Jornal GGN – A velocidade de rotação dos ventos da atmosfera do planeta Vênus está aumentando. A constatação é da Agência Espacial Europeia (ESA), que vem analisando imagens feitas pela sonda Venus Express, que orbita o planeta há quase dez anos terrestres. De acordo com os astrônomos, a velocidade média dos ventos venusianos ultrapassava os 300 km/h, permitindo que a densa atmosfera do planeta rotacionasse até 50 vezes mais rápido que o próprio planeta. Agora, a velocidade média chega a 400 km/h.
Os cientistas têm informações detalhadas sobre a composição química da atmosfera do planeta – rico em dióxido de carbono [venenoso para humanos] e com até 70 km de altura acima das planícies vulcânicas do planeta –, mas não sabiam ainda explicar o motivo da alta velocidade dos ventos. O aumento da velocidade apenas ajuda a tornar ainda maior o mistério sobre o comportamento da atmosfera de Vênus.
A sonda acompanha o planeta em distâncias que variam de 66 mil km (quando perto do Polo Sul) até o limite de 250 km (mais próximo do Polo Norte) acima da atmosfera. As análises levam em conta registros feitos pela sonda em ultravioleta e infravermelho, que ajudam os cientistas a “enxergar” melhor a densa atmosfera e o comportamento das várias camadas de nuvens amareladas. “Analisamos as imagens obtidas durante 127 órbitas com um método manual de monitoramento das nuvens e 600 órbitas com um método de correlação digital”, explica Igor Khatuntsev, do Instituto de Pesquisas Espaciais, em Moscou, principal autor de artigo científico que trata das pesquisas sobre a atmosfera de Vênus.
Os pesquisadores combinaram os dois métodos: o primeiro para analisar nuvens mais elevadas, o segundo para simplificar o processamento das imagens e gerar até dez vezes mais resultados do que em análises anteriores. Além disso, a equipe desenvolveu um método próprio de processamento de imagens digitais e uma fórmula matemática para reduzir erros de análise de imagem. Com os processos combinados, é possível estabelecer a média de circulação atmosférica, as tendências de longo prazo e as variações de órbita.
As análises mostraram que a velocidade dos ventos varia conforme a latitude. Latitudes mais baixas registram ventos de 338 km/h (cerca de 94 m/s) no sentido horário. Já a velocidade dos ventos em meia latitude chega a 367 km/h (102 m/s). No primeiro caso, os ventos levam no máximo cinco dias para dar uma volta no planeta; no segundo, três.
Aceleração
A constante análise da velocidade e do comportamento das nuvens venusianas levou os cientistas a perceberem um aumento nas médias de velocidades, mais precisamente de 2006 até este ano. Antes de 2006, os ventos chegaram a 400 km/h. “Esse é um enorme aumento na já alta taxa de rotação da atmosfera”, explica Igor Khatuntsev. “Essa grande variação nunca foi observada em Vênus, e nós ainda não entendemos por que isso aconteceu”, prossegue.
As pesquisas mostraram que as velocidades têm variado em períodos distintos, em médios e curtos prazos. Nem todas as mudanças observadas puderam ser explicadas, de acordo com os cientistas envolvidos no estudo. Mas os astrônomos continuam estudando os novos dados para compreender o que, de fato, acontece em Vênus. “As investigações sobre a estrutura espacial dessas oscilações de vento são necessárias para explicar o que impulsiona os padrões de circulação atmosférica. Enquanto isso, a Venus Express continua a surpreender-nos com as suas observações deste planeta dinâmico”.
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