom de bônus externos – o que levantou a hipótese de um pedido de recuperação judicial por parte da companhia de Eike Batista. “Os papéis foram impactados pela notícia de um não pagamento de um cupom no exterior, sinalizando um possível default em relação a esse compromisso”.
Além de tais cupons, que possuem vencimento programado para o próximo dia 21, o mercado acompanha outro cupom, no valor de US$ 45 milhões, referente aos bônus de 2022, que vence em 1º de outubro. A realização de lucros registrada pelas ações da Petrobras diante do ganho apurado nos últimos dias também ajudou a reduzir o ritmo do Ibovespa.
No câmbio, a cotação do dólar no balcão terminou o dia em alta de 0,85%, a R$ 2,2460. Segundo informações do serviço Broadcast, da Agência Estado, os investidores seguiram ampliando sua demanda pro moeda norte-americana por conta de uma série de fatores, como os comentários do diretor do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) Jeremy Stein, de que se sente confortável com uma possível redução de estímulos, ao mesmo tempo que os números de pedidos de seguro-desemprego foram bons.
Também existia alguma expectativa em torno do leilão de swap (equivalente à venda de dólares no mercado futuro), depois que o BC não negociou a totalidade dos contratos ofertados na última quarta-feira (25). Contudo, todos os 10 mil contratos ofertados foram negociados, gerando uma injeção de US$ 497,7 milhões no mercado. A moeda também foi pressionada pela proximidade da formação da Ptax – taxa empregada na liquidação dos derivativos cambiais no próximo dia 1º de outubro -, com os investidores comprados (que apostam no avanço na moeda) posicionados nesse sentido.
A tendência para esta sexta-feira (27) é que ocorra alguma volatilidade conforme os pronunciamentos de representantes do Federal Reserve – no caso, os agentes vão acompanhar o do responsável pelo escritório de Boston, Eric S. Rosengren. No Brasil, os agentes também acompanham a divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao mês de setembro e o resultado orçamentário do governo central. No setor externo, foco para os dados de renda e gastos pessoais nos Estados Unidos e o índice de confiança da Universidade de Michigan, além do PIB (Produto Interno Bruto) da França, os dados de confiança do consumidor na zona do euro e os índices de inflação na Alemanha.
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