4 de junho de 2026

O jornalismo está em crise, mas as redes não são a resposta

Por Sergio Leo

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Comentário ao post “Mídia Ninja e Casa Fora do Eixo: a explosão do novo

Bem vinda a midia ninja e as alternativas geradas para o jornalismo por esse novo mundo das redes. Mas isso de “multiplas parcialidades” foi o que o século XVIII viu na Revolução Francesa, dos milhares de panfletos, folhas e jornais distribídos e produzidos coletivamente, colados em paredes (o facebook da época) e quetais. Dessa cacofonia, criaram-se pontos focais de informação abrangente e confiável, sempre sujeitos a contestação e evoluções, que se convencionou chamar imprensa. 

O modelo do jornalismo tradicional está em xeque porque é caro, tornou-se presa da financeirização que comanda a produção hoje em dia e não encontrou forma de se sustentar e superar os desafios da Internet e das novas maneiras de lidar com a informação, baseadas em modos de consumo fragmentados, zapeados, às vezes até com déficit de atenção. Mas não serão as casas colaborativas com jornalismo feito intiuitivamente que consolidarão uma alternativa.

Basta lembrar o fiasco e despreparo dos repórteres da midia ninja na entrevista com Eduardo Paes para entender oq ue digo (e os caras mostraram, no Roda Viva, como são articulados, inteligentes e genialmente criativos; não é uma questão de inteligência, é de técnica e experiência). Basta notar que um dos escãndalos que mais mobilizam os progressistas na Internet hoje, a corrupa dos trens nos governos do PSDB em São Paulo, está a reboque da cobertura da “velha” midia, sem contribuição original palpável e sensível da tal “massa de midias”.

Essa narrativa sobre o Roda Viva, que bota de um lado os arautos de um novo tempo e,de outro, os dinossauros em extinção, você me desculpe, Nassif, mas acho precária demais. Vi repórteres sérios, como a Susana Singer, tratar os caras com respeito e cuidado, mas abrindo espaço para que eles respondessem às críticas dos conservadores, o que eles aproveitaram muito bem (não existe pergunta inconveniente, mas respostas incosnsistentes). Nem o Torturra nem os entrevistadores assumiram esse telecatch que parte da adiência queria assistir. Como, sensatamente, comentou o próprio Torturra no Facebook (aliás, o megaimperio monopolista do Zuckerberg se encaixa onde, nessa ideia romãntica das “novas midias”?).

O jornalismo está em crise, sim. Mas as redes, se ajudam na crise e e sua solução, ainda não são a resposta.

São o meio. Falta a mensagem.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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