O 5o Congresso da Inovação da Indústria, que transcorreu ontem em São Paulo, revelou alguns aspectos relevantes da luta pela inovação.
Primeiro, o diálogo entre empresas e autoridades, permitindo identificar pontos de estrangulamento no processo de inovação. Depois, a constatação de que o país avançou bastante no tema, a ponto de juntar quase mil pessoas discutindo o assunto e buscando formas de levar o conceito para pequenas e médias empresas. A MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação) é um movimento com esse perfil.
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Mas serviu, também, para mostrar a diferença de tratamento que os grandes grupos nacionais dão ao tema.
Numa ponta, o ex-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Horácio Lafer, das Indústrias Klabin.
Nos seus primórdios, o setor de papel e celulose foi dos mais inovadores do país. Experiências inéditas permitiram aproveitar o sol tropical e desenvolver modalidades de árvores com produtividade até três vezes maior do que os concorrentes europeus e canadenses.
Na sua apresentação, Horácio atribuiu as dificuldades em inovar ao sistema educacional brasileiro, ao fato de se formar engenheiros sem nenhuma experiência prática, à dificuldade de incutir conceitos de inovação na mão de obra.
O educador Cláudio de Moura e Castro mostrou que é um problema histórico e de difícil solução, um padrão cultural brasileiro que privilegia o formalismo, o beletrismo, em detrimento dos resultados. Se uma faculdade abrir mão de uma referência em engenharia – ou em qualquer outra profissão – por um jovem profissional com PhD, o ensino pode perder muito. Mas ela passa a receber melhor pontuação nas avaliações oficiais.
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Com essas dificuldades, qual o caminho mais rápido para se avançar na inovação? Os grandes grupos nacionais, como a própria Klabin. Mas olhando para dentro, não buscando o álibi fora.
Na mesma rodada, o representante da Braskem – petroquímica da Odebrecht – mostrava os avanços que têm alcançado na química renovável, na biotecnologia, no desenvolvimento do plástico verde, os investimentos em inovação em sua unidade do Rio Grande do Sul.
Nos corredores, engenheiros da Embraer relatavam o sucesso de sua Universidade Corporativa. Anualmente, selecionam engenheiros recém-formados, uma rapaziada nova, com mais conhecimento do que as gerações anteriores, sequiosa por prospectar novos caminhos.
No curso, cada aluno é desafiado a desenvolver um plano de negócio criando um modelo de aeronave. Pensam o design, a tecnologia, a relação custo-benefício, estimam mercado, preço, pesquisam nos sites internacionais, buscam novos materiais.
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Há um conjunto de avanços que se fazem necessários no país.
Mas uma renovação urgente é nos CEOs das grandes corporações. Hoje em dia, a inovação é praticada por um grupo extremamente restrito de empresas – o grupo Odebrecht, a Embraer, Petrobras, de certo modo, a Natura, um ou outro laboratório farmacêutico, e não muitas mais.
Na Finlândia, quando percebeu que perderia mercado para os brasileiros, um grupo de papel e celulose criou a Nokia, que se tornou uma das maiores empresas de equipamentos de telecomunicações do planeta.
Está na hora de os grandes grupos nacionais ousarem mais.
Ana Dias
4 de setembro de 2013 12:46 pmDe novo essa discussão de que
De novo essa discussão de que as escolas de engenharia tem que formar um engenheiro com “experiência prática”? Faça-me o favor. Para inovação, justamente, é preciso que o engenheiro tenha uma base conceitual fortíssima, pois por definição vai se CRIAR algo e não REPRODUZIR o que já existe. formar alguém pra repetir o que a empresa já faz seria bem fácil, mas isso não leva a inovação.
O que precisa é de formação conceitual forte, sim. PhD, sim. Promover parceria da empresa com a Universidade. E, no âmbito da empresa, misturar quem tem a experiência prática de anos com quem vem cheio de conceitos do PhD. É assim que se faz inovação, isso já está escrito e reescrito em milhares de estudos feitos dentro e fora do Brasil. Aliás, é justamente isso que fazem Natura, Embraer, Braskem.
