O candidato presidencial da situação, no Chile, Pablo Longueira, anunciou, nesta quarta-feira (17), que abandonou a disputa eleitoral por causa de depressão. A renúncia se dá paralelamente ao tratamento do câncer do filho, Matias, de 14 anos.
Longueira obteve 51,37% das preferências nas primárias da Alianza, que representa a direita no país, no dia 30 de junho, o que garantiu a vaga para enfrentar a candidata da oposição, a ex-presidenta Michele Bachelet.
Leia abaixo artigo exclusivo do analista político Senén Conejero sobre a situação pré-eleitoral do país:
Até mesmo para quem já sofreu ou sofre de depressão crônica será difícil a surpreendente decisão de Pablo Longueira de renunciar à candidatura presidencial que lhe custou tanto esforço para ganhar há apenas uma semana.
Sejam quais forem as razões – o que se tenta explicar, a apenas duas semanas das eleições primárias -, não resistem a uma análise mais profunda e à real explicação, inclusive aquela de que “é uma doença que, oxalá, vá embora logo”, não resiste a um aprofundamento analítico.
As explicações dos políticos, de todos os partidos, apelando para frases retumbantes em torno do respeito às doenças não são mais que uma “saída honrosa”, como muitas das explicações de todos os setores.
O que é certo é que as posições da direita no Chile começaram a bater em retirada no aniversário de um ano do governo do Presidente Sebastián Piñera, que tem sido incapaz de recuperar, especialmente, o alto índice de reprovação entre os chilenos. Enquanto a candidata da oposição e ex-presidenta Michelle Bachelet acaba de ganhar as primárias com mais de 70% dos votos.
Será muito difícil conhecer os fatos reais desta renúncia.
Entretanto, o importante não é o que aconteceu, mas o que acontecerá agora?
As possibilidades são muitas. Desde a volta, por aclamação, do perdedor, o ex-ministro de Defesa, Andrés Allamand (improvável porque leva um candidato que já foi segundo lugar nas primárias de seus setores), até uma candidatura fadada a perder, de qualquer militante destacado da direita.
Se o que se pretendia, além disso, era tirar vantagem de um fato doloroso como a doença de um candidato para arrumar a situação da derrota anunciada, cedo ou tarde será descoberta, especialmente se, como é bem provável, o impasse entre os dois partidos de direita – UDI (União Democrata Indpendente), de Pablo Longueira, que renunciou, e RN (Renovação Nacional), do ex-ministro da Defesa – terminar com dois candidatos no primeiro turno das eleições no final deste ano.
Além disso, por que não com dois candidatos da oposição? Afinal, com todas as vantagens oferecidas pelo caminho errático da direita, não faltará um político que pretenda se promover por mais quatro anos na sombra de Bachelet.
* Senén Conejero é jornalista e analista político. Atualmente é diretor da faculdade de jornalismo da Universidade La República, em Santiago do Chile.
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