4 de junho de 2026

Inflação acima da meta ainda preocupa, diz professor

 

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O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor – 15) em 12 meses atingiu 6,51%, acima dos 6,49% apurados em março e do teto da meta estabelecida pelo governo, que é de 6,50%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O professor do MBA de gestão de risco da Trevisan Escola de Negócios, Claudio Gonçalves, afirma que os dados divulgados ainda preocupam e que o Banco Central deveria ter adotado medidas mais duras para controlar a taxa de preços.

“Acho que o Banco Central foi muito conservador em aumentar a (taxa) Selic em 0,25%. Do jeito que a inflação está relutando para voltar ao centro da meta, isso requer que o governo faça uma mudança na estratégia, talvez com uma redução do crédito ou alta maior da Selic”, afirma Gonçalves, em entrevista ao Jornal GGN.

O professor avalia que o governo Lula empregou uma estratégia calcada única e exclusivamente nos juros – sempre que a inflação ameaçava subir, o Banco Central (então comandado por Henrique Meirelles) mexia nos juros. E isso mudou na gestão de Dilma Rousseff, quando o governo decidiu baixar a taxa de juros ao menor patamar histórico em termos reais, de forma a atrair mais investimentos e que o crescimento ficaria na casa de 4% a 5% ao ano.

“Os investimentos não vieram, o que mostra que reduzir ou subir juros para o combate da inflação não é a solução. É preciso mudar o arcabouço institucional, acabar com a burocracia, mexer na carga tributária, e não adotar medidas temporárias como o fim do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a linha branca e os automóveis, uma vez que o mercado vai entender que isso vai voltar em breve”, afirma o professor da Trevisan.

Ao analisar o comportamento do IPCA-15, o professor da Trevisan ressalta que itens como o tomate – que subiu de 9,99% para 16,62% e foi um dos destaques do resultado, com um efeito de 0,05 ponto percentual – dependem de safra e clima, e qualquer produto que sofra intempérie climática vai exercer um impacto sobre os preços.

“Diante de problemas como a seca no Nordeste e excesso de chuva no Sul/Sudeste, cada vez mais penso que vamos ter quebra de safra ou sazonalidade na produção de alguns bens do agronegócio. E temos de estar preparados, porque é bobagem pensar que é só o tomate, mais adiante também serão outros bens”.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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