A França foi ao Mali caçar moscas, armada com uma calibre 12 de cano serrado. Depois de mandar os seus Mirages bombardearem “posições de rebeldes islamistas” onde não havia ninguém e de liderar — da retaguarda — as tropas malinenses na “reconquista” de um território que ninguém tinha conquistado, o comando das forças francesas agora mantém as suas tropas na plateia enquanto, no palco, as forças malinenses sob o comando do capitão-presidente golpista Diokunda Traoré entregam-se ao velho sucesso de bilheteria dos fuzilamentos sumários de “simpatizantes” das poucas centenas de “terroristas” notoriamente afiliados a todos os serviços de espionagem e desinformação das potências com interesses na região, da DRS argelina à DGSE francesa, passando pela DGI saudita, pelo QSS do Catar e até pela ISI paquistanesa, santa padroeira da Al-Qaida e dos talibãs que serviu de inspiração para os argelinos na criação da “Al-Qaida no Magrebe Islâmico”. No espetáculo produzido por essa sopa de letrinhas internacional, não podia faltar uma cerimônia de “Missão Cumprida”; e, na impossibilidade de ancorar o porta-aviões Charles de Gaulle no deserto ao largo de Timbuctú, o presidente socialista francês François Hollande desembarca em Bamako, capital do Mali; e, ao lado do seu colega e protegido golpista Traoré, declara que os “combates” do exército malinense contras os civis tuaregues “não terminaram”, mas que a missão básica das tropas francesas foi cumprida, cumprimentando-as pelo “magnífico trabalho” de passear pelo deserto disfarçadas de caveira enquanto as tropas “aliadas” do Mali se dedicavam a fabricar caveiras sem disfarce.
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