Cafezá
4 de setembro de 2013 12:55 pmcriatividade é a palavra chave
“Na sua apresentação, Horácio atribuiu as dificuldades em inovar ao sistema educacional brasileiro, ao fato de se formar engenheiros sem nenhuma experiência prática, à dificuldade de incutir conceitos de inovação na mão de obra.”
Criatividade é a palavra chave para a inovação. E o país conta com jovens criativos e dispostos a trabalhar nisso. A questão é encontrá-los em meio aos inúmeros estudantes que existem no país. Creio ser necessário um projeto que englobe todas as empresas na busca por estudantes com mais criatividade.
Ivan Pedro Muricy
4 de setembro de 2013 2:24 pmNassif,
ótimo
Nassif,
ótimo artigo!!!
Quanto à nossa turma do Brasilianas, como a encontramos aqui ?
Como serão as muitas postagens que vc fazia, não as fará mais ?
Ainda estou perdido. Seria bom fazer uma postagem esclarecendo mais detalhes do novo blog.
Abcs.
Ivan Pedro
Orides
4 de setembro de 2013 2:58 pmE para os pequenos?
Nassif, para os pequenos, os independentes, ajudaria demais se fossem reduzidos ao mínimo a burocracia, as dificuldades e os prazos para liberação alfandegária, na importação de componentes – em pequena quantidade e de valores modestos – usados no desenvolvimento de protótipos.
Isso é imperativo, porque não temos indústrias que produzam tais componentes em quantidades mínimas e preços razoáveis.
Só que nunca vejo esse aspecto ser abordado nestes Congressos.
Juliano Santos
4 de setembro de 2013 6:35 pmFora de pauta:
Nassif, o blog
Fora de pauta:
Nassif, o blog novo está muito bonito e charmoso. Porém, cadê aquela produção frenética de posts novos? E também não podemos dar estrelinhas amarelas para os comentários?
Você vai nos privar do imenso prazer em tacar uma estrelinha amarela no Rebolla e no Leônidas? No AA até que ultimamente merecia umas estrelas a mais, menos quando o post era sobre as “republiquetas bolivarianas irrelevantes’.
serralheiro 70
5 de setembro de 2013 3:15 amInovação
Trabalhei por mais de 30 anos na Petrobras e sempre acreditei que inovação estava presente no dia a dia desta empresa. Quando idealizada por Getúlio em 53 encontrou um ambiente de pouco conhecimento e nenhuma tradição desta indústria. Nos primeiros dias os resultados foram obtidos com ousadia, conhecimento e técnicos estrangeiros, acertos e erros, principalmente com metas desafiantes. Vi uma equipe jovem num esforço até heróico. Se no dia a dia da empresa seu corpo técnico evoluia em quantidade e qualidade, dispensando a mão de obra estrangeira, o domínio dos processos e da engenharia para novas instalações passou para um novo patamar de evolução com a criação do CENPES que abrigou uma elite de técnicos e cientistas para esta missão. Quando a Petrobras se lançou na produção de petróleo no mar assisti praticamente a reedição dos primeiros dias da empresa com técnicos e conhecimento estrangeiros envolvidos. Aí a Petrobras já contava com conhecimento desta industria consolidado e técinicos experientes, que rapidamente levaram a autonomia. Também neste processo se empregou novamente uma equipe de jovens heróicos dedicados nesta missão que superou desafios de condições precárias. A existencia do CENPES abreviou o intervalo da novidade do trabalho no mar até se chegar a liderança mundial desta atividade. Novamente metas desafiadoras vem alargando os limites desta atividade e de seus resultados. Investimento , pessoal técnico de qualidade e metas desfiadoras garantiram resultados no petróleo, na industria aeronáutica, no domínio do ciclo de energia nuclear e deve ser o caminho para as novas necessidades do Brasil.
Athos
6 de setembro de 2013 6:02 pmLogo
Esse logo aí parece coisa de criança.
Troca isso aí que ta muito feio!