Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
Camila Bezerra
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...
Carla Castanho
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
Andre Araujo
13 de agosto de 2016 4:06 amhttp://www.tijolaco.com.br/bl
http://www.tijolaco.com.br/blog/o-luxo-paulistano-e-um-lixo-adega-ostentacao-de-doria-jr/
A ‘ADEGA OSTENTAÇÃO’ DE JOÃO DORIA – O candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, João Doria Filho está sendo processado por um comerciante de vinhos, Elidio Lopes, para devolver uma grande quantidade de garrafas de vinhos caros que estão na sua casa sem terem sido compradas e pagas. A estoria, segundo materia na FOLHA de hoje, vem de um acordo pelo qual Elidio entregou as garrafas, que ele alega valerem US$84.000, emprestadas para que Doria enchesse sua adega para mostrar aos amigos e não para beber, Doria diz que não bebe vinho.
Elidio é um conhecido personagem do mundo dos vinhos de São Paulo, tinha uma importadora, a Terroir e uma loja no Bar des Arts, um conhecido point dos moradores dos Jardins especialmente no começo da decada.
A estoria é realmente sui generis mas esta de acordo com a tipologia social de João Doria. Ele precisa mostrar sucesso e luxo e no mundo dos novos ricos de São Paulo a adega é um item essencial, assim como a coleção de charutos e a biblioteca de livros nunca lidos ou livros fakes só para exibição. Com relação aos vinhos, é raro o novo rico que conhecesse alguma coisa, eles gostam de fingir conhecer e mostrar intimidade com os rotulos mas é puro teatro.
Para conhecer vinhos de verdade é preciso ter a cultura do vinho, leitura, informação, não é só comprar.
Doria representa um segmento importante da sociedade paulistana, uma cidade globaal com muita gente indo e vindo, especialmente executivos estrangeiros e nas multinacionais de hoje há muito presidente que começou como vendedor, subiu na escala corporativa mas lhes faltam o verniz social que Doria vende e entrega.
NOVOS RICOS EXIBICIONISTAS – Sua identidade depende da exibição ostensiva de luxo e sucesso, ai entram carros, helicopteros, jantares divulgados em revistas de frivolidades. Doria é um empresario de relacionamentos, de grande sucesso, criou uma grife chamda LIDE que muita gente pensa que é uma associação mas na realidade é apenas um
network de relacionamentos vendidos em jantares e eventos em praias e resorts. O “business” tem grande faturamento, tudo é pago e caro, se o cliente quer almoçar na mesa do Ministro paga mais , os fins de semana em Comandatuba são carissimos e tem executivos de empresas que pagam (na realidade quem paga é a empresa), a esposa vai junto e ganha presentinhos embrulhados em papel de oncinha, elas adoram.
Essa categoria nasceu com a globalização das empresas, chegam a CEO pessoas de fora ou que subiram dentro das empresas e que não tem a rede social dos ricos antigos, Doria se encarrega de fornecer os contatos com outros CEOs.
Esse grupo é formado basicamente por executivos e não por donos de empresas.
Doria tem uma função legitima e util para esse grupo de “foraneos” pessoas que não tem grupo social de berço ou de “turma”, começaram michos na escalada da vida, geralmente familias de classe media ou até classe modesta.
A exibição da adega está no campo da necessidade de Doria de de impressionar, como é sua monumental casa
de 7.000 metros quadrados de terreno nos Jardins, formada pela junção de tres casas antigas.
Nesse grupo há um sub-grupo de empresarios do interior do Estado que gosta dessas curtições do Doria, seu meio social original é muito pequeno e eles querem se enturmar na metrople paulistana e mostrar fotos dos almoços e jantares em resorts junto com Ministros para os amigos da cidade como prova de sucesso. No interior de São Paulo há grandes empresas e grandes fortunas meio isoladas é um mercado excelente para firmas de relacionamentos.
RICOS ANTIGOS E DISCRETOS – Descendentes de imigrantes italianos ou libaneses na maioria, já na 3ª geração, nessa categoria há super ricos em SP de quem ninguem do grande publico ouviu falar, nomes como Salomone ou Mofarrej, com imenso patrimonio imobiliario. Esses ricos não gostam de aparecer, acham que isso só traz problemas. Esses que não querem ser celebridades não precisam de networking, aliás pagam para serem desconhecidos
ELITES TRADICIONAIS DE SÃO PAULO – Desdobramentos da antiga elite cafeeira que se voltou para outros ramos, açicar e alcool, bancos, seguros, já tem relacionamento suficiente de 400 anos, não precisam de ostentação porque seu refinamento é de berço e de gerações, não precisam da identidade que a riqueza dá porque tem um senso de superioridade natural que vem de 300 ou 400 anos de elitização. Essa elite é maior do que se imagina mas não se vê de fora porque não aparecem para o publico e circulam dentro de seu grupo. A elite tradicional considera a exibição e ostentação algo “cafona”, “brega”, de gente sem classe. Um bom exemplo é o falecido banqueiro OLavo Setubal, de familia super tradicional e que morava no mesmo apartamento há 30 anos, desde quando não tinha banco, sua casa de campo era em Aguas da Prata, uma estancia mineral nada sofisticada.
