4 de junho de 2026

Bernanke leva bolsa ao menor nível desde abril de 2009

Jornal GGN – A perspectiva de redução dos estímulos pelo Federal Reserve – o Banco Central dos Estados Unidos –, junto com a entrevista de seu presidente, Ben Bernanke, não ajudou a bolsa brasileira, que encerrou o pregão de quarta-feira em seu menor patamar desde abril de 2009.

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O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) fechou o pregão em queda de 3,18%, aos 47.893 pontos – a menor marca desde 30 de abril de 2009, quando a pontuação ficou em 47.838 pontos. A movimentação contabilizada foi de R$ 8,596 bilhões.

A queda pode ser explicada pela aversão ao risco. Com o avanço apresentado pelos títulos norte-americanos, muitos investidores estrangeiros se desfazem de suas posições em mercados emergentes. Esse cenário ganha força com a leitura de que a economia dos Estados Unidos está se recuperando.

Ao mesmo tempo, o Federal Reserve avisou que poderá reduzir sua compra de bônus ainda em 2013, dando continuidade ao processo de retirada durante o primeiro semestre de 2014. O banco central norte-americano também manteve sua taxa básica de juros inalterada na faixa entre zero e 0,25%, e as compras de ativos seguem na faixa de US$ 85 bilhões por mês – e menos compras significam menor liquidez.

“Em seu comunicado, o órgão citou melhoria no mercado de trabalho e redução de riscos para o crescimento, com membros afirmando que a taxa de desemprego recuando para 6,5% funcionará como gatilho para elevação da taxa de juros”, explicam os analistas da BB Investimentos, em relatório, ressaltando que as declarações posteriores de Bernanke, entre as quais que espera “desacelerar as compras de ativos até o fim de 2013 e concluir em meados de 2014”, deram uma sinalização para os agentes que o processo poderá se iniciar em breve.

Quanto ao mercado de câmbio, o pronunciamento de Bernanke também afetou o mercado de câmbio, e levou o dólar a encerrar suas operações no mercado de balcão com alta de 1,29%, cotado a R$ 2,2050, o maior patamar de fechamento desde 27 de abril de 2009, segundo informações do serviço Broadcast, da Agência Estado.

Mesmo com essa valorização, o Banco Central não atuou no mercado, já que a percepção do mercado sobre os incentivos econômicos por parte do Fed acabou por impulsionar as operações. Além disso, a autoridade monetária brasileira divulgou os dados de fluxo cambial – deficitário em US$ 1,512 bilhão na segunda semana do mês, com saída de US$ 1,112 bilhão no segmento financeiro e déficit de US$ 400 milhões na conta comercial.

Na agenda de quinta-feira, os agentes vão acompanhar os dados de mercado de trabalho no Brasil (taxa de desemprego e criação de empregos formais) e nos Estados Unidos (seguro-desemprego e novos pedidos de seguro-desemprego), além de dados referentes a venda de casas e indicadores antecedentes norte-americanos, e indicadores de manufatura e serviços na zona do euro.

 

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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