4 de junho de 2026

Religião e sexualidade, o conflito vivido por um judeu

Sugestão de Tamára Baranov

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Do Terra

Judeu ortodoxo gay desafia preconceito como drag queen

Shahar Hadar convive com o conflito entre a religião que segue e sua sexualidade

Shahar Hadar, 34 anos Foto: AP

O israelense Shahar Hadar, 34 anos, deixa de lado a timidez e o solidéu branco perto da meia-noite e assume a identidade de Rebbetzin Malka Falsche, com uma peruca loira e um vestido de veludo rosa, para cantar em bares gays de Jerusalém. Judeu ortodoxo, Hadar convive com o conflito entre a religião e sua condição de gay. “Com a ajuda de Deus, você tem força para superar tudo”, diz.

Gays judeus ortodoxos, como setores de outras comunidades religiosas, são obrigados a se casar com uma mulher ou são forçados a abandonar a família e a religião. Mas, enquanto o judaísmo ortodoxo geralmente condena a homossexualidade, há um crescente grupo de judeus disposto a enfrentar esse tabu e exigir um lugar na comunidade religiosa.

“Por mais que eu fugisse, os céus deixaram claro para mim que isso é o que eu sou”, afirmou Hadar enquanto se preparava para a parada do orgulho gay anual de Jerusalém, realizada na última quinta-feira.

Operador de telemarketing durante o dia, Hadar se apresenta em bares como drag queen à noite. Montado, ele é Rebbetzin Malka Falsche, fantasia de uma ajudante de rabino. “Ela abençoa e ama a todos”, diz Hadar. O nome artístico é uma brincadeira com uma palavra hebraica que significa “rainha” e uma gíria em hebraico para “fake”.

O “encontro” de Hadar com Rebbetzin Malka Falsche aconteceu quando ele tinha 19 anos. Na juventude, ele usava um solidéu branco e recitava orações em seu quarto. Saiu de casa para se inscrever em um seminário religioso em Jerusalém na esperança que isso o fizesse parar de pensar em homens.

Depois de um breve encontro noturno com seu companheiro de quarto no seminário, Hadar foi expulso e transferido para outro centro de estudos. Ele acabou se casando com uma mulher. “Eu queria seguir o caminho que (Deus) ordenou. Que eu não vejo nenhuma outra opção”, disse Hadar. “Pensei que o casamento me mudaria e gostaria de ser ‘curado’.”

A mulher, ultraortodoxa, acabou pedindo o divórcio ao descobrir a condição sexual de Hadar e, até hoje, não deixa que ele conviva com a filha do casal, de 11 anos.

Ele conta que enfrentou preconceito em casa, quando uma de suas irmãs também pediu o divórcio ao descobrir que o marido era gay. Hadar relata uma conversa que ouviu na mesa de jantar: “os gays são humanos?”, perguntou sua irmã.

Alguns anos mais tarde, em 2010, ele reuniu coragem para participar da parada do orgulho gay de Tel Aviv. Quando voltou para casa naquela véspera de sábado, finalmente disse a sua mãe que era gay. “Pensei que seria o dia mais negro da minha vida”, disse Hadar, mas ela aceitou.

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados