4 de junho de 2026

‘Caçadas de Pedrinho’, polêmico livro de Monteiro Lobato

“Fazia dois meses que o governo se preocupava seriamente com o caso do rinoceronte fugido, havendo organizado o belo Departamento Nacional de Caça ao Rinoceronte, com um importante chefe geral do serviço, que ganhava três contos por mês e mais doze auxiliares com um conto e seiscentos cada um, afora grande número de datilógrafas e ‘encostados’. Essa gente perderia o emprego se o animal fosse encontrado, de modo que o telegrama de Dona Benta os aborreceu bastante. Em todo caso, como outros telegramas recebidos de outros pontos do país haviam dado pistas falsas, tinham esperança de que o mesmo acontecesse com o telegrama de Dona Benta. Por isso vieram. Se tivessem a certeza de que o rinoceronte estava mesmo lá, não viriam!” — em ‘Caçadas de Pedrinho’, de Monteiro Lobato. 

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Fiquei curioso sobre esse livro e fui lê-lo. Racista ou não, bem que o escritor criou uma boa imagem de uma parte do serviço público. Sobre o racismo de Monteiro Lobato, o que dizer? Claro que ele era racista. Quem da elite daquele tempo não era?! De toda forma, o livro serve, sim, como ferramenta educativa, com a devida orientação dos professores. Mas será que os mestres estão mesmo preparados para lidar com temas sensíveis como o racismo? Há também a questão politicamente incorreta da própria “caçada” tema do livro. O volume já se inicia com o assassínio de uma onça. Ainda não existia muita convicção da necessidade de preservar as espécies, do mesmo modo que não havia a crença de que os homens eram portadores dos mesmos direitos, independentemente de sua cor. Tudo isso pode ser catalizador de um fértil debate em sala de aula. Gostei da leitura.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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