4 de junho de 2026

Os jesuítas e a formação da cultura gaúcha

Por Xiru

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Comentário ao post “Experiência jesuítica explica ações recentes do papa

É uma grande viagem buscar saber sobre a aventura jesuítica pela América do Sul, entre os séculos XVI, XVII e XVIII, aproximadamente por 200 anos. Quem pode realmente dizer 200 anos? Creio que só os jesuítas e os arquivos secretos Imperialistas. Esta história é mais secreta do que a da Guerra do Paraguai que por sua vez é muito mais secreta do que a do Golpe de 1964.
 
Os Jesuítas participaram com os índios, a maior parte guarani, desde o Uruguai, Argentina, Brasil, Paraguai e Bolívia. No Brasil de hoje, pode-se considerar uma linha reta da parte oriental da Lagoa Mirim até a foz do Iguaçu, compreendendo uma grande parte do Rio Grande do Sul, e partes orientais de Santa Catarina e Paraná. Existem ruínas Jesuíticas espalhadas desde o Uruguai até à Bolívia, Missões e Reduções. Isto valeu a expulsão dos jesuítas e a matança indiscriminada de quase a totalidade dos índios pelo domínio da terra, e, muito mais pela ordem de vida desenvolvida pelos jesuítas e índios. Esta foi a única experiência de organização humana e humanista, cristã e solidária e tudo mais de bom para aquele povo que buscou naquela ordem, se integrar comercial e culturalmente com o mundo. Só buscaram a paz e a felicidade, com respeito ao ambiente, num culto próprio a natureza, coisa que os jesuítas souberam respeitar.
 
Que esta experiência não seja a mãe mas tem uma grande importância na formação da cultura gaúcha. Tal qual descreveu Érico Veríssimo, com, Ana Terra, o índio Pedro que é o pai de seu filho Rodrigo, o capitão, os irmãos e o Pai de Ana Terra que assassinam Pedro porque é índio e só busca viver. Sobrevive no filho, e pelos outros tantos filhos que a terra nunca vai parar de parir.

 
O Brasil era coroa portuguesa, o sertão onde aconteceu a experiência jesuítica estava bem além de Laguna – SC a linha do tratado de Tordesilhas. Matou os índios, expulsou os jesuítas, destruiu as Missões e Reduções depois foi a tribunal internacional usucapir a terra, o mesmo deve ter acontecido com os espanhóis. Mas o que realmente importou foi destruir, chamar de bárbaros e esconder do mundo esta experiência, afinal o humanismo, o amor e o cristianismo assustam as falsidades amorosas, humanas e cristãs.
 
No Paraguai uma grande expressão cultural conseguiu sobreviver, influenciando a ordem espanhola, tanto que junto com a sua independência, buscou renascer o que lhe valeu também ser arrasado barbaramente por ser classificado como bárbaro. Alguma coisa de Paraguai: com reforma agrária, analfabetismo irradicado, lina férrea e telégrafo por todo território, na primeira metade do século XIX.
 
Esta história pode através de fragmentos espalhados pela internet ser reconstituída, para melhor entendimento é interessante conhecer e compreender o que se passava na Europa nestes tempos de “Humanismo e Iluminismo”, que antecederam as revoluções burguesas e as pressões pelas quais o clero foi submetido. Com isto talvez auxiliar a compreensão da época dos Golpes militares pelos quais um indefeso padre teve que suportar para continuar em luta.
 
O assunto chama um estudo.

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3 Comentários
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  1. jura

    21 de setembro de 2013 7:18 pm

    Bandeirantes

    É bom não esquecer que os bandeirantes que dão nome ao palácio do governo paulista sempre foram considerados bandidos por aquelas bandas.

    Atacavam as missões para escravizar índios mais cultos que eles, capazes de escrever partituras e esculpir fachadas barrocas…

    Destruiam habitações populares e extinguiam famílias para atira-los nas fazendas e engenhos paulistas.

    Foi assim que São Paulo, terra dos tupiniquins de Piratininga aprendeu a falar guarani até duzentos anos atrás.

    No Paraguai todo mundo sabe o significado de Tatuapé, Ipiranga e Piratininga. Em São Paulo, não.

    1. nosde

      21 de setembro de 2013 7:54 pm

      Os bandeitantes eram

      Os bandeitantes eram paulistas, desde sempre mestres em desocupação e reintegrações de posse . . . . . .

  2. Flavio Martinho

    22 de setembro de 2013 3:33 am

    Texto muito melhor do que o

    Texto muito melhor do que o do Humberto Eco. Este bastante fraquinho e superficial. Mas o melhor de tudo  é que o Xiru afirma “O assunto chama um estudo”. E como chama. Interessante que temos brasileiros craques nessa matéria mas, por algum motivo – que os mais ligados sabem o porquê – não publicam seus trabalhos.

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