ELITE INTELECTUAL E PROFISSIONAL – Grandes médicos, grandes advogados, tem seu circulo formado desde a faculdade e não precisam e não querem “aparecer” em mesas de desconhecidos. É uma elite bem grande em São Paulo, maior centro medico da America Latina e onde há maior concentração de grandes escitorios de advocacia,
há varios escritorios com 400 ou 500 advogados e há um com mais de 1.000 (Pinheiro Neto)..
Essa classificação é bem grosseira e há evidentemente pontos fora da curva mas é um absurdo certos comentaristas colocarem na mesma panela elites paulistanas tão diferentes, até politicamente são distintas, por exemplo a quase totalidade dos novos ricos é anti-PT roxo, na elite tradicional há um bom contingente de esquerda (Caio Prado Junior, Plinio de Arruda Samapio, Eduardo Suplicy, Francisco Whitaker), de esquerda mas sofisticados, tomaram chá em criança e tem modos à mesa.
junior50
13 de agosto de 2016 4:39 amTavares de Miranda
” O verdadeiro rico só aparece em coluna social 3 vezes na vida : quando nasce, quando casa e quando morre “, os outros pagam.
Reinaldo Melo
13 de agosto de 2016 4:32 amA Conexão Francesa: o Tráfico e o Intransponível (Crítica)
A Conexão Francesa: o Tráfico e o Intransponível (Crítica)
Raramente o tráfico de drogas é abordado pelo cinema de forma que não desemboque na visão maniqueísta, criadora de uma nébula em torno da questão. A Conexão Francesa, em seu primeiro ato, aparenta ser uma película que se desenvolverá numa trama entre mocinho e bandido, e se sustenta por um bom tempo assim. No entanto, em suas idas e vindas, e também altos e baixos, a fórmula clichê da luta do bem contra o mal se desvanece e seu desfecho faz com que venha a somar com as poucas obras que abordaram tal problema fora do senso comum. O filme narra a trajetória do juiz Pierre Michel (Jean Dujardin) contra o tráfico de drogas na Marselha dos anos 70. Após ser transferido do Juizado de Menores para o departamento de combate ao crime organizado, Pierre logo se vê num confronto metódico com o traficante e dono da cidade Tany Zampa ( Gilles Lellouche). Englobando os seis anos de uma luta obsessiva, são estes dois personagens a essência de uma história cujo tema central é o limite do poder que ambos imaginam possuir.
Numa atuação que resvala na sua carismática performance em O Artista, Dujardin constrói uma personagem concisa e coerente com as situações diversas e opostas pelas quais o juiz passa. Apesar de uma postura praticamente mansa, e pouco se vê gestos bruscos à altura da batalha em que se insere, o tom de decisão atrelado ao seu metodismo demonstra um Pierre capaz de usar todas as ferramentas do sistema judiciário, inclusive de forma ilegal, a fim de conseguir seus objetivos. A heroína dada a uma testemunha para que ela revele um fornecedor, o fazer um capanga pegar numa arma de forma involuntária para o incriminar por meio das digitais, a prática de grampos ilegais são atitudes que revelam uma obsessão incapaz de concretizar a fronteira entre a função de um juiz e o ato imoral e antiético. Ao mesmo tempo, o mesmo homem que se demonstra irônico e sólido diante dos que o ameaçam é alguém capaz de retratar a solidão, ao canto de uma mesa vazia após um jantar de amigos, e o abandono ao chorar copiosamente. Do outro lado, vemos o personagem de Lellouche tão sólido quanto o protagonista. Da mesma forma metódica, se utiliza de uma violência muito mais psicológica do que sanguínea, apelando para esta apenas quando não há mais saídas. Zampa possui consciência do poder que tem, mas é por ter tal consciência que seus gestos possuem paradoxalmente elos com uma tradição civilizatória, narrada a um capanga desobediente antes de um castigo tortuoso. Só que mesmo o poderoso é capaz de demonstrar apreensão, tristeza e lágrimas.
