Comentário ao post “Debate ideológico na escuridão, e o PT se cala”
Esses apoios religiosos são como Cavalo de Troia. Num primeiro momento parecem um presente. Fazem discursos elogiando a presidenta junto a indecisos, ajudam a evitar CPIs, dão tempo de TV.
Mas depois não revelam fidelidade nenhuma, pedem mais e mais como numa areia movediça. Endireitam o governo e fazem o PT perder algumas simpatias que tinha sem que o ajude a ganhar novas. Afinal, eleição para executivo não é eleição para legislativo.
Se olharmos a evolução do Congresso nos últimos 30 anos (vide gráfico) veremos que tudo muda pouco, embora mude de nome.
Grosso modo, os partidos fisiológicos-moralistas (PP/PSC/PR/PRB) dividiram com PSD e DEM o espólio da Arena. Mas é tudo direita como sempre foi.
Costelas do PMDB, como PSDB, PPS, PV atingiram seu auge em 1998. No começo com um discurso de centro-esquerda, depois de centro-direita (o tal do social-liberalismo).
Por seu turno, os hoje autodenominados centro-esquerda disputaram também o eleitorado do antigo MDB. Com um discurso que lembra também o do PMDB dos anos 1980.
No fim tínhamos um país dividido em direita/centro, e agora é mais ou menos igual, só que com direita, centro-direita e centro-esquerda que faz o papel de centro (e as frequentes coligações de PSB e PDT com PSDB são tão emblemáticas como as de PT com PSC e PP.)
A dificuldade do PT em aumentar sua bancada de deputados, além da estabilidade registrada desde 2002, apesar de bem sucedidos governos no executivo federal, pode ser pressentida com tudo o que vemos. Não parece que passará de 20% do Congresso.
Parece que é mais fácil que o país vire um país de “classe média”, como alguns estados já são, do que venha a haver algum crescimento subsequente do pensamento de esquerda. Não há modo, não há caminho de convencer o brasileiro médio a pensar assim.
Convencer de maior justiça social, no estilão “social-democracia europeia de pós-guerra”, é sim, no entanto, possível. Mas PSDB, PMDB, PSB não recusam esse jogo.
Então, temas comportamentais e de valores, como o secularismo, crescerão mais e mais na discussão política, apesar da estabilidade econômica.
Foi assim na Europa e EUA dos anos 1960 e 1970, não tem porque não ser na América Latina de agora. Qualquer semelhança com a “Pirâmide de Maslow” não é mera coincidência.
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