“Fazia dois meses que o governo se preocupava seriamente com o caso do rinoceronte fugido, havendo organizado o belo Departamento Nacional de Caça ao Rinoceronte, com um importante chefe geral do serviço, que ganhava três contos por mês e mais doze auxiliares com um conto e seiscentos cada um, afora grande número de datilógrafas e ‘encostados’. Essa gente perderia o emprego se o animal fosse encontrado, de modo que o telegrama de Dona Benta os aborreceu bastante. Em todo caso, como outros telegramas recebidos de outros pontos do país haviam dado pistas falsas, tinham esperança de que o mesmo acontecesse com o telegrama de Dona Benta. Por isso vieram. Se tivessem a certeza de que o rinoceronte estava mesmo lá, não viriam!” — em ‘Caçadas de Pedrinho’, de Monteiro Lobato.
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Fiquei curioso sobre esse livro e fui lê-lo. Racista ou não, bem que o escritor criou uma boa imagem de uma parte do serviço público. Sobre o racismo de Monteiro Lobato, o que dizer? Claro que ele era racista. Quem da elite daquele tempo não era?! De toda forma, o livro serve, sim, como ferramenta educativa, com a devida orientação dos professores. Mas será que os mestres estão mesmo preparados para lidar com temas sensíveis como o racismo? Há também a questão politicamente incorreta da própria “caçada” tema do livro. O volume já se inicia com o assassínio de uma onça. Ainda não existia muita convicção da necessidade de preservar as espécies, do mesmo modo que não havia a crença de que os homens eram portadores dos mesmos direitos, independentemente de sua cor. Tudo isso pode ser catalizador de um fértil debate em sala de aula. Gostei da leitura.
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