É nesse paralelo que se revela a temática implícita do filme. Enquanto que o primeiro se utiliza das brechas da ilegalidade para fazer justiça, o outro usa da mesma inteligência para se utilizar da eficiência dos homens da lei para livrar-se de um estorvo. É a história de dois homens que, mesmos situados em lados opostos e com poderes correspondentes, se deparam com obstáculos, angústias, tristezas e limitações. Em festas que promovem, seja a comemoração da promoção, o aniversário de casamento, a aposentadoria do amigo ou a derrota de um adversário, ambos demonstram uma áurea vigorosa, de sentimento de invencibilidade. E em seus dramas familiares, os personagens revelam as fragilidades inerentes à condição humana. Porém, não se cai numa humanização piegas, ambos estão submetidos a uma mesma estrutura social. Na cena em que eles se encontram, a acusação de causar mortes por conta do tráfico é replicada com a justificativa de criar empregos, mas no fim do diálogo há um contra plongée em que ambos estão sob o mesmo sol, uma metáfora de que não são tão diferentes como pensam. A construção dos ambientes exibe uma direção de arte eficiente que potencializa a situação em que as personagens se encontram, seja no detalhe de um interruptor desgastado combinando com o desespero de Pierre ao se deparar com sua impotência ou nos vasos ornamentais a serem quebrados a revelar a encruzilhada em que se encontra o traficante. A fotografia também é utilizada em muitos planos com o objetivo de auxiliar a narrativa: o departamento de polícia quase escuro, iluminado praticamente por luz natural, constrói o sentimento de sua precariedade material e humana; a iluminação da discoteca, propriedade de Zampa, com uma paleta quase que invariavelmente vermelha, já nos adianta o derramamento de sangue que está por vir. Destaque para os travelling circulares constantemente usados a fim de captar a condição psicológica das personagens inseridas em situações de deslocamento e confusão. No entanto, o filme possui seus problemas técnicos, nas cenas de ações, a montagem não funciona, o diretor Cédric Jimenez parece inseguro em se utilizar de planos sequências, pois estes são interrompidos por cortes abruptos, em que muitas vezes o espectador se desorienta. Em outros momentos, executa de forma desnecessária e até redundante o mesmo estilo de Scorsese em que a narração de um personagem a explicar o esquema do tráfico é acompanhada de planos curtos dinamizados que não possuem em nenhum momento o efeito estético do qual o hollywoodiano é capaz. E do segundo para o terceiro ato, após reviravoltas magistrais, Jimenez insiste em mostrar ao espectador a condição de altos e baixos dos personagens, mas estas variações distanciadas não chegam a prejudicar o desenrolar do desfecho da narrativa.
Assim como Traffic, A Conexão Francesa não é demagógico, muito menos trata o problema com a superficialidade, por exemplo, do documentário Quebrando o Tabu. Numa época em que a discussão sobre a legalização ou não de drogas ilícitas ocupam cada vez mais os espaços de debates públicos e midiáticos, o filme francês não propõe nenhuma solução, muito menos nos faz chegar a alguma conclusão. A qualidade do filme reside na constatação de um sistema que se caracteriza um tanto que sobre-humano, que sobrepuja qualquer força que o toca, seja a lei ou o poder daquele que o sustenta.
Raramente o tráfico de drogas é abordado pelo cinema de forma que não desemboque na visão maniqueísta, criadora de uma nébula em torno da questão. A Conexão Francesa, em seu primeiro ato, aparenta ser uma película que se desenvolverá numa trama entre mocinho e bandido, e se sustenta por um bom tempo assim. No entanto, em suas idas e vindas, e também altos e baixos, a fórmula clichê da luta do bem contra o mal se desvanece e seu desfecho faz com que venha a somar com as poucas obras que abordaram tal problema fora do senso comum.
O filme narra a trajetória do juiz Pierre Michel (Jean Dujardin) contra o tráfico de drogas na Marselha dos anos 70. Após ser transferido do Juizado de Menores para o departamento de combate ao crime organizado, Pierre logo se vê num confronto metódico com o traficante e dono da cidade Tany Zampa ( Gilles Lellouche). Englobando os seis anos de uma luta obsessiva, são estes dois personagens a essência de uma história cujo tema central é o limite do poder que ambos imaginam possuir.
