Os ecos de sexta feira da Paixão sempre me acompanharam, mesmo depois que descri.
Na Semana Santa, Poços de Caldas era mais sulmineira do que tudo. Perdia o ar semi-cosmopolita das temporadas e fins de semana para mergulhar no misticismo da quaresma e no renascimento da Páscoa.
A procissão percorria as ruas da cidade, o comércio fechava as portas, os bares se calavam. Atrás do andor caminhavam pais e mães de família com ar contrito, senhoras rezadeiras e as meninas mais certinhas dos Colégios São Domingos e Maria José.
Nos momentos mais solenes, ouvia-se a voz poderosa de Verônica, entoada por uma senhora negra cujo nome me falta agora. Meses atrás, em uma rodada em Poços conheci seu sobrinho, preservando as raízes musicais da família.
Que tal um mutirão para levantarmos os rituais de sexta-feira da Paixão por todo o país?
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