Do Jornal GGN – O britânico Jim O’Neill, ex-executivo do Goldman Sachs e inventor da famosa sigla Bric – usada para identificar o grupo de países emergentes da economia mundial – disse, em entrevista à BBC, que o futuro do Brasil é melhor do que o clima de pessimismo atual que se instalou após a alta do dólar. O’Neill acredita em um crescimento de cerca de 4% ainda este ano para o país.
O economista participou de uma palestra na semana passada em um congresso da BM&FBovespa em São Paulo, na qual apresentou seus argumentos otimistas que contestam a versão contida de analistas frente ao crescimento de 1,5% do PIB no segundo trimestre de 2013. O’Neill disse que acredita em uma retomada mais robusta e que o futuro não seja “tão sombrio” quanto o que ouviu por aqui, durante sua visita. O britânico alega que a média de crescimento hoje é superior à do início da década passada, quando ainda trabalhava no banco de investimentos.
O’Neill disse ainda que o país está melhor do que naquela época, e tem apresentado indicadores melhores naquilo que chama de “nota de ambiente de crescimento” – que engloba, na visão dos analistas econômicos, indicadores como estabilidade política, expectativa de vida, índices de corrupção e até o uso de tecnologia pela população.
Apesar das expectativas positivas, o executivo foi categórico em relação às melhoras urgentes e necessárias para que o país continue crescendo. Para ele, mais investimentos no setor privado, aumento da oferta econômica, menos gastos do governo e mais medidas de incentivo à iniciativa privada. “O país precisa ser uma parte maior da economia global, pois ainda é visto, em muitos países, como muito fechado. É preciso se relacionar mais com os sete bilhões de pessoas ao redor do mundo”.
A confiança nos emergentes, apesar da desaceleração recente, é parte do discurso do britânico. Para ele, a China, mesmo deixando de crescer abaixo dos dois dígitos, escolheu crescer para se manter sustentável, e compara os 7,5% previstos para o crescimento do país a um equivalente a 3,75% na economia norte-americana, por exemplo. Um feito que, para ele, o Brasil nunca repetirá, algo só permitido ao gigante asiático por sua situação demográfica.
O’Neill lembra que os emergentes falaram muito – sobre a criação de um banco de desenvolvimento conjunto -, mas nada fizeram juntos politicamente até agora. Para ele, o fato de terem concordado em um desenvolver um trabalho conjunto, mesmo com políticas e culturas tão diferentes, já é um grande avanço. A flutuação do dólar não é uma exclusividade brasileira – outras moedas também estão sofrendo com a volatilidade. Só o uso de sua própria moeda no comércio mundial, completa o britânico, pode neutralizar o problema.
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