Numa atuação que resvala na sua carismática performance em O Artista, Dujardin constrói uma personagem concisa e coerente com as situações diversas e opostas pelas quais o juiz passa. Apesar de uma postura praticamente mansa, e pouco se vê gestos bruscos à altura da batalha em que se insere, o tom de decisão atrelado ao seu metodismo demonstra um Pierre capaz de usar todas as ferramentas do sistema judiciário, inclusive de forma ilegal, a fim de conseguir seus objetivos. A heroína dada a uma testemunha para que ela revele um fornecedor, o fazer um capanga pegar numa arma de forma involuntária para o incriminar por meio das digitais, a prática de grampos ilegais são atitudes que revelam uma obsessão incapaz de concretizar a fronteira entre a função de um juiz e o ato imoral e antiético. Ao mesmo tempo, o mesmo homem que se demonstra irônico e sólido diante dos que o ameaçam é alguém capaz de retratar a solidão, ao canto de uma mesa vazia após um jantar de amigos, e o abandono ao chorar copiosamente. Do outro lado, vemos o personagem de Lellouche tão sólido quanto o protagonista. Da mesma forma metódica, se utiliza de uma violência muito mais psicológica do que sanguínea, apelando para esta apenas quando não há mais saídas. Zampa possui consciência do poder que tem, mas é por ter tal consciência que seus gestos possuem paradoxalmente elos com uma tradição civilizatória, narrada a um capanga desobediente antes de um castigo tortuoso. Só que mesmo o poderoso é capaz de demonstrar apreensão, tristeza e lágrimas.
É nesse paralelo que se revela a temática implícita do filme. Enquanto que o primeiro se utiliza das brechas da ilegalidade para fazer justiça, o outro usa da mesma inteligência para se utilizar da eficiência dos homens da lei para livrar-se de um estorvo. É a história de dois homens que, mesmos situados em lados opostos e com poderes correspondentes, se deparam com obstáculos, angústias, tristezas e limitações. Em festas que promovem, seja a comemoração da promoção, o aniversário de casamento, a aposentadoria do amigo ou a derrota de um adversário, ambos demonstram uma áurea vigorosa, de sentimento de invencibilidade. E em seus dramas familiares, os personagens revelam as fragilidades inerentes à condição humana. Porém, não se cai numa humanização piegas, ambos estão submetidos a uma mesma estrutura social. Na cena em que eles se encontram, a acusação de causar mortes por conta do tráfico é replicada com a justificativa de criar empregos, mas no fim do diálogo há um contra plongée em que ambos estão sob o mesmo sol, uma metáfora de que não são tão diferentes como pensam. A construção dos ambientes exibe uma direção de arte eficiente que potencializa a situação em que as personagens se encontram, seja no detalhe de um interruptor desgastado combinando com o desespero de Pierre ao se deparar com sua impotência ou nos vasos ornamentais a serem quebrados a revelar a encruzilhada em que se encontra o traficante. A fotografia também é utilizada em muitos planos com o objetivo de auxiliar a narrativa: o departamento de polícia quase escuro, iluminado praticamente por luz natural, constrói o sentimento de sua precariedade material e humana; a iluminação da discoteca, propriedade de Zampa, com uma paleta quase que invariavelmente vermelha, já nos adianta o derramamento de sangue que está por vir. Destaque para os travelling circulares constantemente usados a fim de captar a condição psicológica das personagens inseridas em situações de deslocamento e confusão. No entanto, o filme possui seus problemas técnicos, nas cenas de ações, a montagem não funciona, o diretor Cédric Jimenez parece inseguro em se utilizar de planos sequências, pois estes são interrompidos por cortes abruptos, em que muitas vezes o espectador se desorienta. Em outros momentos, executa de forma desnecessária e até redundante o mesmo estilo de Scorsese em que a narração de um personagem a explicar o esquema do tráfico é acompanhada de planos curtos dinamizados que não possuem em nenhum momento o efeito estético do qual o hollywoodiano é capaz. E do segundo para o terceiro ato, após reviravoltas magistrais, Jimenez insiste em mostrar ao espectador a condição de altos e baixos dos personagens, mas estas variações distanciadas não chegam a prejudicar o desenrolar do desfecho da narrativa.
Assim como Traffic, A Conexão Francesa não é demagógico, muito menos trata o problema com a superficialidade, por exemplo, do documentário Quebrando o Tabu. Numa época em que a discussão sobre a legalização ou não de drogas ilícitas ocupam cada vez mais os espaços de debates públicos e midiáticos, o filme francês não propõe nenhuma solução, muito menos nos faz chegar a alguma conclusão. A qualidade do filme reside na constatação de um sistema que se caracteriza um tanto que sobre-humano, que sobrepuja qualquer força que o toca, seja a lei ou o poder daquele que o sustenta.