Jornal GGN – Com a ajuda da cIência, o Brasil está conseguindo diminuir o desmatamento e a emissão de CO2. Nesta quarta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, o governo apresentou dados que mostram que o país segue de acordo com compromisso voluntário assumido internacionalmente para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEEs), principalmente em reação à redução do desmatamento. As informações foram apresentadas durante a reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC), no Palácio do Planalto, com a presença da presidenta Dilma Rousseff.
Segundo números do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI) e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), houve uma redução de 84% nas taxas de desmatamento desde 2004, quando o sistema foi implantado. A área desflorestada, no período 2011-2012, foi de 4,571 mil km2.Com o resultado, o Brasil já atingiu 76% da meta de redução do desmatamento (80%) e cerca de 62% da meta total da redução das emissões (entre 36,1% e 38,9%) previstas para 2020, compromisso assumido de forma voluntária na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2009, a COP 15, que aconteceu em Copenhague, na Dinamarca.
No fórum, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, destacou o papel de sua pasta ao dar suporte tecnológico com as informações necessárias para balizar as políticas públicas na área do meio ambiente. Raupp também apresentou os resultados do relatório Estimativas de Emissões Antrópicas de GEE (2006 – 2010), documento que atende ao Decreto 7.390/2010, que regulamenta a Política Nacional sobre Mudanças do Clima (PNMC). A fim de acompanhar o cumprimento nacional voluntário para a redução das emissões – projetadas em 3,2 gigatoneladas de CO2 equivalente (Gt CO2eq) para 2020 – o decreto estabelece a necessidade da publicação, a partir de 2012.
Organizado por cinco setores da economia, o levantamento apontou redução de 38,7% das emissões de dióxido de carbono equivalente (de 2,03 bilhões para 1,25 bilhões de toneladas de CO2eq), no período de 2005 para 2010, puxado pela diminuição de 76,1% das emissões no setor, mudanças de uso da terra e florestas. Outros setores apresentaram acréscimos: energia (21,4%), processos Industriais (5,3%), agropecuária (5,2%) e tratamento de resíduos (16,4%).
Tecnologia e inovação: prioridades
O secretário-executivo do FBMC, Luiz Pinguelli Rosa, ressaltou os avanços obtidos pelo Brasil com a redução do desmatamento e ressaltou os próximos desafios. Pinguelli Rosa, também diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enfatizou a necessidade de dar prioridade à tecnologia e à inovação para se alcançar êxito nos demais setores, em especial no caso da energia e da agricultura.
Na avaliação da presidenta Dilma Rousseff, o Brasil conseguiu mostrar que é possível crescer com inclusão social e de forma sustentável. Os novos avanços para uma economia de baixo carbono, de acordo com ela, devem ter como preocupação central a questão do conhecimento. Segundo o portal do MCTI, Dilma comento que “é muito importante que haja a perfeita relação entre todo o nosso esforço de crescimento sustentável com a aplicação de recursos em pesquisa científica e tecnológica na área do meio ambiente”. Segundo a presidenta, o governo tem investido atualmente R$ 3 bilhões em pesquisas somente na área de energias renováveis. Dilma acrescentou, dizendo que o Brasil não pode confiar só nas nossas vantagens de solo, clima, de competitividade e de produção de commodities.
O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Lopes, também falou sobre os resultados do projeto TerraClass, cujo objetivo é qualificar o desflorestamento da Amazônia Legal, tendo por base as áreas desflorestadas mapeadas e publicadas pelo Prodes. De acordo com os dados de 2010, a área de floresta corresponde a 78,8%, a não florestada é de 18,2% e o desflorestamento de até 0,2%.
Na reunião, também foram lançadas as versões finais de quatro planos setoriais de Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima. De acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a ideia é mudar o cenário de crescimento de emissões também em energia, agricultura, indústria, mobilidade urbana e de resíduos – como prevê a Política Nacional de Mudança do Clima.
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