Jornal GGN – Embora tenha fechado as negociações de quinta-feira (29) em alta, a bolsa de valores não conseguiu manter o ritmo de alta apresentado no começo das negociações, e voltou a ficar abaixo dos 50 mil pontos. A desvalorização de algumas ações blue chips (papéis com maior liquidez no mercado) acabou levando o índice a perder força, e esse quadro se acentuou após a divulgação de novas informações sobre a Síria. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) subiu 0,11%, aos 49.921 pontos e com um volume negociado de R$ 6,052 bilhões. O índice acumula na semana uma perda de 4,36%, ao passo que a desvalorização registrada no ano chega a 18,10%.
Os papéis da OGX voltaram a puxar o ritmo de queda da bolsa – OGXP3 perdeu 10,53% no dia – por conta da série de notícias negativas envolvendo seu controlador, o empresário Eike Batista. Além disso, Eike alienou o equivalente a 1,54% do capital social da petrolífera (cerca de 49,806 milhões de ações) no pregão de quarta-feira (28).
Para analistas, na queda das ações da Vale – Vale PNA (VALE5) caiu 1,44%, enquanto Vale ON (VALE4) registrou queda de 2,35% – , houve uma devolução da recente alta registrada, ao passo que as ações da Petrobras (queda de 1,24% para PETR3, e de 1,52% para PETR4) ainda sentiram a falta de definição do governo quanto ao reajuste dos preços dos combustíveis.
Segundo informações do serviço Broadcast, da Agência Estado, o mercado também perdeu força devido a convocação de uma teleconferência de funcionários da Casa Branca com parlamentares norte-americanos para apresentar as descobertas realizadas pelo serviço de espionagem do país.
“O Copom também afetou as negociações. É algo usual que a Selic suba e afete a área imobiliária, e a Selic também afeta a microeconomia, ao fortalecer o cenário futuro de inflação no sentido de reduzir as taxas”, explica o analista Elad Revi, da corretora Spinelli. “De forma geral, (a taxa de juros) beneficia alguns setores que tenham grandes pressões de margens. As empresas estão indo ao limite para não repassar os custos aos consumidores, mas uma hora vai ter que ter repasse”.
A cotação do dólar no balcão encerrou o dia em alta de 1,36%, a R$ 2,3780. A revisão para cima das estimativas de crescimento dos Estados Unidos no segundo trimestre dá respaldo para que comece o ciclo de redução dos estímulos por parte do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano). Para conter a alta, o BC brasileiro anunciou a realização de um novo leilão cambial nesta sexta-feira (30), uma operação que não faz parte do cronograma de operações anunciado recentemente.
“Na realidade, a pressão forte da melhora da economia norte-americana faz com que o dólar fique mais forte, e vai ter que continuar no radar de acompanhamento”, diz Revi. “Por um lado, existe um interesse do governo quanto às contas públicas e pelas empresas que atuam com exportação, pois o câmbio mais desvalorizado os beneficia – e não estamos falando de dólar a R$ 2, mas a R$ 2,40. por outro lado, não se pode ter o dólar continuamente em alta, pois isso afeta a inflação e a política fiscal”. O analista ressaltou que o controle das taxas é um dos pontos que foi recentemente abordado pela presidente Dilma Rousseff, ressaltando que as margens serão ajustadas quando a questão cambial estiver mais controlada.
Na agenda econômica, o destaque da sexta-feira fica com a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro referente ao primeiro semestre do ano, assim como os dados de política fiscal, que serão publicados pelo Banco Central. No exterior, foco para os números de desemprego e de confiança da economia na zona do euro, além dos dados de renda e gasto pessoal dos Estados Unidos e do discurso de James Bullard, representante do Federal Reserve de St. Louis.
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