4 de junho de 2026

O prenúncio do fim de um ciclo político?

Minhas reflexões são precárias. Toda época que prenuncia alteração profunda de rota é, por definição, caótica. E a análise presente sobre esses acontecimentos tem a mesma natureza, obviamente.

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Talvez um ciclo (político, não necessariamente econômico) esteja caminhando para o seu epílogo.

Afinal, ao término do mandato da Dilma terão passados 12 anos do PT na cabeça do Executivo Federal. Não digo que o PT e Dilma personificam o poder, porque ele – o poder – é bem partilhado, temos o pluralismo no Congresso e ainda o Judiciário, sem falar dos demais entes da federação – Estados, DF e Municípios, cada qual com sua fração de poder; há ainda o poder da mídia, o poder econômico (mercado) e o poder “invisível” a que se referio Bobbio (“os Dantas” da vida).

Eu defendo o governo Dilma, seus avanços na área social, e meu o voto vai para sua reeleição. Penso que a inclusão social ainda é um objetivo a ser perseguido.

Mas tenho bem claro que toda essa movimentação dos jovens da classe média clama por mudanças, mesmo que não tenham bem claro para onde ir, se rumam à esquerda ou à direita.

A direita quer mudanças também. Assim, mesmo que por linhas tortas, há uma confluência de interesses.

A minha geração (da classe média) acompanhou e participou da luta para eleger Lula presidente. Depois, foi a Dilma.

Elegemos Lula/Dilma porque queríamos mudanças em relação ao modelo privatista e neoliberal do FHC, seus dois mandatos não priorizaram as políticas de inclusão.

À época havia uma alternativa bem clara ao modelo FHC: o PT, seus aliados e, principalmente, Lula, seu carisma e sua capacidade de luta, agregação e negociação.

A bandeira era a inclusão social e o emprego. Lula o gestor e avalista do projeto. Um projeto sem uma única e grande ruptura, mas de pequenas e continuas transformações. Meta de longo curso, mas em águas não muito revoltas. Estratégia para não enfurecer o conservadorismo reinante.

Em síntese apertada, esse foi o pacto da minha geração com Lula.

Em que pese as dificuldades, o “contrato” foi (e vem sendo) cumprido. Tem a conjuntura internacional que atrapalha. E, internamente, o conservadorismo, inclusive da grande mídia.

Essa gurizada que está na rua não viveu a fase anterior ao Lula. Ao contrário, esses jovens são “frutos” dessa era do “lulopetismo”.

Estão em outro patamar de exigências, portanto. E não carregam na memória como o Brasil era anteriormente.

Mais: querem mudanças. Mas não as bandeiras da geração anterior.

Eles querem mudanças. Porém, diferentemente da geração anterior, não há uma liderança ou partido que lhes espire confiança ou que possam fazer a “representação”. O PSDB e Aécio, por exemplo, não desempenham a função que o PT e Lula desempenharam no passado, como projeto de poder alternativo.

Por isso, percebo que um ciclo pode estar se encerrando.

O que vem por aí?

Processos desse gênero não revelam a priori o seu resultado, ainda mais quando o próprio movimento não vê uma luz ao final do túnel.

Possivelmente minhas conclusões sejam exageradas. Possivelmente…

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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