4 de junho de 2026

Comissão Nacional da Verdade falha na comunicação, diz grupo

Do Estadão

Instituto vê falta de transparência na Comissão Nacional da Verdade

Relatório feito em parceria com grupos ligados aos direitos humanos avalia atuação do colegiado no último ano e diz que falta espaço para sociedade participar

 
O Estado de S. Paulo

O Instituto de Estudos da Religião (Iser) apontou críticas na forma como a Comissão Nacional da Verdade (CNV) vem conduzindo as investigações sobre crimes políticos cometidos por agentes de Estado durante o regime militar. Relatório elaborado em conjunto com grupos de defesa dos direitos humanos, o instituto diz que falta transparência por parte do colegiado.

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A avaliação faz parte das conclusões parciais do relatório que será apresentado na tarde desta sexta-feira, 14, às entidades convidadas a avaliar o primeiro ano de atuação da Comissão. O texto final do documento será formalizado até a próxima semana.

Para o grupo, a CNV falha ao não publicar resultados parciais dos trabalhos realizados e por não atender aos pedidos de informação feitos pelos movimentos ligados ao tema. “Faltam esclarecimentos sobre os procedimentos seguidos para o levantamento, sistematização e tratamento das informações que comporão o relatório final da CNV, assim como para a coleta de depoimentos e testemunhos”, diz o texto.

O instituto também cobrou mais abertura para participação da sociedade civil nos processos da CNV. “Cabe ressaltar que durante o primeiro ano de atuação da CNV foram reivindicados formatos mais participativos. Porém, os mecanismos criados pela comissão para responder a essas demandas são considerados insuficientes”, diz a prévia do relatório, que sugere mais tempo de fala durante as audiências e aumentar o número de encontros.

O relatório, no entanto, elogiou o “esforço” da comissão por analisar documentos e coletar depoimentos que ajudaram a esclarecer parte dos casos ocorridos na ditadura. Como exemplo, o documento destacou a alteração do atestado de óbito de Vladmir Herzog. Em 2012, a Justiça de São Paulo atendeu ao pedido da comissão e determinou que passasse a constar como causa da morte “lesões e maus tratos sofridos durante o interrogatório em dependência do 2º Exército (DOI-Codi)” e não mais “asfixia mecânica”.

Em maio, quando a comissão completou um ano de atividade, o colegiado apresentou balanço parcial. Além de mostrar mapa preliminar dos centros de detenção e tortura no País, o colegiado acusou a Marinha de ocultar informações e afirmou também que houve práticas de tortura antes da instauração do AI-5, que aumentou a repressão durante a ditadura. Os trabalhos de investigação da CNV serão realizados até dezembro de 2014, de acordo com cronograma definido pela presidente Dilma Rousseff.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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