4 de junho de 2026

A “Carteirinha de Estudante” (1974), o Diretor e Eu (garoto)

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Caros,

Os flashes da memória, ha quase quarenta anos (1974), tinha treze anos, o mundo em ebulição, o Brasil nos anos de chumbo, mas eu era “meu mundo e nada mais“, o que eu sonhava, desejava acordado, era ver filmes, entre os quais, o filme “A Virgem” (1973) com Nádia Lippi, que creio ficou conhecido, pejorativamente, como filme de “pornochanchada” (drama erótico).

Estávamos em sala de aula, início de ano, março ou abril, aula tranquila, professora de português ou matemática, não lembro, eu fazia ginasial técnico de mecânica, quando de repente, aparece o Diretor da escola, EESG “Adelino Peters” de Penápolis, acompanhado da responsável pela Secretária da escola (não lembro o nome do Diretor e nem o da Secretária).

Todo ano, as carteirinhas de estudante, eram confeccionadas pela direção da escola, que era feito sem consulta ou qualquer comunicação a nós, a não ser entregar uma foto com o nome atrás, depois de um tempo recebíamos a mesma pronta.

O Diretor no comunicado na sala, falou algo sobre a carteirinha, em seguida, ele e a Secretária, deram uma carteirinha em branco para cada aluno, que era para nós preenchermos a lápis os nossos dados, nome completo, data de nascimento, etc. E ele alertou, mais que isso, com o poder de Diretor, disse que os mesmos seriam checados, e se alguém não colocar os dados corretos, seriam punidos, desde advertência até expulsão (ameaça velada), pela direção da Escola. Como diria Raymundo Faoro, “Os Dono do Poder”, nossa herança patrimonialista.

O tempo era curto, segundos, minuto, para reflexão ou tomada de decisão, entre os meus desejos, de ver filmes proibido para menores de 18 anos e a ameaça do Diretor, não tive dúvida, assumi o risco, coloquei que nasci em 1956, e não em 1960.

Recebi a carteirinha com os dados que preenchi, foi um delírio, no outro dia fui para o cinema, ver o filme da Nádia Lippi, que delícia, era só flashes de segundos, com peitinho na tela, mas para mim era o paraíso eterno na terra, evolução até na música na hora do banho, “voa a pombinha branca voa” para “pombo correio voa depressa”, “a vida como ela é”.

O senhor que recebia os ingressos na porta do cinema, que era também lanterninha das sessões, não queria acreditar no que estava escrito na carteirinha, e fez me mais que uma pergunta, o que reafirmei enfaticamente, que tinha dezoito anos sim (porém, é só olhar a foto da época acima, está na cara que não tinha), na verdade ele não acreditou, mas ele aceitou o fato, aceitou os dados da carteirinha, que não tinha rasura de falsificação, creio que pesou mais a chancela da “autoridade” da escola que emitiu a carteirinha, ou ele teve pena de mim e aceitou a minha ousadia, e eu virei freguês, com freqüência, e ai claro, os amigos queriam saber detalhes, aí sim eu fui revelar meu “ego” de pavão, e contar vantagens e detalhes do meu feito, do meu risco assumido num piscar de olhos, “o pavão confirma Freud”.

Pano rápido: O mundo quando era adolescente e o mundo hoje, segundo Jorge Coli, Professor da UNICAMP, desde que o google começou a medir em 1999 as webs mais acessadas, os sitios de pornografia só perderam um único dia em todos essses anos, foi no dia dos ataques aos prédios (WTC) de Nova York, em 11 de Set. de 2001. De onde posso dizer, nossos sonhos eram (e são) impagáveis, seja diante da pornografia desenfreada, ou qualquer outra coisa que se queira, pois entre a distância da prática (praxis) à teoria (logo), “o fazer precede o saber, e o saber precede o ensinar” (derivado de John Stuart Mill).

Vejam também:

Quem sou e de onde vim?

Penápolis: “a princesinha da noroeste”

Prova no mimeógrafo, perdi a prova, mas não piada

 

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