4 de junho de 2026

Dilma em ação, por Marcos Coimbra

Dilma em Ação

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Marcos Coimbra

O comportamento de nossas oposições é, às vezes, francamente infantil.

Parecem-se com as crianças pequenas que gostam de atazanar os coleguinhas maiores com chutes, beliscões e xingamentos. E que choram quando os grandes reagem e lhes dão um chega pra lá.

Acabamos de presenciar uma dessas situações. Desde a semana passada, o que mais se ouve são as queixas oposicionistas contra o protagonismo que Dilma adotou em seu pronunciamento a respeito das questões energéticas e da redução das tarifas de eletricidade.

As oposições não gostaram do discurso. Seja na nota oficial do PSDB, nos editoriais da imprensa oposicionista ou nas “análises” dos entendidos recrutados por ela, disseram-se indignados com o conteúdo e a forma da manifestação.

O mínimo que afirmaram é que, ao convocar cadeia nacional de rádio e televisão para anunciar as posições do governo, a presidenta havia se aproveitado das prerrogativas do cargo e feito campanha em favor da reeleição.

Supor que Dilma tenha resolvido se pronunciar buscando dividendos eleitorais é ignorar quem ela é. Os que a conhecem sabem que, em condições semelhantes, ela diria exatamente o mesmo, ainda que não cogitasse em se candidatar a nada.

Sabem, também, que seria improvável que ela permanecesse indefinidamente calada, ouvindo o que andou ouvindo.

Quando o grande plano das oposições para voltar ao Planalto fez água, elas passaram a se dedicar a outra estratégia. A espetacularização do julgamento do “mensalão” não causou os danos que esperavam na imagem do PT, como ficou evidente à luz de seu desempenho na última eleição e perante o favoritismo dela e de Lula nas pesquisas sobre a sucessão em 2014.

O antipetismo teve que mudar o alvo.

As oposições parlamentares e extraparlamentares dirigiram suas baterias contra Dilma, querendo desmoralizar o governo. Tudo se tornou pretexto para acusá-lo.

A elas, a rigor, nunca importou a razão de cada crítica, se o avaliavam mal por considerá-lo ignorante, incompetente, corrupto ou qualquer outra coisa. O que buscavam era sempre ter uma denúncia para incomodá-lo.

Bateram no governo sem parar. Os articulistas e comentaristas da “grande imprensa” fizeram a festa, espicaçando-o pelo que fazia, pelo que deixava de fazer e pelo que nem estava em seus planos.

O retardo das chuvas de verão veio a calhar. Sentiram o gosto da vitória que poderiam ter sobre a presidenta, que se orgulha de conhecer o setor elétrico.

E acreditaram que se desforrariam: após o vexame do apagão tucano, o PT amargaria o seu.

A presidenta cumpriu com seu dever falando diretamente ao País. Depois de três meses de bombardeio negativo, em que os esclarecimentos dos responsáveis mereceram espaço minúsculo na imprensa, cabia a ela apresentar a versão do governo.

O pronunciamento foi em tom político, coisa que não é comum para Dilma, que prefere falar de maneira técnica.

Dá-se o caso que o tema já estava politizado e que seria difícil tratá-lo de outra maneira. Para esclarecer o que pensava, ela tinha que dizer porque discordava da oposição.

Não deixam de ser curiosas as expectativas que alguns setores da sociedade têm em relação ao PT e suas lideranças. O que consideram normal nos políticos da oposição torna-se pecado quando vem de um petista.

Os pesos e as medidas são completamente diferentes para os dois lados.

Receber e não declarar recursos para fazer campanha? Nomear correligionários para cargos públicos? Indicar aliados para funções na administração? Tudo isso é regra no sistema politico brasileiro. Mas estaria proibido ao PT, que deveria amarrar as mãos e assistir aos adversários fazer o que apenas a ele é vetado.

Dar a outra face quando atacado? Nenhum faz isso, a começar por alguns dos mais ilustres representantes do oposicionismo, que são incensados quando se mostram duros e até vingativos (ou alguém se esqueceu de quem é e como atua José Serra?). Mas Dilma teria a obrigação de apanhar calada.

O fato é que ela não é assim. E é bom que deixe isso claro desde o início do ano, que deve ser parecido a janeiro no denuncismo. Com sua grande popularidade e o apoio quase unânime do País, é bem provável que tenha que voltar aos meios de comunicação. Quando a provocarem além do normal. E não vai adiantar ficar fazendo beicinho.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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