4 de junho de 2026

Comissão da Verdade pode chegar a assassinos de Rubens Paiva

Comissão da Verdade já tem o nome de dois dos assassinos de Rubens Paiva e o coordenador da mesma, Cláudio Fonteles, afirma que ambos serão convocados para depor. 

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Da Folha

Comissão da Verdade deve chegar a quem matou Paiva, diz coordenador

MATHEUS LEITÃO
De Brasília

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Cláudio Fonteles, afirmou nesta terça-feira (5) que tem elementos para chegar à equipe que torturou e matou o ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido desde 1971 após ser preso por agentes da ditadura militar (1964-1985).

Em entrevista realizada ontem, com a presença de Vera Paiva, filha de Rubens, Fonteles disse que dois desses integrantes da equipe do DOI-CODI do I Exército no Rio estão vivos e poderão ser convocados. Um terceiro está morto, disse, sem citar nomes.

A Comissão da Verdade não tem poder para puni-los, mas, na opinião de Fonteles, os militares não poderão se negar a comparecer à comissão sob pena de cometerem o crime de desobediência.

Fonteles divulgou ontem texto de sua autoria em que analisa documentos sobre o caso Paiva encontrados durante suas pesquisas no Arquivo Nacional, em Brasília.

Os papéis mostram que um informe confidencial, revelado pela Folha na segunda-feira, desmonta a versão da fuga de Paiva e indica que ele morreu no prédio do DOI-Codi do Rio.

A versão divulgada pela ditadura foi a de que Paiva conseguiu escapar das mãos dos militares quando era levado para reconhecer um imóvel no Rio.

Mas o Informe nº 70, que detalha ao Serviço Nacional de Informações (SNI) como o ex-deputado foi localizado e preso, com data de 25 de janeiro de 1971, não faz menção à suposta fuga de Paiva –que, segundo a versão do Exército, teria ocorrido três dias antes, na madrugada de 22 de janeiro daquele ano.

JULGAMENTO

Na entrevista, Vera Paiva afirmou ser um “privilégio para a sua família o fato de ser um dos primeiros casos recuperados pela Comissão da Verdade”.

“Traz um alívio profundo em recuperarmos a memória, mas ainda gostaríamos de saber quem e como o torturaram e mataram.”

Para ela, caso sejam identificados os autores, a família “aguardará a iniciativa dos operadores do direito para tomar providências”.

“O crime de tortura é imprescritível. Gostaríamos que os autores tivessem um julgamento, com amplo direito de defesa e diante da lei, exatamente o que eles não fizeram pelo meu pai.”

Vera convocou a população brasileira a entregar documentos e informações para a comissão, sob a proteção do anonimato, para ajudar “a refazer a história do Brasil”.

“Em nome das famílias, algumas que sofreram ainda mais, e ainda não conseguiram respostas peço que sejam entregues qualquer documento com informações”

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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