4 de junho de 2026

Semana com divulgação de resultados positivos alivia governo

Por Marco Antonio L.

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Da Rede Brasil Atual

Semana pós PIB e Copom alivia governo com divulgação de resultados positivos

Produção industrial aumentou, inflação subiu menos e preços de alimentos mostraram sinais de queda 

Passado o momento do tomate, os preços do feijão preocupam, mas o IPCA de maio fechou na menor taxa em 12 anos

São Paulo – A economia brasileira ainda inspira cuidados e é motivo de justificadas preocupações, mas esta semana pós PIB e Copom foi de algum alívio para o governo, com a divulgação de indicadores econômicos positivos – à exceção do setor externo. Os dados podem indicar alguma recuperação à vista, mas os sinais ainda não são totalmente sólidos, embora melhores.

Um dado que surpreendeu positivamente foi o da produção industrial, que, segundo o IBGE, cresceu 1,8% de março para abril, na segunda alta mensal seguida. Na comparação com abril do ano passado, a alta foi de 8,4%, a maior nessa base de comparação em quase três anos. A atividade sobe 1,6% no ano, mas ainda apresenta queda em 12 meses, embora em intensidade menor. O instituto informou que abril teve “perfil generalizado de crescimento”.

Ainda nesse setor, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) relatou que desonerações e outras medidas do governo reduziram os ritmos de crescimento de custos no primeiro trimestre. De acordo com a entidade, “a desoneração da folha de pagamentos e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis e eletrodomésticos contribuíram para essa perda de ritmo de crescimento dos custos tributários observada desde o último trimestre de 2012, quando houve alta de somente 0,3% no indicador frente a igual período de 2011”.

Também foi o segundo trimestre seguido em que os custos subiram menos que os preços dos produtos, o que é fundamental, diz a CNI, para recuperar margens de lucros – e isso permite que as indústrias executem seus projetos de investimentos, acrescenta. Para a entidade, o problema está na taxa de câmbio, que estaria comprometendo a competitividade do setor.

No último dia da semana, dois indicadores diretamente ligados ao dia a dia: inflação e alimentos. O IBGE divulgou o IPCA, a inflação oficial, que teve em maio sua menor taxa em 11 meses (0,37%). É cedo ainda para falar em tendência declinante, porque o índice de junho trará os impactos dos reajustes de tarifas de transportes públicos e certamente será maior que o de igual mês de 2012 (0,08%). Mas foi um resultado animador considerando, por exemplo, os preços dos alimentos, cuja alta foi de 0,31%, muito abaixo dos 0,96% de abril, e a menor desde março do ano passado. Muitos produtos ficaram mais baratos de um mês para o outro, até o outrora vilão tomate, que caiu mais de 10%. Por outro lado, o feijão mulatinho avançou 16,58%, seguido pela cenoura, com 7,33%.

E o Dieese informou que, pela primeira vez em seis meses, o custo da cesta básica em maio caiu na maioria das capitais pesquisadas. E o principal fator de queda veio de produtos como tomate, óleo de soja, café em pó, carne bovina e açúcar. A maioria integra a lista de desonerações.

O principal dado negativo da semana veio da balança comercial, que teve o menor superávit (US$ 760 milhões) em 11 anos para meses de maio. No acumulado do ano, o país acumula déficit de US$ 5,392 bilhões, o maior da série histórica.

A agenda da semana que vem prevê os resultados do comércio varejista no país, um outro termômetro de consumo, principal motor da economia brasileira.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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