4 de junho de 2026

Como a crise financeira ajudou a transformar grandes bancos globais em “reis das commodities”

Jornal GGN – Uma consequência nada intencional transformou o papel dos maiores bancos de Wall Street: um aliado nos mercados de commodities globais. A afirmação é do portal de economia Business Insider. As ramificações da crise financeira, segundo a publicação, tiveram uma repercussão bastante inesperada.
 
A construção de enormes portfólios de petróleo, gás natural, metais e outros, FDIC segurado e holdings não pertenceriam às grandes instituições financeiras, que, por sua vez, não encarariam esta realidade alternativa, nem mesmo constituiriam tamanhas carteiras.
 
Em julho passado, o New York Times acusou o Goldman Sacks de usar seus armazéns de alumínio, por exemplo, para manipular o preço da commodity. O banco negou veementemente, mas o boato custou bilhões aos consumidores. Já o JP Morgan apenas concordou em pagar uma multa de US$ 410 milhões para se livrar das acusações de manipulação de estratégias de negociação nos mercados de energia.
 
Em setembro, segundo o periódico, mais um capítulo desta história deve ser escrito: o Fed se pronunciará sobre o que os bancos poderão ou não fazer para manter as commodities físicas que adquiriram nestes cinco anos pós-crise. Uma espécie de lista de regras, onde o próprio Fed poderá corrigir erros que cometeu enquanto estava “dormindo ao volante”, permitindo que as empresas de commodities em bancos ficassem ainda maiores. Tudo para “suavizar as regras e lubrificar as engrenagens”, diz o texto crítico.
 
Um pouco de história
 
Em 1956, uma lei chamada Bank Holding Companies ct (BHCA) impediu que qualquer empresa detentora de um banco comercial (uma holding bancária) se engajasse em atividades além de seus negócios de origem. A ideia era evitar os chamados monopólios.
 
Mas em 1999, o acordo foi atenuado por uma disposição na lei Gramm-Leach-Bliley, quando os bancos pediram ao Fed permissão especial para comprar empresas não financeiras “complementares” – cujo conceito também ficou bastante vago.
 
Entre 2000 e 2012, os bancos usavam essa regra quase que exclusivamente para tirar proveito do boom das commodities e comprar ativos físicos. O primeiro a usá-lo foi o Citigroup em 2003, solicitando a permissão para vender o petróleo, gás natural e outras commodities no mercado à vista. Dois anos mais tarde, JP Morgan também entrou no mix.
 
Mas com a crise, chegou também a oportunidade. E a questão, agora, é se os bancos de Wall Street podem e devem ser autorizados a continuar no negócio de commodities.
 
O banco Morgan Stanley tem motivos para se preocupar: tornou-se um grande jogador no negócio do petróleo e energia. Em 2005, foi o segundo vendedor mais ativo do poder nos Estados Unidos. Em 2006, ele comprou um petroleiro de US$ 200 milhões. Naquele mesmo ano, adquiriu uma companhia petrolífera elevando para 11,35 dólares a ação. O Goldman Sachs não ia ficar para trás. O banco mudou-se para ativos físicos com o boom de compra de mercadorias Cogentrix Energia (que possuía usinas de energia movidas a carvão e solar, bem como um oleoduto) em 2003. E quando o sistema bancário da Europa estava de joelhos, os reguladores ordenaram que o The Royal Bank of Scotland vendesse seu negócio de commodities, por exemplo.
 
O Fed está em uma posição difícil, afirmam os especialistas em direito e economia. Para eles, “ninguém quer admitir que deixou a bola cair”. E a briga deve ser boa, mesmo com todos os riscos associados à detenção de commodities.
 
Já os políticos temem que, possuindo bens, os bancos de Wall Street podem jogar nas costas dos contribuintes, o custo de um acidente de derramamento de óleo, por exemplo. Já que, assim como a aquisição de commodities pelos grandes bancos, uma tragédia como essa também poderia ser considerada mais uma daquelas consequências não intencionais.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados