4 de junho de 2026

Crise: O BNDES Como Garantidor de Lucros

BNDES 
Pilar dos lucros dos capitalistas

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Os crescentes repasses de recursos públicos para os capitalistas garantem, de maneira crescente, o relativo funcionamento da economia amarrada pela dependência imperialista 

30 de janeiro de 2013

 

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) tem se transformado num dos pilares fundamentais dos lucros dos capitalistas.

As solicitações para financiamentos cresceram 60% em 2012 frente a 2011, atingindo R$ 312,3 bilhões. As aprovações aumentaram 58%, totalizando R$ 260 bilhões, e os desembolsos alcançaram R$ 156 bilhões.

Segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, os aumentos mostrariam a recuperação dos planos de investimentos no País em 2013 e em 2014. Os setores mais beneficiados pelo Banco foram petróleo e gás, energia, automotivo, bens duráveis e telecomunicações, ou seja, os principais setores da economia que mais enfrentaram queda nas vendas e nos lucros em 2012.

No setor de comércio e serviços, o aumento foi de 28%, para R$ 48 bilhões. Para a agropecuária foram liberados R$ 11 bilhões.

Esses aumentos coincidem com a redução dos empréstimos a longo prazo concedidos pelos bancos privados que, devido ao aumento da aversão ao risco, têm se concentrado nas aplicações no curto prazo, na especulação com títulos públicos e nos setores com fortes subsídios públicos, tais como o crédito aos consumidores.

O PSI (Programa de Sustentação do Investimento), que foi estendido até o fim de 2013, e o Progeren, orientado para o capital de giro das empresas alcançaram a marca de cerca de R$ 54 bilhões. Em outras palavras, a disponibilização de recursos públicos baratos para beneficiar alguns setores da economia foi a principal função do BNDES – garantir os lucros dos capitalistas a qualquer custo, evitar a bancarrota, manter os mecanismos da especulação financeira em pé e não promover investimentos que possibilitassem algum crescimento da economia no longo prazo.

Segundo Coutinho, “em 2013, nós queremos que [o BNDES] esteja estreitamente para a aceleração da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e do investimento”, mas a probabilidade de que o FBCF, setor responsável pelo investimento nos meios de produção, cresça é muito remota. Em primeiro lugar, se trata de setor industrial que mais tem sofrido a recessão devido ao acelerado processo de desindustrialização imposto pelo imperialismo. As amarrações imperialistas impedem o crescimento da economia e da indústria nacional que, cada vez mais, são direcionadas para a especulação financeira e a entrega das riquezas nacionais.

O BNDES no resgate dos capitalistas falidos

O BNDES é o principal viabilizar do funcionamento de setores altamente parasitários, tais como os frigoríficos e as usinas de álcool combustível. Esses setores têm se tornado alvos das multinacionais imperialistas conforme a especulação tem crescido nos mercados futuros de commodities.

Em todos os setores da economia, cada vez mais, as fusões e os lucros são garantidos em cima de recursos públicos viabilizados por meio das emissões de títulos podres pelo Tesouro Nacional e pelos empréstimos públicos e privados, estes últimos também garantidos pelo governo.

A última ação do BNDES aconteceu no setor de laticínios. Após ter colocado R$ 700 milhões para favorecer a fusão entre a Bom Gosto e Leitbom, que deu lugar à LBR – Lácteos Brasil no final de 2010, esses recursos deverão se tornar perdas após a LBR ter, recentemente, anunciado o fechamento de 11 fábricas e a suspensão de cinco marcas.

No setor dos frigoríficos, as fusões também levaram a perdas bilionárias, como aconteceu no caso Bertin, do JBS, quando tentou especular no setor de energia e acabou tendo que entregar as termelétricas.

Devido à seca nos mercados internacionais, os empréstimos obtidos no exterior têm sido obtidos por meio das emissões, em um ritmo ascendente, de títulos podres pelas empresas com piores notas de crédito. Os especuladores os compram devido às altas taxas de lucro que, em última instância são garantidos pelo estado no caso de bancarrota, inclusive porque uma parte crescente do controle acionário se encontra nas mãos do BNDES. Um ótimo negócio para garantir colocação e altas taxas de lucro para grandes volumes de capitais especulativos que não encontram lugar nas atividades produtivas devido ao aprofundamento da crise capitalista mundial.

Nos últimos dias, o frigorífico Minerva, por exemplo, aumentou em 70% o volume de títulos junk (lixo), para US$ 850 milhões. O negócio é tão lucrativo (para os especuladores) que a demanda superou os US$ 6,5 bilhões. O frigorífico Marfrig emitiu US$ 600 milhões e teve uma oferta de US$ 3,5 bilhões.

A farra chegou a tal ponto que a Federal Reserve (Fed, banco central americano) declarou que o mercado dejunk bonds (títulos podres) está superaquecido. Na realidade, essas operações são estimuladas pelas crescentes emissões de moeda podre realizadas pelas principais potências imperialistas que têm inflado o volume de capitais fictícios.

Como instrumento na nova escalada das políticas neoliberais no Brasil, o BNDES também passou a encabeçar o processo de privatização do IRB-Brasil (Re IRBBrasil Resseguros), como gestor do PND (Programa Nacional de Desestatização), que nem sequer será feito por meio de uma licitação.

O calcanhar de Aquiles dos repasses de recursos públicos realizados pelo BNDES e os demais bancos públicos se encontra na origem dos recursos que formam a base da disparada do endividamento público. O orçamento do governo federal está comprometido, em quase 50%, pelo pagamento dos serviços da dívida pública. O imperialismo tenta, de maneira desesperada, repassar o peso da crise sobre os trabalhadores e os países atrasados. Por esse motivo, a perspectiva para a economia brasileira é a depressão econômica e a hiperinflação que impulsionarão a retomada do ascenso da classe operária brasileira.

http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=39557

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados