Do Estadão
Irina Ionesco é condenada por retratar filha nua
Francesa clicou a menina Eva em cenas ousadas, dos 4 aos 11 anos
Flavia Guerra
A fotógrafa francesa Irina Ionesco foi condenada na segunda-feira, 17, a pagar 10 mil euros por perdas e danos ao ferir e atentar contra a imagem e privacidade de sua filha Eva, de 46 anos, quando ela ainda era uma menina. O principal motivo da condenação são as fotos de alto teor erótico que a mãe tirou da filha quando ela tinha de 4 a 11 anos.

Filha de imigrantes romenos, Irina é uma das mais controversas fotógrafas da França e seus trabalhos mais marcantes são os ensaios que ela realizou ao longo da carreira com mulheres ousadas, sedutoras, em atmosfera simbolista, burlesca e densa, em que o erotismo e o mistério davam o tom a retratos complexos e sofisticados.
O trabalho de Irina tornou-se mais notório quando ela, nos anos 70 e 80, realizou ano após ano ensaios em que sua filha era modelo em fotos ousadas. Eva era retratada em trajes adultos, envolta com rendas, plumas, pérolas, joias, por vezes seminua e até mesmo nua. A obra, intitulada Eloge de Ma fill, entrou para a história da fotografia e do erotismo e deu fama internacional a Irina, que costumava chamar Eva de “Minha Princesa”.
Grande parte dos negativos dessas fotos deverão ser entregues a Eva por decisão do Tribunal de Grande Instância (TGI) de Paris. Outras reivindicações de Eva, como o pedido de proibição de que sua mãe continue usando, e explorando, os negativos, foram negados. Diante da decisão, o advogado de Eva, Jacques-Georges Bitoun, afirmou: “Era uma época em que as redes pedófilas ainda tinham muita influência”. Já o advogado de Irina, René-Jean Ullmann, rebateu: “Uma época mais liberal e mais permissiva”.

Segundo o jornal francês Le Monde, em audiência ocorrida em 12 de novembro, mãe e filha foram confrontadas pelos respectivos advogados. Bitoun, em nome de Eva, considerou que “não se deve misturar o conceito de ‘liberdade’ com os ‘horrores’ dessas fotos, que mostram a menina de ‘meias arrastão’, mostrando seu sexo”. Já Ullmann, seu adversário, entretanto, havia averiguado e descoberto que os fatos foram prescritos. E acrescentou que Eva Ionesco, que havia pedido 200 mil por danos, “foi motivada por um ódio, uma raiva contra sua mãe”.
Diversos retratos de Eva podem ser vistos on-line, assim como outros realizados por Irina ao longo de sua prestigiada carreira. A fotógrafa, aliás, ganhou em março uma exposição no Brasil, na Casa do Saber do Rio, que organizou a mostra chamada Invenções do Feminino, mesmo período em que a norte-americana Nan Goldin causou polêmica ao ter sua individual (que também trazia fotos de crianças nuas) vetada no Oi Futuro e transferida para o Museu de Arte Moderna.
Eva, que se tornou atriz (estreou no cinema aos 11 anos, em O Inquilino, de Roman Polanski, em 1976) e cineasta, dirigiu em 2011 o autobiográfico My Little Princess (Minha Princesinha), ainda inédito no Brasil, estrelado por Isabelle Huppert, que vive a fotógrafa Hannah. Na trama, Violeta (Anamaria Vartolomei) é uma garota cuja mãe ausente, que permite que a filha seja criada pela avó, sugere que a menina se torne sua modelo. A partir daí, tudo muda na pacata vida de Violeta. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Gil Cleber
14 de agosto de 2015 7:58 pmÉ a velha hipocrisia que
É a velha hipocrisia que virou moda. É moderno ser contra a arte porque os hipócritas, os coroinhas de gaveta, os ratos de sacristia, resolvem transformar tudo em pedofilia. No fundo, no fundo, aqueles que mais condenam são os que levam essas fotos para o banheiro e se masturbam.
São fotos lindas, a fotógrafa é uma grande artista.
E a filha só resolveu reclamar agora? Quer dizer que só passou a ter discernimento agora? Por que não buscou a “justiça” ao vinte, aos vinte e cinco, ou mesmo aos dezoito, quando já era maior de idade? Se o que ela quer é dinheiro, por que não esperar pela herança? Ora, o que ela quer é notoriedade.