4 de junho de 2026

O Caminho da CPI dos Transportes no RJ

Sugerido por Antonio Ateu

CPI dos ônibus ou da marmelada?

 
 

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Se a CPI não for anulada, como querem os manifestantes, ficou escancarada a forma como a política tem sido feita no Rio

 

20/08/2013

Vito Giannotti

As mobilizações que tomaram o país em junho continuam alimentando protestos populares em todo o Brasil. No Rio de Janeiro, a Câmara dos Vereadores encontra- se ocupada há mais de uma semana por manifestantes que questionam a maneira como foi instalada a CPI dos Ônibus: uma verdadeira marmelada. 

São pessoas que não estão mais satisfeitas com como as decisões políticas se dão nessa cidade, e exigem participação popular nos temas de interesse público. 

O problema é o mesmo de todas as grandes cidades. Quem mora na Baixada, e precisa chegar ao centro do Rio para trabalhar, passa horas em pé dentro de um veículo lotado. Além da péssima qualidade do serviço, há mil motivos para investigar os transportes na cidade. 

O Tribunal de Contas do Município já fez graves denúncias sobre o assunto. Irregularidades mil que evidenciam uma “falsa licitação” para escolher as empresas vencedoras. É essa história que deve ser passada a limpo. 

Mas quem vai passar a limpo? Esta CPI? Vamos aos motivos da ocupação da Câmara. O primeiro tem a ver com o presidente e o relator escolhidos. Ambos são do PMDB, partido a ser investigado pelos contratos entre a Prefeitura e concessionárias do transporte público. Eles não assinaram sequer o requerimento para a criação da CPI. 

Os manifestantes querem, dentre outras medidas, a anulação dessas indicações. Também exigem que, como de costume, o presidente da CPI seja o vereador que solicitou a mesma. Neste caso é Eliomar Coelho, do PSOL. 

Mas, é claro que a turma dos amigos dos Barata não vão falar mal do dono dos transportes da capital. Ainda não sabemos como essa história irá acabar, mas um saldo muito positivo já podemos tirar disso tudo. 

Se a CPI não for anulada, como querem os manifestantes, ficou escancarada a forma como a política tem sido feita no Rio. Quem diariamente passa pelo centro da cidade vê nos cartazes ali pendurados, e ouve nas palavras de ordem, que a Câmara dos Vereadores precisa de um banho de democracia. E é a mobilização popular que irá garanti-la. Chega de marmelada!

Texto originalmente publicado na edição impressa 547 do Brasil de Fato

http://www.brasildefato.com.br/node/23875

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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