4 de junho de 2026

Economia espanhola vira “laboratório gigante” para afastar a crise

Jornal GGN – O programa espanhol de austeridade e de reformas estruturais para sair da crise foi destaque em artigo publicado nesta segunda-feira (5) no jornal norte-americano Wall Street Journal. De acordo com especialistas, o país, afundado em salários reduzidos e em baixa produtividade, opta por uma fórmula pioneira, sem mexer em sua taxa de juros – o que pode ser um primeiro passo para a recuperação. 
 
Desde as primeiras reformas e medidas – e os primeiros indícios de dados positivos sobre PIB, desemprego e déficit em conta corrente –, as projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional) sobre o destino econômico da Espanha “estão longe de ser a verdade”, afirma o jornal norte-americano. A consolidação desse novo pacote foi o gancho para o texto “Você está prestes a suceder o experimento espanhol?”, que aponta o país europeu como um “laboratório gigante”, onde essas receitas nunca foram aplicadas antes.
 
Ainda de acordo com a publicação, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, tem realizado reformas classificadas como “poderosas” no sistema financeiro local, além de modificações na legislação trabalhista e nos gastos sociais. Nas últimas semanas, segundo o artigo, surgiram mais evidências que sugerem que a política está funcionando. O governo aponta para uma mudança cíclica.
 
As análises positivas, no entanto, não são suficientes para animar os pessimistas. Para o Wall Street Journal, os resultados ainda não convenceram o que chamou de “profetas da desgraça”, que acreditam que recuperações previstas anteriormente não se materializaram em seguida. 
 
As críticas do FMI (Fundo Monetário Internacional) ao país também não ajudam na reconstrução da imagem espanhola frente a investidores e analistas. A expectativa é de que o PIB local cresça apenas 1,2% em 2018 – uma recuperação fraca, que coloca em xeque a sustentabilidade da dívida. O setor público também é um entrave ao crescimento, bem como o consumo, que ainda não apresentou melhora e permanece em alerta.
 
No entanto, prossegue o artigo, o setor da construção conseguiu superar o colapso, e o empresarial passa por uma reformulação contínua e está recuperando sua competitividade. Mesmo com a alta taxa de desemprego, os custos unitários de trabalho caíram, e a produtividade tem aumentado em relação à Alemanha, maior potência econômica da zona do euro
 
A mudança na confiança pode aumentar ainda mais a recuperação local com as melhorias no setor bancário. O mercado, conclui o artigo, poderão então se convencer de que mais este ciclo foi concluído e ficar, finalmente, mais disposto e otimista.
 
Com informações do jornal espanhol El Economista

Redação

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