Jornal GGN – Um novo tipo de repelente está fazendo sucesso em uma campanha de financiamento coletivo pela internet. Batizado de Kite, o produto usa uma composição química que garante tornar o usuário “invisível” aos mosquitos por até 48h. O produto inovador, que pode ser colado em qualquer parte da roupa e dispensa elementos nocivos ao meio ambiente, está perto de atingir a meta de US$ 385 mil para prosseguir com seu aprimoramento.
Ao desenvolver o produto, seus idealizadores pensavam em criar meios mais eficientes e menos nocivos para serem usados por populações de países em desenvolvimento, que sofrem com doenças transmitidas por picadas de mosquitos e pernilongos, como a malária. O adesivo se baseia em estudos de 2011, que mostraram que certos compostos químicos podem inibir os receptores de dióxido de carbono (CO2) dos mosquitos. Mal cheirosos, esses compostos criam um tipo de “campo de força” capaz de desorientar os insetos, que localizam os seres humanos pela exalação de CO2 na respiração.
Os resultados com o protótipo do produto foram satisfatórios, mas a equipe está aprimorando os compostos utilizados no adesivo porque a fórmula original ainda seria considerada tóxica por autoridades sanitárias dos EUA, onde o adesivo é desenvolvido. Agora, contudo, o pequeno grupo de desenvolvedores se juntou a uma empresa especializada em adquirir propriedade intelectual e no investimento de projetos inovadores.

Toxicidade
Os desenvolvedores do produto estão trabalhando com compostos não tóxicos que interferem na capacidade dos mosquitos em detectar, a uma longa distância, a presença humana através do CO2 expelido, assim como neutralizar os sentidos básicos dos insetos que captam odores humanos. Tais produtos químicos, que geram um “cheiro agradável fraco”, passarão a constar na fórmula no adesivo. A versão final do produto ainda será mais barata do que o estimado, segundo os desenvolvedores.
As mudanças feitas no produto serão testadas em Uganda até o final do ano. “Realmente, o que estamos fazendo é criar um processo rápido de desenvolvimento científico, um processo de prototipagem rápida e, em seguida, um movimento muito agressivo para a estratégia de mercado”, explica Grey Frandsen, vice-presidente da ieCrowd, empresa que se tornou parceira do adesivo repelente de mosquitos. A iniciativa também já conta com apoio de outras instituições, como a National Institutes of Health, a Fundação Bill e Melinda Gates e o instituto de pesquisa do exército norte-americano Walter Reed.
Testes de campo
Todo o dinheiro arrecadado está sendo investido em testes de campo, e 20 mil amostras do produto – que somariam cerca de 1 milhão de horas de cobertura – já foram enviadas para um distrito em Uganda, país que sofre com incidências de malária. A meta é ampliar o fornecimento do adesivo e expandir a cobertura a quatro milhões de horas em três distritos políticos no país. Os testes de campo vão ajudar a aprimorar o produto em relação às condições climáticas e de adaptação do produto no sentido de determinar se o alcance e eficácia são comprometidas em certas circunstâncias.

O produto está sendo testado também nas montanhas rochosas do Canadá e na Flórida, nos EUA, mas os desenvolvedores reconhecem que apenas os testes de campo na África é que vão definir a eficácia do produto e se mais aprimoramentos precisarão ser feitos. “É realmente a maneira única de fazer o desenvolvimento do produto”, diz o relatório do primeiro teste de campo mais extenso.
Veja o vídeo do produto:
Com informações da Wired
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