Por Marco Antonio L.
Da Agência Brasil
Brasília: manifestação termina com bombas de gás e depredações
A manifestação na capital federal, que reuniu, segundo a Polícia Militar (PM), cerca de 30 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, na área em frente ao Congresso Nacional, terminou por volta 23h30, com ação da (PM). Bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha foram utilizadas para dispersar os manifestantes. A ação da polícia foi precedida por diversas tentativas de manifestantes de furar o bloqueio formado em frente ao Congresso
Segundo o comando da PM, foram registradas 125 ocorrências. Dentre elas, cortes provenientes de pedradas, além de pequenos ferimentos. Nas tendas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), manifestantes foram atendidos com ferimentos graves provenientes de balas de borracha. Três pessoas foram presas e dez policiais ficaram feridos.
No começo da tarde, o centro de Brasília já dava sinais do clima da passeata, que vinha sendo organizada por redes sociais ao longo da semana. Famílias e muitos jovens caminhavam em direção ao Museu da República e pediam por um Brasil melhor. Com cartazes e palavras de ordem, as pessoas protestavam contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37 , que limita o poder de investigação do Ministério Público, contra a corrupção e pedindo a saída do deputado Pastor Marco Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
Por volta das 17h, a multidão partiu para o Congresso Nacional. Até então, o clima era pacífico e celebrava a mobilização popular. Antes, reunida no gramado, parte dos manifestantes tentou alcançar o Palácio do Planalto, mas foi contida pela PM. A atmosfera tranquila, no entanto, acabou quando um grupo invadiu o Palácio do Itamaraty. Várias pessoas aplaudiram a ação da polícia, que expulsou os invasores.
Após a invasão, milhares de pessoas deixaram a manifestação. No entanto um pequeno grupo continuou tentando furar o bloqueio em frente ao Congresso. A polícia passou a responder com bombas de gás lacrimogêneo. Uma série de pessoas deixou a área em frente à sede do Legislativo federal e passou a cometer atos de vandalismo, depredando várias placas, paradas de ônibus e radares de trânsito.
Focos de incêndio podiam ser vistos ao longo do gramado. Mais cedo, um grupo havia ateado fogo em estruturas de lonas que estavam no gramado da Esplanada dos Ministérios. Uma parte dos manifestantes gritava “sem vandalismo” durante a ação. As estruturas foram montadas para abertura da Copa das Confederações, no último sábado (15), onde foram instalados telões para os torcedores acompanharem a estreia da seleção brasileira na competição. Um vitral da Catedral de Brasília foi quebrado na ação dos vândalos.
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Do iG
Em Brasília, polícia monitora cerca de 50 ‘laranjas podres’ em manifestação
PM do DF montou operação com cerca de 3,5 mil homens, orientados a só usar força em caso de necessidade; suspeitos de depredar patrimônio são acompanhados de perto
Wilson Lima
Durante os protestos desta quinta-feira em Brasília , a Polícia Militar do Distrito Federal vai monitorar um grupo de aproximadamente 50 pessoas suspeitas de terem incitado a depredação de prédios públicos nas três manifestações ocorridas anteriormente na capital federal.
Segundo militares ouvidos pelo iG , essas 50 pessoas, chamadas pelos próprios policiais de “laranjas podres”, fazem parte de três “tribos”. O nome destas tribos é guardado em sigilo para evitar desgastes desnecessários com os demais manifestantes. A PM espera que, durante os protestos, os manifestantes convençam essas suspeitos a evitar depredações ou ato de vandalismo.
Se esse grupo partir para atos de vandalismo, a PM já tem um plano de ação que prevê a prisão dos membros pegos em flagrante. Nos protestos em Brasília, foram destacados aproximadamente 3,5 mil policiais militares. Mas esse contingente somente será utilizado caso realmente a expectativa de presença de 50 mil pessoas seja confirmada. A PM programou a adoção de um contingente de um policial para cada 10 a 15 manifestantes.
O Plano de Ação da PM para essa manifestação em Brasília, a princípio, prevê apenas o acompanhamento dos manifestantes. Eles estão proibidos de invadir o espelho d’água do Congresso Nacional ou subir nas dependências da Casa Legislativa, como ocorreu na segunda-feira passada.
O gerenciamento de crise da PM, coordenado pelo coronel Amorim, tem cinco níveis de atuação. Se houver incitação da violência, cresce esse nível de atuação da PM. O nível dois, por exemplo, prevê a dispersão de manifestantes com o uso de cães; o nível três, o uso da cavalaria e o nível cinco, o extremo, a adoção de homens do Batalhão de Missões Especiais da Polícia Militar do DF. Nesses casos, são usados gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral.
Foram deslocados 80 homens da calaria, mas a PM não informou o número de policiais do Batalhão de Missões Especiais envolvidos nessa operação. Esses homens estão alocados em um posto avançado e podem chegar ao local das manifestações em um tempo máximo de três minutos.
“As manifestações daqui tem um caráter diferente do que ocorreram em São Paulo. Além disso, não queremos utilizar a força. Há policiais aqui pais de família e alguns até que tem filhos nessa manifestação. É desgastante para a polícia intervir de forma mais incisiva”, disse o sargento Daniel Quezado. “O nosso trabalho é garantir que todos exerçam a sua cidadania”, completou o tenente coronel Zilfrank Autelo.
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