A pedido da turma da coluna, a historiadora Mary Del Priore destacou três dias daquele maio de 1888, portanto há 125 anos, que aboliu oficialmente a escravidão negra do Brasil:
3 de maio
Na Fala do Trono, proferida no dia, a princesa Isabel, então Regente, mencionou a “extinção do elemento servil pelo influxo do sentimento nacional […] aspiração aclamada por todas as classes […] para que o Brasil se desfaça da infeliz herança”. Aplausos e simpatia. Mas não se falava em data.
11 de maio de 1888
É lido no Senado o projeto de lei declarando extinta a escravidão no Brasil, remetido pela Câmara dos Deputados. A comissão especial dá no mesmo dia parecer favorável à proposição.
13 de maio de 1888
Aprovada em última discussão no Senado a proposição que declarava extinta a escravidão, no mesmo dia é sancionada pela princesa Isabel. Vestida de branco-pérola e rendas valencianas, ela assinou a lei com uma caneta cravejada de brilhantes. Ela ganhou um buquê de camélias e, depois, foi para o balcão apoiada pelo antigo ministro Cotegipe. Ao perguntar-lhe o que achava do gesto, o velho político respondeu: “Redimiste, sim, Alteza, uma raça; mas perdeste vosso trono…”. Eram cerca de 15 horas.
Em tempo: as camélias, originalmente cultivadas por escravos fugitivos num quilombo no Leblon, atual Zona Sul do Rio de Janeiro, viraram símbolo do movimento abolicionista.
Quem levasse uma na lapela ou as exibisse no seu jardim demonstrava seu protesto contra a escravidão.
Deixe um comentário