4 de junho de 2026

O embaixador John Crimmins e a ditadura militar

Comentário ao post “Para EUA, governo militar brasileiro era “paranoico”

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O Embaixador John Crimmins teve um problema para libertar um americano, Fred Morris, preso pelo regime militar brasileiro, exatamente nesse época do telegrama. È preciso ler todo o texto para evitar a interpretação que diz ser o regime paranoico. Na realidade o que ele dize é que os militares brasileiros tinham uma atitude paranoica sobre a ameaça comunista, o que é coisa bem diferente. Provavelmente o caso Morris influenciou essa percepção, o que  nessa fase de transição das presidencias Medici para Geisel era uma realidade, que passou a mudar com  Geisel de 74 a 78 e a preparação para a abertura democratica. 73 foi o auge da fase repressiva do regime e o telegrama reflete exatamente o predominio da linha dura. Por outro lado mostra o NÃO ALINHAMENTO da Embaixada com o regime, que é um mantra da esquerda de hoje, que continuamente alega que o Governo brasileiro era controlado pelos EUA, o telegrama mostra que isso era uma inverdade.

Crimmins era nativo de Worcester, pequena cidade perto de Boston, onde minha mãe foi criada e parte de minha familia materna morou durante todo o Seculo XIX. Crimmins era um diplomata de carreira, falava espanhol e português e foi Subsecretario de Estado para a America Latina (hoje seria Secretario Assistente para Assuntos do Hemisferio Ocidental).Portanto era a opinião pessoal dele em um telegrama interno naquele determinado momento, não é a opinião “”dos EUA”” Depois de terminar sua carreira Crimmins promovia um almoço trimestral com diplomatas aposentados que tinham atuado na America Latina, o que o tornou bem conhecido. Morreu se não me engano em 2005 ou 2006,  tinham dois filhos, Crimmins era um profissional da melhor qualidade, dos bons embaixadores no Brasil, no nivel de Donna Hrinak e Tom Shannon.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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