4 de junho de 2026

O maior anão do mundo ou o menor gigante? A Folha bipolar.

A piada é velha, um circo sem novas atrações para seu público chega à cidade alardeando possuir no seu elenco o maior anão do mundo. Era, na verdade, um dos palhaços, um homem de uns um metro e sessenta de altura. Na cidade seguinte ele é apresentado como o menor gigante do mundo.

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Parece que a Folha, na sua crítica ao atual governo, adotou esse método “esperto” e ridículo.

Coisas do tipo: “Petrobrás tem o menor lucro dos últimos dez anos” ou “Balança comercial tem o seu pior superávit desde 2007”.

A justaposição das palavras “menor e lucro” e “pior e superávit” é coisa para o Professor Pasquale explicar.

O uso dessas manchetes é, no entanto, em minha opinião, apenas uma canhestra tentativa da Folha de apresentar uma notícia boa por um viés negativo. E tome o leitor da Folha aguentar análises maliciosas de séries históricas. 

Vejamos a manchete de hoje:

“Comércio fecha vaga, e emprego desacelera – setor apresenta pior desempenho desde 1992, e geração de postos com carteira assinada recua 76% em janeiro.”

Vai se ao texto e fica-se sabendo que a notícia é positiva. Entre demissões e contratações o país teve um saldo positivo de 28,9 mil postos de trabalho. A Folha online já trazia ontem que o “estoque de empregos” havia subido em 0,07%.

O comércio demitiu. Será que o comércio contrata em dezembro, para as festas de fim de ano, e demite em janeiro? O próximo grande evento do comércio é em maio, Dia das Mães.

A boa notícia é a contratação da indústria e da construção civil em janeiro. São postos muito mais estáveis que os do comércio e ocupados logo no primeiro mês do ano.

Mas, continuemos no texto.

“Torelly (diretor do Departamento de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho) admite que o mês foi fraco”. “[O resultado] Não é péssimo porque é positivo”.

O incrível “admite que o mês foi fraco” quando o entrevistado afirma “não é péssimo porque é positivo”.  

Ora se é positivo não poderia ser péssimo. Onde está a admissão da fraqueza?

“Péssimo e positivo”, mais uma para o Professor Pasquale.

Avante, Torelly informa:

“O setor industrial criou 43,4 mil postos formais em janeiro, o quarto melhor resultado em janeiro da série histórica.

Mais incrível ainda, logo abaixo, a Folha apresenta um subtítulo – Contraponto. Depois de tanta notícia desfavorável crê-se que a Folha vai praticar o saudável “O Outro lado”. Nada mais enganoso, o texto, utilizando a opinião de especialistas consultados, parece desdizer a afirmação de Torelly sobre o crescimento da indústria:

“No entanto, na opinião do economista da Tendências Consultoria, Rafael Bacciotti, ainda é cedo para dizer que a recuperação da indústria é sustentável..

O contraponto não seria à matéria e sim ao entrevistado. Arnaldo, isso pode?

Mas o que o economista estaria realmente dizendo? Porque a seguir lemos:

“Para Bacciotti, um ambiente de pleno emprego reduz a incorporação de mão de obra e acaba limitando o crescimento da economia..

Estaria o economista explicando que a “queda do aumento” (outra para o Professor Pasquale) é um fato normal porque, dado o crescimento contínuo do Brasil nos últimos anos, chega-se naturalmente a um ponto onde há cada vez menos mão de obra a ser incorporada?

Essa seria uma explicação lógica e técnica, mas o texto da Folha não dá margem à informações lógicas e técnicas. Rapidamente pinça uma afirmação descontextualizada e contrária:

“No início do ano, o Ministério do Trabalho estimou a criação de aproximadamente 2 milhões de empregos formais em 2013”.

“Segundo Torelly, “se [a criação de vagas] seguir nesse ritmo, é claro que não vai atingir essa meta”, mas ele espera que os próximos meses mostrem reação.”.

Caramba, uma afirmação começando com “se”.  Piada pronta, como diria José Simão, “se minha mãe fosse homem eu teria dois pais”. Onde está a informação?

Cansei, virei a página do caderno Mercado, próxima manchete:

“Alta de alimentos reduz efeito da queda da energia – “Prévia da inflação recua em fevereiro, mas fica acima do que era esperado.

“Alta e queda, recua, mas fica acima”.

Socorra-me, meu São Pasquale de Cipro Neto, nesta hora de aflição.


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/95185-comercio-fecha-vaga-e-emprego-desacelera.shtml

 

Comércio fecha vaga, e emprego desacelera

 

Setor registra pior desempenho desde 1992, e geração de postos com carteira assinada recua 76% em janeiro

Ministério do Trabalho vê perda no dinamismo do emprego; indústria, no entanto, recupera-se na esteira de estímulos

CAROLINA OMS

DE BRASÍLIA

O Brasil criou 28,9 mil novos postos de trabalho com carteira assinada em janeiro, número 75,7% inferior ao do mesmo período do ano passado (118,895 mil).

É o pior resultado para o mês desde 2009, quando foram fechadas 101.748 vagas. Naquele momento, o país começava a sentir os efeitos da crise financeira internacional.

Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a partir dos números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

“O resultado indica uma perda de dinamismo do emprego já apontada, em menor grau, em 2012”, disse Rodolfo Torelly, diretor do Departamento de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho.

O setor de comércio puxou a desaceleração, ao reduzir o número de vagas em 0,75%, resultado do fechamento de 67.458 postos de trabalho.

Trata-se do pior resultado para o setor em janeiro desde o início da série histórica, que começou em 1992.

Torelly admite que o mês foi fraco. “[O resultado] Não é péssimo porque é positivo”, disse, referindo-se ao desempenho da indústria. O setor industrial criou 43,4 mil postos formais em janeiro, o quarto melhor resultado em janeiro da série histórica.

Segundo o diretor, a criação de empregos na indústria é resultado dos estímulos do governo para esse setor.

“A construção e a indústria já começaram a se recuperar. A indústria é a joia da rainha, e o efeito pode se prosperar para outros setores.”

CONTRAPONTO

No entanto, na opinião do economista da Tendências Consultoria, Rafael Bacciotti, ainda é cedo para dizer que a recuperação da indústria é sustentável.

“A competitividade da indústria é bastante limitada.”

Para Bacciotti, um ambiente de pleno emprego reduz a incorporação de mão de obra e acaba limitando o crescimento da economia.

No início do ano, o Ministério do Trabalho estimou a criação de aproximadamente 2 milhões de empregos formais em 2013.

Segundo Torelly, “se [a criação de vagas] seguir nesse ritmo, é claro que não vai atingir essa meta”, mas ele espera que os próximos meses mostrem reação.

Embora avalie com otimismo os números apresentados pela indústria, o economista da LCA Consultores, Caio Machado, ressalva que o ritmo de contratações do setor não vai se manter nos próximos meses.

Segundo o economista, no ano passado, a indústria ainda tem espaço para aumentar a produção sem precisar contratar.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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