4 de junho de 2026

Sobre o índice de homicídios no Brasil

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Se brasileiro fosse profissão 

A revista Forbes relacionou as dez ocupações profissionais mais perigosa nos EUA, em 2012, considerando o índice de mortes por 100.000 trabalhadores. A atividade mais perigosa é a de lenhador, 62 óbitos e 127,8/100.000. Seguem pescadores, aeronautas, reparadores de telhados, montadores de estruturas metálicas, lixeiros, eletricistas de alta tensão, caminhoneiros, agricultores e trabalhadores da construção civil.

Comparando a mortalidade destes grupos ao desempenharem suas funções e o índice de homicídios no Brasil existe uma dado aterrador: é mais provável morrer assassinado no Brasil do que trabalhar em algumas delas lá. Se brasileiro fosse uma categoria profissional americana ocuparia o 7º lugar em letalidade. Brasileiro jovem, de 15 a 29 anos, ficaria em 4º na taxa de mortalidade.

Segundo o Mapa da Violência 2012 foram assassinados no Brasil 26,2 pessoas a cada 100.000. Em 2012 nos EUA a mortalidade entre os trabalhadores de instalação e manutenção de linhas de transmissão elétrica de alta tensão foi de 23/100.000. Na média é mais perigoso apenas sobreviver no nosso país que subir numa torre de energia para fazer reparos nos Estados Unidos.

Instalação rede de alta tensão

No nosso país são assassinados anualmente ao redor de 50.000 seres humanos todos os anos. O governo federal e os estaduais nada fazem para impedir este massacre. Como é possível que os nossos governantes mantenham-se inativos sabendo que o risco de morte para os cidadãos é cotidiano e dependendo da faixa etária e da região onde vivem é quase iminente.

Os jovens que vivem nas periferias das grandes metrópoles, geralmente pretos ou pardos e pobres, são as grandes vítimas desta guerra urbana, mais mortífera que alguns confrontos bélicos que ocorrem atualmente pelo mundo. O simples fato de morarem em locais como o Capão Redondo, em São Paulo, o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, ou o Paripe, em Salvador, é suficiente para que os riscos que correm equivalha a recolherem resíduos tóxicos no trabalho e efetuarem manutenção em redes de alta tensão nas horas vagas.

Resíduos tóxicos

Mesmo com a carnificina ocorrendo dias após dia os discursos oficiais sobre esta realidade macabra são sempre vaporosos e etéreos, abordam o assunto como se este independesse da ação do poder público. O mesmo se repete nas falas dos movimentos que dizem defender os direitos humanos. Transferem a culpa para um estrutura social idealizadas e as relações de exploração interclasse.

Para os representantes do povo e da tal sociedade organizada a solução virá apenas quando uma nova infraestrutura substituir a atual. Pois consideram que as ações políticas e judiciais são incapazes, apenas transferem a totalidade do ônus para os oprimidos, sem a efetiva resolução da questão. Alguns consideram que leis mais duras representa a criminalização da pobreza, tendo em vista que para estes o crime é o estado natural do pobre.

Esta visão discriminatória e preconceituosa, alicerçada em bases meramente ideológicas, é a responsável por dezenas de milhares de mortos anualmente. Em sua grande maioria das camadas sociais que dizem defender. Conseguiram tornar real uma distopia e impedem o avanço de qualquer medida contrária aos seus dogmas. Preferem que os seus protegidos continuem morrendo.

Os 10 empregos que mais matam
Mapa da violência 2012

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Julio Ferraro

    2 de outubro de 2015 3:01 pm

    Critica

    Nunca ví uma matéria tão ridícula na minha vida.

    Comparar mortes com acidente de trabalho nos EUA com violencia no Brasil. Qual a racionalidade disso?

     

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