4 de junho de 2026

A história de Princesa Fawzia e da monarquia egípcia

MORTE NO NILO – Com 92 anos de idade, morreu no mês passado o último elo da monarquia egípcia, a Princesa Fawzia. Irmã mais velha do Rei Farouk, último Rei do Egito e ex-esposa do Xá do Irã, Mohamed Reza Phalevi, com quem se casou em 1939. Em 1945 divorciou-se de Reza Phalevi que em seguida casou-se com a Imperatriz Soraya e depois com Farah Diba.

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Conhecida como a Rosa do Nilo, Fawzia era uma das mulheres mais belas de sua época, casou-se com o Xá da Pérsia praticamente sem conhecê-lo, no estilo dos casamentos combinados pelas famíias. Logo depois de divorciar-se, casou-se novo com um aristocrata do círculo proximo à monarquia egípcia, Hussein Chirine.

Fawzia era filha do Rei Fouad e da Rainha Farida, viveu intensamente a época de ouro da Corte do Cairo, com seus 12 palácios e um mundo de festas e faustos. A corte egípcia era cercada por 300 famílias aristocráticas, quase todas de origem turca com seus palácios numa das cidades mais admiradas dos anos 30, um mundo de tal complexidade política que é dificil de entender até hoje. O Egito era um País independente desde 1918, quando acabou o Império Otomano, do qual o Egito era uma província mas desde 1882 era dominado pelos ingleses mas sob completa influência da cultura francesa, que vinha desde Napoleão.  O dinheiro e o jornal oficial eram em francês, assim como o dinheiro, parte da imprensa, a correspondência comercial e a vida cultural. Mas o controle político era britânico e assim continuou até a revolução de 1952, que acabou com a monarquia e com o domínio britânico. Uma interessante descrição da luxuosa vida no Cairo durante a Segunda Guerra está no livro de Artemis Cooper, Cairo in the War 1939-1945, a guerra entre ingleses, italianos e alemães corria solta no deserto, com Rommel de um lado e Montgomery de outro, mas a vida social na capital egípcia corria normal e esfuziante, sendo o Egito tecnicamente neutro, apesar de ser teatro de guerra e de grandes batalhas.

O Rei Farouk era um personagem folclórico, estudou na Inglaterra mas o staff do palácio Abdine onde nasceu e viveu era todo italiano e o eletrecista do palácio, Antonio Pulli,  era seu maior amigo e confidente. Ao exilar-se foi morar na Itália onde morreu simbolicamente em um restaurante ao lado de sua amante italiana comendo um lauto prato de lagosta a thermidor.

Fawzia foi o elo que ligou as duas mais importantes monarquias muçulmanas dos anos 30 e 40, uma sunita e a outra xiita, todavia bastante ocidentalizadas. Nasceu e morreu em Alexandria, mas frequentava a Suíça, onde morava sua filha.

http://www.flickr.com/photos/askamel/sets/72157603961724708

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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