Jornal GGN – Embora o Brasil mantenha sua classificação de grau de investimento, a decisão da agência norte-americana Standard & Poor’s em reduzir as perspectivas para a nota de risco da economia brasileira de “estável” para “negativa” pode ser considerada necessária em um primeiro momento, mas existem outros fatores que devem ser avaliados, na visão de Alex Agostini, economista-chefe da agência Austin Ratings.
Agostini deixa claro que a metodologia utilizada pela Austin Ratings é diferente da adotada pela S&P. “Na nossa metodologia, não podemos nos pautar em um ou outro indicador”, explica. Para ele, “o conjunto da obra é que deve ser considerado” – por conta disso, Agostini diz que o momento não é o mais adequado para o rebaixamento do país. “Como existe uma tentativa do governo de manter os esforços para aumentar o crescimento econômico e para manter o emprego e renda, podemos entender como ações positivas”.
Contudo, Agostini explica que há algum tempo o mercado tem cobrado uma postura mais austera das autoridades com relação à política econômica – o que pode ser visto quanto ao desempenho da bolsa e do câmbio -, e que as intervenções realizadas pelo governo na economia e a melhora do mercado norte-americano também afetam os indicadores.
A queda do superávit primário também gera preocupações quanto ao comportamento da política fiscal. No entanto, Agostini acredita que esse quadro é provisório. “O governo está tentando estimular a economia, que não está dando a resposta esperada. Claro que tem a conta, e a conta está chegando. O mercado está cobrando e não paga para ver”, acrescenta. Segundo o economista-chefe da Austin Ratings, a exigência do mercado se reflete na cobrança de maiores juros, alta da taxa Selic, queda do Ibovespa, entre outros fatores. “É a reação a uma postura que não é a ideal a uma gestão fiscal e econômica”, completa.
Para o economista, o que deve levar a um sinal amarelo na avaliação é a falta de reação do PIB (Produto Interno Bruto) do país mesmo com todas essas medidas. “Caso o PIB não reaja, teríamos uma posição de endividamento maior do que a que se registrava no passado, e aí podemos começar a pensar em rebaixamento”, analisa. “O mesmo posicionamento é válido para quando se entender que o momento de economia estagnada deixou de ser transitório para ser estrutural”, completa o economista.
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