4 de junho de 2026

Todos fomos vítimas e algozes, quando o tema é bullying

Por Jorge Nogueira Rebolla

Não sei qual é a idade do Ed. Tenho 47 anos e posso dizer, aliás como todos os adultos de meia idade, professor ou não, que fomos vitimas e praticamos o que atualmente é chamado de bullying. O mundo mudou e acredito que para pior. Tínhamos uma infância mais prolongada que a atual. Em vários aspectos alguém poderia interpretar que éramos mais atrasados, mas na minha opinião aguentávamos melhor o tranco.

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Coitado dos “delicados”, dos gordos, dos muito magros, dos orelhudos, dos narigudos, dos que usavam óculos, ia dizer aparelho ortodôntico mas isto era tão raro, do primeiro ao último dia de aula quando não estávamos jogando futebol com bola improvisada no intervalo restava atazanar a vida de alguém.

Tive as minhas fases: quatro olhos, pudim de banha ou orca, barata descascada e urso do cabelo duro. (Será que alguém aqui lembra deste cartoon?). Isto para não alongar muito. Nós, os “rejeitados”, éramos obrigados a criar as nossas próprias defesas. Alianças eram feitas. Que tal uma turma formada por xampu, o urso do cabelo duro; azeitona de Itu; “lumbriga”; X é homem?; fraldinha; dentes de cavalo e mais alguns representantes da flora, fauna ou coisa pior?

Criávamos as nossas táticas. Dentro do colégio apenas retaliações leves. Camas de gato, chicletes nos cabelos, saquinhos urinários, etc. Fora era na porrada mesmo. Se o alvo era mais forte não faltavam pedras.

Ninguém morreu, ficou aleijado ou foi para um sanatório. Todos chegamos a idade adulta. Considerávamos humilhante recorrer à autoridade. Pais, professores e outros eram mantidos afastados. Superávamos as dificuldades. Hoje em dia parece que a situação se inverteu. Quanto mais cedo ocorre a transição para a idade adulta, no caso a sexual, menor parece ser maturidade para enfrentar as hostilidades. O coitadismo está se espalhando. O desejo de ser aceito e admirado se tornou um direito. Quando recusado causa problemas graves. Deve ser a síndrome dos pequenos príncepes ou princesas.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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