4 de junho de 2026

O Mali, a França, a UE e as pretensões brasileiras na ONU

Por mateus

A intervenção militar da França inscreve-se nos parâmetros gerais das acções militares do género, estando preenchidos dois requisitos básicos: a legitimação externa e interna e o interesse. A legitimidade advém da autorização da ONU e do fato de a acção provir de governo legítimo em auxílio solicitado pelo Governo legítimo do Mali, além de ter o apoio da Otan e da União Europeia. O interesse tem a ver com o problema do avanço, em África, de grupos radicais islamistas associados à Alqaeda e com a tentativa de avanço para a orla sul do Mediterrâneo, frente à Europa. Veja-se que, a par do domínio do Norte de Mali por esses grupos, houve simultaneamente a tomada do centro enegético do sul da Argélia com sequestro de centenas de trabalhadores (incluindo europeus) por um grupo armado extremista. A Argélia, um dos países da dita Primavera Árabe, orla o Mediterrâneo e o Mali pega com a Argélia…

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Porquê a França e não outro país a intervir? Isso é outra história. A ligação do Mali com a França é conhecida… Mas não é a 1ª vez que a França interveio num país africano  E da intevenção anterior, seja feita por França, seja pelos EUA, não resultou qualquer domínio colonial…  

Qualificar a ação da França de tentação colonial é não perceber a relação dos interesses entre a UE e África, especialmente entre Mali e França, e além disso enferma de alguma aversão patológica à ideia colonial que já devia estar curada há muito tempo. Hoje não há colónias como houve em séculos passados, nem no Ocidente há quem propugne por voltar ao colonialismo! Com a globalização pos-moderna, o domínio territorial seria utópico: hoje o caminho é outro, é o do domínio financeiro, e quem não perceber isto não percebe nada… E, como creio que a “nossa amiga” Dilma não é ingénua, o que ela queria dizer está muito para além do que ela disse e facilmente se adivinha: diz Nonato que ela pulou na frente. É isso, preto no branco! Quis pular na frente. Só que a via de se querer engrandecer diminuindo o parceiro não é a melhor via diplomática… Compreende-se que o Brasil se queira afirmar, e até penso que seria justo aceder a membro permanente do Conselho de Segurança, como outros ditos “países emergentes”: mas para atingir esse objectivo, precisa de apoio e aliados e a hostilização da França ou da UE não é aconselhado pelos cânones diplomáticos. É que a França (e outros da UE) é membro permanente do Conselho de Segurança e tem poder de veto… 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados