4 de junho de 2026

A limitação de salários abusivos de executivos na Suíça

Do Terra

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Suíços aprovam limitar salários abusivos de altos executivos

Os suíços aprovaram neste domingo, com cerca de 60% dos votos, a iniciativa popular para limitar os salários astronômicos e abusivos dos altos executivos, segundo as primeiras projeções do principal instituto de pesquisas da Suíça.

Em Genebra, onde a votação já terminou, 67,7% dos eleitores votaram “Sim” à iniciativa Minder de limitação dos salários. Em Zurique, a votação ainda não fechou, mas a aprovação é de quase 70%.

A iniciativa popular é um direito da população suíça para modificar uma lei. Caso consiga reunir 100.000 assinaturas em nível federal num prazo de 18 meses, um tema pode ser submetido à votação.

O texto referendado neste domingo, chamado iniciativa Minder (nome do criador), reforça consideravelmente os direitos dos acionistas para impedir o pagamento de salários e bônus muito altos, como os 15 milhões de francos suíços (12 milhões de euros) pagos em 2011 ao diretor da farmacêutica Novartis; os 10 milhões para o chefão da alimentícia Lindt & Sprüngli, Ernst Tanner; os 12,5 milhões para o chefe da Roche, Severin Schwan; ou os 11,2 milhões para o patrão da Nestlé, Paul Bulcke.

Com a iniciativa aprovada, a Suíça “terá o direito de sociedade anônima mais rígido do mundo”, advertiram os opositores, reunidos num comitê chamado “não à iniciativa Minder”.

Segundo Thomas Minder, que dirige uma pequena empresa familiar especializada em produtos capilares e em produtos bucais, a Trybol SA, os excessos salariais dos grandes executivos se explicam pela falta de ação dos conselhos administrativos, que são “incapazes de controlar os salários da direção”, como declarou em entrevista ao jornal Le Temps.

Em vez de fazer reservas, e depois pagar um dividendo de pelo menos 5% aos acionistas, como prevê a lei, os conselhos de administração oferecem “salários astronômicos aos dirigentes antes de todo o resto”.

Minder lançou sua ideia em 2006, e foi preciso que ele esperasse sete anos para que o texto finalmente fosse apresentado aos eleitores, pois o Parlamento suíço se opôs ferozmente à ideia, para adotar de última hora uma contra-proposta menos ambiciosa.

Depois de aprovado, será preciso esperar mais de um ano antes que ele seja efetivamente aplicado.

O governo suíço deverá redigir um projeto de lei respeitando as principais disposições da iniciativa, e depois levar ao parlamento para aprovação.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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